11
Ago 12

Ortografia: «agrissilvipastoril»

Ominoso silêncio

 

 

      «Terras improdutivas sem dono, correspondentes às fragas, taludes ou alcantis e outras áreas sem características produtivas para fins agro-silvo-pastoris, etc.» Pena é os dicionários serem omissos nestas questões. O primeiro elemento é propriamente agri-, que, em forma de prefixo, não precisa de hífen para se ligar ao elemento seguinte. O segundo elemento, por sua vez, também é mais propriamente silvi-, que também se solda com o elemento que se lhe segue. Logo, agrissilvipastoril.

 

  [Texto 1964]

Helder Guégués às 18:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Definição de «cadastro»

Não só os rústicos

 

 

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define cadastro como o «registo público dos prédios rústicos de uma localidade ou região, com discriminação da sua extensão, qualidade e valor». Ora, parece-me que a definição está errada. Apelo para os leitores especialistas em Direito. O que eu leio no DL 172/95, de 18 de Julho, é que cadastro predial é «o conjunto dos dados que caracterizam e identificam os prédios existentes em território nacional». Todos, não somente os rústicos. É assim?

 

  [Texto 1963]

Helder Guégués às 10:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Deduções & escalrachos

Impressões

 

 

      «Dou um exemplo que ainda trago fresco na memória, acontecido comigo duas semanas depois de entrar no DN: aconteceu a 19 de maio de 1982, notícia no dia seguinte. Álvaro Cunhal tinha falado na evocação da morte de Catarina Eufémia, em Baleizão e, do discurso que me chegou, uma frase saltou-me aos olhos: “Este governo é um escalracho do regime e tem de ser arrancado.” Saborosa frase para título. (Fui primeiro ver ao dicionário o que significa a palavra, que nunca a tinha ouvido, embora deduzisse. O leitor, se não sabe, também tem de lá ir: trabalho para casa – TPC...) Lá fiz o título: “Governo é escalracho do regime e tem de ser arrancado” e, em pós-título “– disse Álvaro Cunhal em Baleizão, etc.”» («Quando Chapalimaud ‘regressou’ do Brasil só com nove letras...», Oscar Mascarenhas, Diário de Notícias, 11.08.2012, p. 47).

      Com todo o respeito, salvanor, não me parece que se possa deduzir o que significa «escalracho». Depois de se saber o que significa é que, perante aquela frase, se acha que teria sido fácil deduzir. Antes de se saber, é mais propriamente um berbicacho a pedir desempacho instante.

 

  [Texto 1962]

 

Helder Guégués às 09:26 | comentar | favorito
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11
Ago 12

«Intersectar/interceptar»

Assim está correcto

 

 

      «O princípio é o mesmo que está por trás das escutas telefónicas. Baseia-se na triangulação, ou seja, determinar uma localização a partir da distância a que se encontra de três satélites. “O que acontece é que se desenham três circunferências que se intersetam num ponto, que é a origem.” O projeto já mereceu a atenção de uma revista da Sociedade Americana de Física, mas a equipa quer explorar outros caminhos na área do marketing viral e das redes sociais» («Investigador português descobriu algoritmo que identifica a origem de uma mensagem», A. R., Diário de Notícias, 11.08.2012, p. 20).

      Já aqui tínhamos visto esta questão. Desta vez está certo: intersectar é cortar. Intersetar na nova grafia, mas na última página do Diário de Notícias, em entrevista ao investigador (Pedro Pinto, do Instituto Politécnico de Lausana, na Suíça), lê-se «intersectam». É como calha.

 

  [Texto 1961]

Helder Guégués às 09:21 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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