07
Ago 12

Última página do «Público»

Antológica, sem dúvida

 

 

      Já ao fim da noite, avisaram-me que a última página da edição de hoje do Público é antológica. Não me enganaram, posso comprová-lo agora. Assim, temos: título ao canto superior esquerdo: «Deputada britânica escolhe a família ao lugar de deputada». Eles sabem que há um verbo qualquer com esta regência — por azar, não é este. No canto superior direito, para estabelecer o equilíbrio possível: «Euromilhões» — e é o número (50289) e o valor do prémio (600 000 euros) da Lotaria Clássica. Mas isto era pouco, pelo menos para os nossos padrões, e por isso no lead da notícia principal («Chineses exigem 2,4 mil milhões de indemnização devido à falência da Saab») podemos ler: «A General Motors está em tribunal porque autorizou a venda. O mercado chinês é aposta forte da GM, que temia a concorrência da GM». No corpo da notícia, lemos também que «a empresa holandesa Spyker colocou ontem uma acção nos tribunais». E mais: «Perante a impossibilidade de a Spyker poder construir automóveis...» Ficamos ainda a conhecer, na rubrica «Sobe e desce», «uma das bandeiras de Rui Rio — a guerra aos graffitis».

 

  [Texto 1946]

Helder Guégués às 23:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Sobre «assistente»

Não vos arreceeis

 

 

      ... Não digo que não, mas «assistente» também é substantivo e uma das acepções é docente adjunto do professor catedrático, encarregado das aulas práticas ou teórico-práticas. Não precisamos obrigatoriamente de dizer «professor assistente»: o contexto esclarecerá o leitor. Ou receiam que se confunda com assistente de bordo, assistente social, médico assistente?... Também há revisores da CP e da Carris... (E ultimamente, dizem, que eu nunca vi, corretores na Bolsa e nas editoras.)

 

  [Texto 1945]

Helder Guégués às 18:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Camisola de cavas»

Há variantes

 

 

      «Várias testemunhas descreveram o atirador como um homem branco, 30 e tal anos, careca e vestido com uma camisola de cavas» («Ataque a templo ‘sikh’ é “terrorismo interno”», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 22).

      Até já li (não revelo o nome da autor, porque não tenho a referência bibliográfica completa) «t-shirts de manga-cava»... Mal traduzido de sleeveless shirt, é o que é. Talvez se ouça mais no singular, mas, de facto, as cavas, as aberturas no vestuário onde se pregam as mangas, são duas. Ainda mais usado é «manga (à) cava», em que, curiosamente, até se omite o termo «camisola» ou outro.

 

  [Texto 1944]

Helder Guégués às 17:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Descodifique-se

Assim percebem-me

 

 

      «“A principal razão é a dificuldade de aceder a créditos para aquisição de casa própria, mas com a existência de uma percentagem muito significativa de famílias que são já proprietários da casa que habitam (cerca de 74%), mesmo com facilidades de acesso ao crédito, esperava-se um abrandamento na aquisição de bens imobiliários. Não se compra nem se fazem upgrades de casas todos os dias”, explicou Luís Lima, presidente da APEMIP, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo» («Imobiliárias estão a vender menos 110 casas por dia», Bárbara Barroso, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 34).

      Dizer o mesmo mas em português não seria tarefa fácil, pois não?

 

  [Texto 1943] 

Helder Guégués às 15:47 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Taxa-crime»

Isto não é estranho?

 

 

      «GNR detém 35 condutores por dia com taxa-crime de álcool» (Rute Coelho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 16).

 

  [Texto 1942]

Helder Guégués às 15:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Mais caaquela que soya

 

 

      «Nas eleições municipais de 2006, apareceu claramente embriagado num desses vídeos, que se tornou um sucesso no YouTube. Questionado sobre se estava bêbado, deu uma resposta que se tornou famosa: “Não mais do que no costume”» («‘Papá’, o boémio e excêntrico ex-ministro socialista belga», S. S., Diário de Notícias, 7.08.2012, p. 41).

      «Pas plus que d’habitude», respondeu Michel Daerden. «Não mais do que de costume.»

      «Ajente que aly era nõ serja mais caaquela que soya», escreveu Pêro Vaz de Caminha na carta do achamento do Brasil.

 

  [Texto 1941]

Helder Guégués às 09:06 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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«Nitrato/nitrado»

Confusões substantivas

 

 

      «O porta-voz do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos de Ferreira do Alentejo, Paulo Conde, também ele morador num monte e também ele afetado pelo fim do abastecimento, garante que a decisão da autarquia está a fazer com que algumas pessoas consumam água sem qualidade. Por temer que esteja em causa a saúde pública da população, Paulo Conde fez chegar ao delegado de saúde do concelho o resultado de análises efetuadas à água de um furo localizado nas proximidades da Aldeia de Rouquenho e que revela níveis de nitrados três vezes superiores ao limite máximo está [sic] fixado na lei em vigor» («Análises revelaram contaminação de poços», Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 15).

      Como quase sempre, podia ser, mas não é: «nitrado» é adjectivo. O jornalista queria escrever «nitratos».

 

  [Texto 1940]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Ago 12

Léxico: «abeberamento»

Outra que falta

 

 

      Esta também não se encontra nos dicionários: «A Câmara de Ferreira do Alentejo justifica o fim do abastecimento de água aos montes isolados com anecessidade de “racionalizar o serviço e garantir a equidade” de tratamento entre os munícipes. “Existem 542 montes isolados no concelho. Para os abastecer nem todos os bombeiros do Baixo Alentejo chegariam”, diz o vereador Manuel Reis. A solução foi acabar com uma prática instalada há anos. O autarca diz “não se tratar de uma questão de despesa municipal” mas de racionalização dos serviços, pois terão sido detetadas “situações de abuso relacionadas com o uso indevida [sic] de água potável para abeberamento de animais e rega”» («Falta de água está a desesperar populações que vivem isoladas no Alentejo», Luís Godinho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 15).

 

  [Texto 1939]

Helder Guégués às 08:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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