05
Ago 12

Léxico: «bateia»

Quando não se sabe...

 

 

      Garimpo no rio Ocreza. Jornalista António Nunes Faria, no Bom Dia Portugal: «Faz tempo que tudo o que aqui reluzia no prato era ouro, como mostram estas imagens gravadas há alguns anos.» E as imagens o que mostram é um homem a agitar nas águas do Ocreza uma bateia, ou seja, a gamela em que se lavam os minérios.

 

  [Texto 1932]

Helder Guégués às 22:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Fachada tardoz»

Se nisto houvesse lógica

 

 

      Um incêndio destruiu o último andar de um prédio na Avenida da República, em Lisboa. Chefe Rodrigues, dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, no Telejornal: «E a zona mais afectada são dois quartos junto à fachada tardoz

      Julgo nunca antes ter ouvido ou lido a expressão. Sempre ouvi e usei «tardoz». Que, lembro, é somente substantivo. No Lextec, porém, está registada. Fachada tardoz, alçado tardoz. Ora, se tardoz significa parede exterior de um edifício oposta à que se encontra virada para o arruamento e fachada é o mesmo que frontaria, isto é, a fachada principal de um edifício, não estou a ver nem a lógica nem a necessidade da expressão.

 

  [Texto 1931]

Helder Guégués às 22:21 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Acordo Ortográfico

Eh pá, se é assim

 

 

    «Bem, então e agora? “Já está”, não é? Não! Felizmente, há uma maneira muito simples de resolver tudo isto: revogar (anular) a entrada em vigor do “acordo” “ortográfico” em Portugal. (A sério? Sim, sim, muito a sério.) Basta juntarmos 35.000 assinaturas (em papel) para entregarmos a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) Contra o Acordo Ortográfico. É uma proposta de lei, tal e qual como as que são submetidas pelos deputados, mas com a diferença de sermos nós, os cidadãos, a apresentá-la» («Ortografia no Verão», Hermínia Castro, Público, 5.08.2012, p. 53).

      Tão simples? Parece uma receita: basta juntar água, etc., e pronto, volta tudo a ser o que era — e antes é que era bom, mas somos humanos, e um pouco estúpidos, por sinal, e não valorizamos o bem presente.

 

  [Texto 1930] 

Helder Guégués às 14:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Acordo Ortográfico

Hoje pouca gente o sabe

 

 

      «Mais irresistível ainda é o argumento de que temos que “ivoluir”. Impagável. Como se evoluir alguma vez pudesse significar cilindrar a riqueza e a diversidade do que quer que fosse, quanto mais de uma língua viva» («Ortografia no Verão», Hermínia Castro, Público, 5.08.2012, p. 53).

      Ó Fernando Venâncio, o que acha que quis dizer esta senhora, antes bióloga mas agora tradutora?

      «Toda a gente soube, até há pouco tempo, que o e inicial átono vale i. Hoje, pouca gente o sabe» (A Língua Portuguesa, João de Araújo Correia. Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959], p. 72).

 

  [Texto 1929]

Helder Guégués às 14:15 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Iniciativa legislativa de cidadãos

Contra o Acordo Ortográfico

 

 

      ... Quer dizer então que, se eu quiser subscrever a iniciativa legislativa de cidadãos contra o Acordo Ortográfico, tenho de ir a Carcavelos, porque é o mais perto da minha casa? (Não me ficava bem ir ao Restaurante Pinto’s, no Estoril...) Em Lisboa, não têm partidários... Ninguém se oferece? Um bar, uma barbearia, uma lavandaria, uma livraria... Perdem muito com isso, devem saber.

 

  [Texto 1928]

Helder Guégués às 14:11 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Tradução: «leash»

Se não se ofender

 

 

      «Um kit de iniciação (prancha, pagaia, leash e fato) com material com uma qualidade aceitável ronda os 1200 euros, com a prancha a ser o mais dispendioso (cerca de 800 euros)» («Pegar na pagaia e... surfar», Elisabete Silva, Diário de Notícias, 5.08.2012, p. 47).

