24
Ago 12

«Na senda de»

E insiste

 

 

      O autor escreveu: «Portugal emocionou-se e dividiu-se na senda de Maddie.» Todos sabemos (ou entreadivinhamos?), julgo, o que significa — mas será isso sinónimo de que está correcta, de que é uma frase modelar?

 

[Texto 1996]

Helder Guégués às 22:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Sofás creme»

Está nas gramáticas

 

 

      «O mobiliário que decorava o átrio era Luís XV, ou imitava bem, com sofás cremes e cadeiras forradas a couro branco» (O Codex 632, José Rodrigues dos Santos. Lisboa: Gradiva, 2005, p. 115).

      A maioria dos nomes das cores são, como se sabe, adjectivos, que, é óbvio, se flexionam normalmente e concordam com os nomes que qualificam. Alguns, porém, são substantivos, e nesse caso não se flexionam. Logo, sofás [de cor] creme.

 

[Texto 1995]

Helder Guégués às 12:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «pôntico»

Está nos dicionários

 

 

      «Duas hipóteses principais têm competido entre si para explicar a origem das línguas indo-europeias. Uma delas coloca esse início há 6000 anos, nas estepes ponticas, junto ao Mar Negro, onde a Europa, a Anatólia e o Cáucaso convergem. A outra prefere o coração da Anatólia e faz remontar esse princípio há mais de 8000 mil anos. Os resultados do estudo realizado pela equipa de Remco Bouckaert, que são publicados hoje na revista Science, apoiam esta segunda hipótese» («A origem da(s) língua(s)», Filomena Naves, Diário de Notícias, 24.08.2012, p. 27).

     É pôntico que se escreve, relativo ao Ponto Euxino, que é o nome antigo do mar Negro.

 

[Texto 1994] 

Helder Guégués às 10:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
24
Ago 12

«Paralelepípedos/calçada»

Da última vez

 

 

      «O caminho escolhido incluía a saída da Baixa, a passagem pela Sé, o Miradouro da Graça, a Feira da Ladra, o Panteão Nacional, a Casa dos Bicos e regresso à Baixa – parte do percurso azul.

      Todas estas ruas têm duas coisas em comum: uma grande inclinação e a calçada portuguesa. E é esta última que proporciona uma bela massagem durante todo o trajeto» («Conhecer a Cidade das Sete Colinas ao sabor da ‘massagem lisboeta’», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 20.08.2012, p. 47).

      Ai sim? A última vez que passei por aqueles lados as ruas estavam calcetadas com paralelepípedos. Ainda se fosse na oralidade, compreendia-se: «Paralelepípedo, palavra má de pronunciar, palavra enrodilhada, já o povo a ia desbotando em “paralelo”... Pois que deixassem o povo! As leis da linguagem, ao menos, era ele quem as sabia: deixassem-no legislar» (Uma Noite na Toca do Lobo. 2.ª edição. Lisboa: Editorial Verbo, 1964, p. 75).

 

[Texto 1993]

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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