01
Ago 12

E nos topónimos

Nada a fazer

 

 

      «Tratado como um autêntico rei no pequeno país do Golfo Pérsico, Al-Attiyah é membro de uma das mais importantes famílias do Qatar. É parente da mulher que amamentou o emir Hamad bin Khalifa, o que lhe valeu o “empréstimo” do título de príncipe, e ainda primo do presidente da Federação de Automobilismo – que o relançou após algumas barreiras colocadas pelo anterior líder federativo, pertencente a uma prestigiada família rival» («Ás do volante e certeiro no tiro. O que falta ao príncipe do Qatar?», Octávio Lousada Oliveira, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 32).

      Até pode estar muito bem explicadinho em prontuários, gramáticas e mesmo em blogues — na hora de escrever e rever, a mãozinha é deles.

 

  [Texto 1903] 

Helder Guégués às 11:28 | comentar | favorito
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Maiúscula e minúscula

Nunca sabem quando

 

 

      «Teria 3,5 metros a quatro metros, quando há cerca de quatro mil anos ladeou uma porta monumental de acesso à cidadela de Kunulua, a capital do reino de Patina, que floresceu no leste do mediterrâneo, onde é hoje a zona mais a sudeste da Turquia. Trata-se de uma escultura de uma figura humana, cuja parte superior está magnificamente preservada, e que foi encontrada agora numa escavação arqueológica que pôs igualmente a descoberto outros bons exemplos da arte de esculpir desenvolvida no seio da cultura Neo-Hitita, que dominou a região a partir do segundo milénio a. C.» («Escultura com quatro mil anos descoberta na Turquia», Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 24).

      O uso da maiúscula e da minúscula nos jornais merecia um estudo.

 

  [Texto 1902]

Helder Guégués às 11:25 | comentar | favorito
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Parece mentira

Inglês à força

 

 

      «Agora fico de boca aberta ao ler, no Público de 26.7.2012, que no Ministério das Finanças se recorre ao inglês para falar com os banqueiros nossos compatriotas. Assim mesmo. Fernando Ulrich, presidente do BPI, considerou incompreensível que o Ministério das Finanças realize reuniões em inglês com os banqueiros portugueses e observou: “Nunca me tinha acontecido tal coisa. É irritante ter de falar com o Governo do meu país em inglês.”» («‘How do you undo?’», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 54).

 

  [Texto 1901]

Helder Guégués às 11:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «soundbite»

Nem bits nem bytes

 

 

      «Disto se faz hoje, em grande parte, o sucesso do infotainment nacional: do justiceirismo acelerado. Ao menos as previsões catastrofistas de Medina Carreira confirmaram-se. Mas, de qualquer maneira, isso é irrelevante: o que importa, nestas coisas, é o sound byte» («Folias de verão», Joel Neto, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 48).

      Só que é sound bite ou soundbite que se escreve, não sound byte. Até o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o regista.

 

  [Texto 1900]

Helder Guégués às 11:09 | comentar | favorito
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«No entretanto»?

Entrementes

 

 

      «Diga-se que Erika jamais sonhara com este Euromilhões editorial, apesar de a escrita ser um dos seus principais sonhos de adolescente. No entretanto, trabalhou para ganhar a vida e sustentar os dois filhos nascidos de um casamento burguês com um escritor de guiões, até a saga Crepúsculo lhe ter entrado pela vida a dentro. O quarteto de “literatura” de Stephenie Meyer inspirou-a e, se a americana era capaz de deixar o mundo doido por vampiros, porque não endoidecê-lo com sexo, num momento em que a pornografia disponível na Internet acabou com a obsessão sexual que foi o motor de muitas lutas pela libertação feminina no tempo da mãe?» («49 anos, casada há 20, mãe e líder da revolução sexual!», João Céu e Silva, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 43).

      Não vou dizer que foi a minha professora da escola primária que me ensinou, mas em alguma altura aprendi que se não deve dizer «no entretanto». Ou bem se quer dizer «no entanto», «todavia», «contudo», ou «neste ou naquele meio tempo ou intervalo, ínterim». E também se dirá ou «pela vida adentro» ou «pela vida dentro».

 

  [Texto 1899] 

Helder Guégués às 10:58 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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Léxico: «qatari»

Que remédio

 

 

      «Muitos já o consideram uma espécie de “homem dos sete ofícios” do desporto. A esse propósito, o qatari chegou mesmo a afirmar, antes dos Jogos Olímpicos que estão a decorrer na capital britânica: “Para conduzir e para disparar preciso de uma cabeça limpa e de uma mão firme.”» («Ás do volante e certeiro no tiro. O que falta ao príncipe do Qatar?», Octávio Lousada Oliveira, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 32).

      É estranho, como estranha é a grafia do topónimo. Mas não havendo outro...

 

  [Texto 1898]

Helder Guégués às 10:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «fuzo»

Desconheço

 

 

      «A GNR e a PJ, apoiada por fuzileiros da Marinha, desconheciam que ambas tinham efetivos prestes a intervir na operação noturna de combate à droga realizada em Odemira no fim de semana, o que poderia ter resultado num “banho de sangue” entre “forças amigas”, garantiram ao DN fontes envolvidas no caso» («GNR e ‘fuzas’ quase aos tiros na operação do rio Mira», Manuel Carlos Freire, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 16).

      «Fuças», sim, existe. O jornalista queria escrever «fuzos», que é o nome na gíria para fuzileiros.

 

  [Texto 1897]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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01
Ago 12

Léxico: «encosto»

Desencosta-te

 

 

      Na minha vida, não são nada raras estas coincidências. Ontem de manhã, vi pela primeira vez o termo «encosto» na acepção de espírito que acompanha uma pessoa viva, prejudicando-a com vibrações negativas. Coisas do espiritismo. Nem os dicionários actualizados ao minuto a registam. No 5 para a Meia-Noite (com D. Januário Torgal Ferreira como convidado?!), mesmo no fim, José Pedro Vasconcelos leu um anúncio de um jornal em que se usava a palavra nesta acepção.

 

  [Texto 1896]

Helder Guégués às 08:22 | comentar | favorito
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