      Podemos chamar-lhe simplesmente cordão, ou a rainha Isabel II vai ofender-se? Não será crime of lese-majesty?

 

  [Texto 1927]

Helder Guégués às 09:33 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Filosofia Germânica»

Podia haver

 

 

      Lili Caneças vem hoje confessar no Diário de Notícias que aos 4 meses de idade já apanhava banhos de sol na praia. O texto foi escrito pela jornalista Filomena Araújo e é baseado nas declarações de Lili Caneças, de quem, numa coluna, está o perfil: «Frequentou durante três anos o curso de Filosofia Germânica da Faculdade de Letras de Lisboa e foi hospedeira da TAP, que deixou depois de se casar» (p. 48).

 

  [Texto 1926]

Helder Guégués às 09:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Itens e lideranças

Preguiça

 

 

      «Outro dos exemplos é a Fundação Francisco Manuel dos Santos, liderada por António Barreto, que tem por objeto, entre outros itens, a elaboração de estudos em diversas áreas e criou a Pordata, um banco de dados estatísticos. A fundação mantinha ainda no ano passado uma parceria com a RTP, um projeto que resultou no programa Nós portugueses. O Governo atribui-lhe uma pontuação de 64,6, mas esta não recebeu verbas do Estado e funciona com 14 colaboradores» («Fundação sem utilidade pública recebeu 3 mil euros», Lília Bernardes, Diário de Notícias, 5.08.2012, p. 11).

      Da «liderança» já não nos livramos tão depressa. O «entre outros itens», que em rigor não significa nada, só pode ser resultado da preguiça da jornalista.

 

  [Texto 1925]

Helder Guégués às 09:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Haveria de dar nisto»

Guardemo-la

 

 

      «Aquela coisa de nome que seria irónico se não fosse ignóbil, reality TV, TV-realidade, isto é, vida falsa apresentada como verdadeira, haveria de dar nisto: mostre-se o que dá mais jeito, apague-se o que incomoda» («Não dá jeito? Apague-se a notícia», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 4.08.2012, p. 48).

      Guardemos esta para Montexto comentar, porque ele vai com certeza gostar.

 

  [Texto 1924]

Helder Guégués às 09:14 | comentar | ver comentários (95) | favorito
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05
Ago 12

«Luso-descendente/lusodescendente»

Não acertam o passo

 

 

      «A mulher de Carlos Américo Valente Martínez, um comerciante luso-descendente sequestrado há 18 dias na cidade de Maracaibo, Estado de Zúlia (750 quilómetros a oeste de Caracas), apelou na quinta-feira aos raptores para libertarem o marido, em conferência de imprensa. [...] Esta mulher precisou que não tem qualquer notícia do luso-descendente desde que foi sequestrado, que a família está preocupada com o seu estado de saúde, “porque [aquele] sofre de hipertensão há sete anos, tem de tomar todos os dias medicamentos e tinha uma operação agendada para 25 de julho”. A mãe do comerciante luso-descendente, Marina de Valente, enviou uma mensagem ao filho, pedindo-lhe para “não perder a calma, estar tranquilo e confiar muito em Deus”. [...] O luso-descendente, cujo paradeiro continua a ser desconhecido, foi sequestrado a 17 de julho na cidade de Maracaibo por quatro homens armados quando, depois de parar o carro, caminhava a pé para um ginásio, situado a escassos metros da sua padaria» («Luso-descendente está sequestrado há 18 dias», Diário de Notícias, 4.08.2012, p. 19).

      Antes, escreviam «lusodescendente», e estava incorrecto. Condenei várias vezes essa forma de grafar a palavra. Agora que adoptaram as novas regras ortográficas, passaram a escrever «luso-descendente»? Agora também está incorrecto. Estou para ver quando vão acertar o passo.

 

  [Texto 1923]

Helder Guégués às 09:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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