02
Set 12

Ortografia: «Cuíto/Kuíto»

Quase sempre mal

 

 

      Na maioria das vezes que o leio, está escrito, incorrectamente, sem acento agudo. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que o vi escrito com c. Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, apenas o regista (na página 305), como seria de esperar, com c.

 

[Texto 2037]

Helder Guégués às 17:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Cancarã» ou «câncara»?

Coisas de além-mar

 

 

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «cancarã». O Dicionário Houaiss, «câncara». É a «esteira feita de canas inteiras de caniço que se usa para base da esteira de deitar ou para fazer divisórias, tectos e coberturas várias», diz o primeiro dicionário. O Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves não regista o termo. Como o não regista a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. As poucas vezes que o vi escrito — como agora mesmo na obra, de 1948, A Habitação Indígena na Guiné Portuguesa, de Avelino Teixeira da Mota e Mário Ventim Neves — foi com a grafia «câncara».

 

[Texto 2036]

Helder Guégués às 17:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

E há esses

 

 

      Não há, já aqui o escrevi, jornal em que se vejam tantas gralhas como no actual Diário de Notícias. Erros, é o que vamos vendo. E há ainda os erros que parecem gralhas, que passam bem por gralhas: «A nota explicativa é curta e não avança detalhes sobre quais são, efetivamente, os erros que estão na base da impossibilidade de disponibilizar o jornal aos leitores, mas advinha-se que serão de grande monta, pois na mesma nota é adiantado que a publicação do Libération só será retomada amanhã e remete os leitores para a página na Internet o acompanhamento da atualidade nacional e internacional» («Erro informático “grave” impede jornal francês de chegar às bancas», F. M., Diário de Notícias, 2.09.2012, p. 51).

 

[Texto 2035]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

E até aplauso

 

 

      O cardeal Carlo Maria Martini, arcebispo emérito de Milão, morreu na sexta-feira. Vai daí: «O óbito mereceu homenagem do Papa Bento XVI, que, num telegrama enviado ao cardeal de Milão, Angelo Scola, expressou o seu elogio à “intensa obra apostólica” de Martíni [sic], saudando o seu “serviço fervoroso à palavra de Deus”» («Cardeal que queria repensar alguns dogmas da Igreja», Diário de Notícias, 2.09.2012, p. 43).

 

[Texto 2034]

Helder Guégués às 09:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como já fala o povinho

Mais colocações

 

 

      «“Todos colaboramos com elas. A terra só tem idosos. Somos a geração dos 380 euros, pois é esta a reforma que quase todos recebemos depois de uma vida de trabalho. As meninas conseguem dinamizar a aldeia não só porque nos colocam desafios, mas porque trazem centenas de pessoas à terra”, opina Eduardo, no ritual de levar as vacas ao bebedouro. “É nosso objetivo recuperar tudo o que for possível”, diz Ana ao DN» («Quando as “pessoas da cidade” vão à aldeia aprender as tradições», José António Cardoso, Diário de Notícias, 2.09.2012, p. 20).

      Nos colocam desafios... Já puseram o bom povinho a falar como eles, nesta mais eficaz campanha de alfabetização. Está tudo derrancado.

 

[Texto 2033]

Helder Guégués às 08:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Set 12

Como se escreve nos jornais

Uma espécie de preservativos

 

 

      «Os aldeões de sempre, parte integrante do projeto, aplaudem e contam como as suas vidas mudaram com “as meninas” da Aldeia. “São extraordinárias”, diz Eduardo Pires, 69 anos. Depois de anos como produtor de trigo e centeio, dedica-se agora aos vários workshops criados por Ana e Isabel. “Por causa delas comprei cinco cabeças de gado bovino e agora já tenho dez. Vem gente de todo o País para me ajudar a mudar-lhe “a cama” e levá-los a beber no bebedouro da aldeia”, diz orgulhoso» («Quando as “pessoas da cidade” vão à aldeia aprender as tradições», José António Cardoso, Diário de Notícias, 2.09.2012, p. 20).

      Os jornalistas não podem ver um sentido figurado, pespegam-lhe logo com as aspas, uma espécie de preservativo. Devem ter aprendido isto nas boas escolas de Jornalismo.

 

[Texto 2032]

 

Helder Guégués às 08:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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