30
Ago 12

Como se escreve nos jornais

«Ques» a mais

 

 

      «A investigação que levou a esta descoberta, que foi realizada por investigadores alemães, canadianos, americanos e italianos, e que foi coordenada por David Grimaldi, do Museu de História Natural de Nova Iorque, implicou a análise de mais de 70 mil gotas de âmbar com uma dimensão entre os dois e os seis milímetros, até que finalmente os investigadores puderam gritar eureka – quando deram com os insetos» («Insetos mais antigos de sempre em âmbar», Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 27).

 

[Texto 2021]

 

Helder Guégués às 09:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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30
Ago 12

«Zona-tampão»

Sendo assim

 

 

      «No dia em que os rebeldes afirmaram ter bombardeado, com dois tanques, o aeroporto militar de Taftanaz (entre Idleb e Alepo), destruindo cinco helicópteros, e a televisão do Estado garantiu que as forças armadas destruíram “os quartéis-generais dos líderes dos grupos terroristas nos bairros de Chaar e Sakhour”, o Presidente sírio reapareceu em público para reafirmar a vontade decidida de vencer os rebeldes. Bachar al-Assad admitiu, em entrevista à televisão privada Ad-Dounia [sic] (considerada como favorável ao regime), que a vitória levaria ainda algum tempo. De caminho, rejeitou a ideia (francesa) de criar zonas tampão para proteger os milhares de deslocados, em fuga desesperada dos combates constantes» («Assad rejeita zonas tampão», A. M., Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 26).

      Vasco Botelho de Amaral condenou esta expressão, mas, se se persiste em usá-la, pelo menos escreva-se correctamente: zona-tampão.

 

[Texto 2020]

Helder Guégués às 09:54 | comentar | favorito
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29
Ago 12
29
Ago 12

«Tratar-se de»

Já tínhamos saudades

 

 

      Jornalista João Fernando Ramos no Jornal da Tarde de ontem: «Os sítios de Internet de várias embaixadas portuguesas foram alvo de ataques de piratas informáticos. Foram atacadas as páginas das embaixadas da República Checa, Irão, Reino Unido, Alemanha, Moçambique e também Espanha. Segundo o sítio Websegura.net, trataram-se de dois ataques separados.»

 

[Texto 2019]

Helder Guégués às 07:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Ago 12

«Pára/para»

Vai demorar

 

 

      «Mas pára, de parar, passa a para com o novo AO?», perguntam-me de uma editora. Ainda vai passar muito tempo até que deixe de causar estranheza. Mas já há, como se sabe, quem tenha resolvido a questão de forma expedita: não segue esta regra do Acordo Ortográfico de 1990. É a ortografia democrática. Bem pode no texto do acordo argumentar-se que é assim por coerência com a abolição do acento gráfico já consagrada pelo Acordo Ortográfico de 1945 e que o contexto sintáctico permite distinguir claramente as homógrafas, neste caso pára/para. Certo é que não é raro ler-se nos jornais disparates como «páram» e semelhantes.

 

[Texto 2018]

Helder Guégués às 14:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Graus centígrados/Celsius»

Quem disse que isto já não se via?

 

 

      Então vejam: «María Bermúdez de Castro [sic], codiretor das escavações arqueológicas de Atapuerca, confirmou que entre os vestígios havia dentes de uma criança de seis anos. É impossível recolher amostras de ADN, já que os corpos terão sido queimados a mais de 800 graus centígrados, destruindo essas provas. A justiça pediu entretanto uma quarta perícia» («Polícia confundiu restos mortais de crianças com vestígios de roedores», Susana Salvador, Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 23).

 

[Texto 2017]

Helder Guégués às 10:04 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Incongruências

Têm de se entender

 

 

      «Uma mulher de 46 anos morreu na sexta-feira à noite em Matosinhos após ter sido atacada pelo cão do filho, um animal cruzado de pitbull e leão da Rodésia, duas raças consideradas perigosas e potencialmente perigosas na legislação nacional. Cabe ao Ministério Público abrir um inquérito para averiguar as circunstâncias, sendo que a legislação prevê responsabilidades criminais» («Dono de cão garante cumprir lei», Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 21).

      «Para que não haja dúvidas, explica: as pessoas “continuam a mantê-los por uma questão de status, independentemente das condições que tenham para lhes dar”. Ainda que lamentando o desfecho dramático, diz que “a própria situação em si é um erro. Um animal possante não devia viver naquelas condições” – segundo os vizinhos, o cão raçado de leão-da-rodésia e pitbull “raramente saía de casa”, “pequena para um animal daquele porte”» («Fiscalização de cães perigosos é “mínima”», Joana de Belém, Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 14).

 

[Texto 2016]

Helder Guégués às 09:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Ago 12

Veio mesmo para ficar

Sem comentários, já disse

 

 

      «Um copo entornado e uma rapariga envolvida numa discussão entre dois grupos de jovens, um deles de origem africana e o outro de franceses, segundo apurou o DN, estão na origem de problemas iniciados no interior da discoteca Black Jack, localizada no Casino Vilamoura, no concelho de Loulé, ontem, por volta das 07.00 da manhã. Pouco depois, já na via pública, ocorreram agressões, tendo sido disparados dois tiros de caçadeira por um indivíduo saído de uma viatura, que acabou por atingir três pessoas. Em seguida, voltou a entrar na viatura, que se colocou em fuga» («Tiroteio começou com copo entornado na discoteca», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 17).

 

[Texto 2015]

Helder Guégués às 09:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Ago 12

Veio para ficar

Sem comentários

 

 

      «Este formato documental está alicerçado em três componentes que se vão alternando entre si. A primeira vertente coloca atores a reviver os momentos-chave e as circunstâncias, a segunda vive das explicações em torno do episódio – o que pode ser feito com recurso a um narrador, a efeitos visuais e à colocação do apresentador no local atual onde decorreu o momento histórico – e a terceira coloca o anfitrião em interação com as personagens» («Luís Filipe Borges vai falar de história», Carla Bernardino, Diário de Notícias, 27.08.2012, p. 47).

 

[Texto 2014]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Ago 12

Léxico: «oralizar»

Também pode ser

 

 

      «Hoje, já não é assim. “Nota-se uma grande diferença: está bastante mais agradável”, avalia o residente na Margem Sul, enquanto equaciona experimentar um dos dez quiosques de restauração que ali abriram a 9 de junho e que são um autêntico ponto de encontro de sabores de vários pontos do mundo [...]. No espaço ladeado por centros comerciais, um hotel e um empreendimento da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) por concluir, são poucos os que acreditam ser necessário oralizar a diferença que todos veem» («Há uma nova vida no Martim Moniz», Inês Banha, Diário de Notícias, 27.08.2012, p. 28).

      Na acepção do artigo — exprimir oralmente, através de palavras —, é mais comum usar-se verbalizar, mas estão ambas correctas.

 

[Texto 2013]

Helder Guégués às 09:16 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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