12
Ago 12

«Creche/infantário»

Creche e aparece

 

 

   «Seja creche ou infantário», escreve o autor. Pergunto eu: não são sinónimos? Pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o chegamos a saber bem. Creche, que começou por ser o estabelecimento para asilo diurno de crianças pobres e já foi um galicismo bárbaro (mas hoje já ninguém fala disso), é o «estabelecimento de educação destinado a crianças com idades compreendidas entre os 3 meses e os 3 anos de idade». Perfeito. Agora só falta ter, de preferência no mesmo dicionário, uma definição de infantário tão precisa. Mas não: «estabelecimento que se ocupa de crianças em idade pré-escolar; jardim-escola; creche». Para mim, são sinónimos, mas dizem-me aqui, sem mais argumentos, como tantas vezes, que não.

 

  [Texto 1968] 

Helder Guégués às 15:07 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas:

Plural: «tuque-tuques»

Plural e português

 

 

     Repórter Margarida Cruz no Telejornal de anteontem: «Do Oriente para as ruas de Lisboa há menos de um mês, os tuk-tuk já sabem como conquistar território luso» («Tuk-tuk em Lisboa»).

   Já que chegaram a Lisboa, não há nenhum motivo para, de pés bem assentes na terra, não aportuguesarmos a palavra: tuque-tuque. Já o plural é outra questão. Tudo leva a crer que é de origem onomatopeica. Logo, como nos substantivos compostos de palavras onomatopeicas só a última se pluraliza, fica tuque-tuques, à semelhança de reco-recos, roque-roques, tico-ticos, tique-tiques, toque-toques, etc. A propósito, também aqui a nossa sacrossanta ortografia apresenta incongruências, pois, igualmente onomatopeicas, temos zunzum, tiquetaque, frufru... Por sorte, os dicionaristas ainda não descobriram o tim-tim das taças nos brindes. É preciso tintins para aguentar tanto.

 

  [Texto 1967]

Helder Guégués às 11:17 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas:

Léxico: «gnómon»

Boa, Anaximandro (ou Anaxímenes...)

 

 

      «“Ainda bem que foi recuperado”, congratula-se ao DN Fernando Correia de Oliveira, um dos mentores do blogue Observatório dos Relógios Históricos, que, desde 2007, tinha vindo a chamar a atenção para a descaracterização do gnómon (o “ponteiro” de um relógio de sol) da Praça do Império» («Relógio de sol volta a funcionar... desregulado», Inês Banha, Diário de Notícias, 12.08.2012, p. 20).

     Gnómon é o ponteiro (mas sem aspas, Inês), sim, mas também, por metonímia, em que se toma a parte pelo todo, o próprio relógio de sol.

      Ah, não se sabe exactamente: ou foi Anaximandro ou o seu discípulo Anaxímenes de Mileto quem inventou o gnómon.

 

  [Texto 1966]

Helder Guégués às 07:45 | comentar | favorito
Etiquetas:
12
Ago 12

Léxico: «peitada»

Boa, Zé

 


      José Rodrigues dos Santos no Telejornal de ontem: «O jogo do Benfica com o Fortuna Düsseldorf foi interrompido por uma peitada: quando o árbitro ia expulsar Javi García, Luisão interveio e fez um contacto com o peito.»

     Alguma imprensa falou, impropriamente, em «encosto», mas as palavras existem para serem usadas. Peitada, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o embate de um peito com outro e o empurrão dado com o peito.


  [Texto 1965]

Helder Guégués às 06:45 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: