25
Ago 12

Como se escreve nos jornais

Eles é que sabem

 

 

      «No entanto, se Cecília [sic] Giménez removeu parte da pintura original, o trabalho de restauro será quase impossível. Sem ter visto ao vivo a pintura, Luís Figueira [da empresa de restauro Junqueira 220] aponta o que pode ser uma dificuldade adicional: “Tenho visto referirem-se à pintura como um fresco. Pelas imagens que vi, com as grandes lacunas que parecia apresentar e a grande falta de adesão da pintura ao suporte, diria que parece antes uma pintura mural e não um fresco.” Um pormenor que escapa a um leigo, mas que para um restaurador faz toda a diferença: é muito mais difícil restaurar uma pintura mural do que um fresco» («‘Restauro’ é comparado a Goya e gera fenómeno», João Moço e Marina Marques, Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 37).

      Um especialista diz-lhes que lhe parece mais uma pintura mural do que um fresco, mas eles: «Diz-se que a ficção imita a vida. Mas há casos em que é a vida a imitar a ficção. Quem se recordar do trabalho desastroso que Mr. Bean fez no filme Bean: Um Autêntico Desastre (1997) ao quadro A Mãe de Whistler, de James McNeill Whistler, quando o tentou restaurar, depressa estabelece um paralelismo com a história de Cecilia Giménez, a espanhola de 81 anos que, ingenuamente, tentou “melhorar” um fresco da Igreja do Santuário da Misericórdia em Borja, Saragoça (Espanha).»

 

[Texto 2002]

Helder Guégués às 13:34 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Trindade e Tobago e Porto de Espanha

Nisto continuam a ser exemplares

 

 

      «A tempestade tropical Isaac já fustigou Trindade e Tobago, com ventos fortes a causarem estragos em Porto de Espanha, capital do país, destruindo algumas paredes de casas e levando telhados pelos ares. Devido às fortes chuvas, que fizeram subir os níveis dos principais rios, registaram-se grandes inundações na capital e em várias outras localidades» («Tempestade sobre Trindade e Tobago», Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 28).

 

[Texto 2001]

Helder Guégués às 13:33 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Chegámos a 2000

 

 

      «Quem passeia pelo Chiado, em Lisboa, pode agora encontrar um QR Code desenhado na calçada portuguesa. Os quadradinho [sic] pretos escondem muita informação para quem tem telemóveis de última geração (os chamados smartphones, com câmara e acesso à Internet)» («O primeiro código QR em calçada está no Chiado», Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 21).

      Reparem: no título, «código QR», no corpo da notícia, «QR Code». E com maiúscula, por respeito.

 

[Texto 2000]

Helder Guégués às 13:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Nem quero imaginar

 

 

      «“Qualquer dia mato-me!” – disse várias vezes Luciana Garcia, de 40 anos, a amigas, tendo dado a entender, já num quadro de depressão que sofria, a existência de problemas extraconjugais com o marido, apesar de a família transmitir uma imagem de união» («Dentista suicida teria problemas extraconjugais», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 19).

 

[Texto 1999]

Helder Guégués às 13:28 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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E temos «cabecilha»

Por uma vez

 

 

      «Dois deles tinham a alcunha de “Conguito” e de “Foguinho”. Eram os dois supostos cabecilhas do grupo que chegou a autodenominar-se pela sigla V. I. E. P. (Very Important Enxerim People), numa brincadeira com a palavra VIP e que demonstra bem que gostavam de ter atenção e não escondiam que atuavam em grupo para se destacar» («Não trabalhavam e estariam ligados ao crime», Miguel Ferreira, Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 17).

      Por uma feliz vez, esqueceram-se — e nós agradecemos — da palavra «líder», omnipresente nos nossos dias.

 

[Texto 1998]

Helder Guégués às 13:25 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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25
Ago 12

«Sustento/sustentabilidade»

É triste, mas é assim

 

 

      Repórter Cristiana Freitas, no Jornal da Tarde de ontem: «Os morangos não estão na terra: alimentam-se de um substrato nutritivo. É uma folha de coco que lhes dá a sustentabilidade.» Cristiana Freitas, veja bem: sustentabilidade é a característica ou qualidade do que é sustentável. É claro que não era isto que queria dizer. Sustento é o conjunto de condições materiais que permitem a subsistência; o que serve de alimentação, alimento.

      É como diz repetidamente, em forma de sentença, Montexto: «Tudo o que for aproximado será confundido.»

 

[Texto 1997]

Helder Guégués às 09:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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