28
Ago 12

«Pára/para»

Vai demorar

 

 

      «Mas pára, de parar, passa a para com o novo AO?», perguntam-me de uma editora. Ainda vai passar muito tempo até que deixe de causar estranheza. Mas já há, como se sabe, quem tenha resolvido a questão de forma expedita: não segue esta regra do Acordo Ortográfico de 1990. É a ortografia democrática. Bem pode no texto do acordo argumentar-se que é assim por coerência com a abolição do acento gráfico já consagrada pelo Acordo Ortográfico de 1945 e que o contexto sintáctico permite distinguir claramente as homógrafas, neste caso pára/para. Certo é que não é raro ler-se nos jornais disparates como «páram» e semelhantes.

 

[Texto 2018]

Helder Guégués às 14:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Graus centígrados/Celsius»

Quem disse que isto já não se via?

 

 

      Então vejam: «María Bermúdez de Castro [sic], codiretor das escavações arqueológicas de Atapuerca, confirmou que entre os vestígios havia dentes de uma criança de seis anos. É impossível recolher amostras de ADN, já que os corpos terão sido queimados a mais de 800 graus centígrados, destruindo essas provas. A justiça pediu entretanto uma quarta perícia» («Polícia confundiu restos mortais de crianças com vestígios de roedores», Susana Salvador, Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 23).

 

[Texto 2017]

Helder Guégués às 10:04 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Incongruências

Têm de se entender

 

 

      «Uma mulher de 46 anos morreu na sexta-feira à noite em Matosinhos após ter sido atacada pelo cão do filho, um animal cruzado de pitbull e leão da Rodésia, duas raças consideradas perigosas e potencialmente perigosas na legislação nacional. Cabe ao Ministério Público abrir um inquérito para averiguar as circunstâncias, sendo que a legislação prevê responsabilidades criminais» («Dono de cão garante cumprir lei», Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 21).

      «Para que não haja dúvidas, explica: as pessoas “continuam a mantê-los por uma questão de status, independentemente das condições que tenham para lhes dar”. Ainda que lamentando o desfecho dramático, diz que “a própria situação em si é um erro. Um animal possante não devia viver naquelas condições” – segundo os vizinhos, o cão raçado de leão-da-rodésia e pitbull “raramente saía de casa”, “pequena para um animal daquele porte”» («Fiscalização de cães perigosos é “mínima”», Joana de Belém, Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 14).

 

[Texto 2016]

Helder Guégués às 09:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Ago 12

Veio mesmo para ficar

Sem comentários, já disse

 

 

      «Um copo entornado e uma rapariga envolvida numa discussão entre dois grupos de jovens, um deles de origem africana e o outro de franceses, segundo apurou o DN, estão na origem de problemas iniciados no interior da discoteca Black Jack, localizada no Casino Vilamoura, no concelho de Loulé, ontem, por volta das 07.00 da manhã. Pouco depois, já na via pública, ocorreram agressões, tendo sido disparados dois tiros de caçadeira por um indivíduo saído de uma viatura, que acabou por atingir três pessoas. Em seguida, voltou a entrar na viatura, que se colocou em fuga» («Tiroteio começou com copo entornado na discoteca», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 17).

 

[Texto 2015]

Helder Guégués às 09:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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