10
Set 12

Uso de termos estrangeiros

O leitor é inteligente

 

 

      «Em sinal de boas-vindas, receberam-na com uma lei havaiana, cordão que rapidamente Mio pôs ao pescoço» («Conhecer novas culturas sem sair de Portugal», Gina Pereira, Jornal de Notícias, 10.09.2012, p. 23).

      Uma adolescente japonesa de 15 anos, num programa de intercâmbio, recebida com uma lei havaiana... Ora esta! Se o desgraçado do leitor não souber que na língua havaiana lei é o colar ou grinalda de flores que se oferece aos visitantes na chegada e na partida, como símbolo de afeição, não vai perceber patavina. Só o uso do itálico ou das aspas já despertava a atenção do leitor, precaução mínima para obviar equívocos.

 

[Texto 2082]

Helder Guégués às 15:59 | comentar | favorito

Léxico: «fanfar»

Mas este está

 

 

      «Claro que é e veja que ainda hoje há o jogo do pau. Mas mesmo com o monumento distante do tribunal, com Fafe ninguém fanfe, como diz a inscrição na estátua. É por isso que lhe queremos dar mais dignidade, porque o pau é muito típico por cá. No século passado era muito utilizado pelos agricultores nas feiras. Uns para conduzir o gado, outros para se apoiarem, até quando já estavam com os copos e outros como arma de defesa. As discussões acabavam muitas vezes à paulada entre as pessoas. Sempre era melhor do que as pistolas usadas hoje» (presidente da Câmara Municipal de Fafe, José Ribeiro, em entrevista a Roberto Dores. «“Mesmo com o monumento distante do tribunal, com Fafe ninguém fanfe”», Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 22).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe o verbo fanfar: fanfarrear; bazofiar; gabar-se; bater. No Glossário Sucinto para Melhor Compreensão de Aquilino Ribeiro, de Elviro da Rocha Gomes, também o encontramos: «responder insolentemente, fanfarrear».

 

[Texto 2081]

Helder Guégués às 11:27 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «rusga»

Nada de polícias

 

 

      «A organização das Feiras Novas, que hoje terminam e encerram o ciclo das grandes romarias do Alto Minho, estima que cerca de meio milhão de forasteiros tenha passado por Ponte de Lima. Rusgas com mais de 400 cantadores ao desafio e tocadores de concertina foi um dos pontos de destaque, desde a noite de sábado até ao nascer do sol de ontem, juntando cantadores e tocadores profissionais a muitos outros que vão aderindo à festa de uma forma espontânea. A Feira do Gado e os concursos pecuários são também “números” obrigatórios da festa, envolvendo mais de meio milhar de cabeças de gado e dezenas de produtores. Hoje será a procissão e outras cerimónias religiosas. As Feiras Novas foram criadas pelo Rei D. Pedro IV, por provisão de 5 de maio de 1826, há 181 anos» («Feiras Novas encerram ciclo de romarias», Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 23).

      Neste caso, como é óbvio, não é a operação policial ou militar, antes sinónimo de tocata.

 

[Texto 2080]

Helder Guégués às 11:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O desgraçado verbo «haver»

Nem os ministros sabem

 

 

      «O ministro dos Negócios Estrangeiros português anunciou ontem que o Governo venezuelano desbloqueou o equivalente a 50 milhões de euros para pagar dívidas a empresas portuguesas. Paulo Portas, citado pela Lusa, falava no fim da 7. ª reunião da Comissão de Acompanhamento Bilateral Portugal/Venezuela. “Havia cerca de 50 milhões de euros que estavam pendentes e foram desbloqueados” para pagamentos a empresas lusas, nomeadamente das “áreas agroalimentar, conservas e medicamentos”, indicou Portas, adiantando: “Para as empresas portuguesas que fazem vendas para a Venezuela é muito importante neste momento não haverem muitos atrasos nos pagamentos.” “Estes pagamentos ficaram, graças a Deus, resolvidos com muito espírito entre as duas partes”, acrescentou» («Chávez paga 50 milhões a empresas portuguesas», Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 13).

      Erro é erro, mas ainda bem que Paulo Portas não é ministro da Educação. Pelo menos isso.

 

[Texto 2079]

 

Helder Guégués às 11:21 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Panoias

Alguém lhes explica?

 

 

      «Cinco pessoas sofreram ontem ferimentos ligeiros na sequência de um choque em cadeia que envolveu cinco viaturas ligeiras no IC1, na zona de Ourique. O acidente ocorreu às 15.39, junto à localidade de Panoias. Os cinco feridos receberam tratamento no local, uma vez que apresentavam apenas “escoriações”, acrescentou fonte dos bombeiros» («Choque em cadeia causa cinco feridos», Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 23).

      Era bom que percebessem que, segundo o Acordo Ortográfico de 1990, que adoptaram, também se passou a escrever Saboia. Mas não há meio.

 

[Texto 2078]

Helder Guégués às 11:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Os Ianomâmis

Erros e ausências

 

 

      «Segundo um grupo de representantes dos yanomami, o massacre terá sido levada [sic] a cabo por garimpeiros brasileiros, que utilizaram um helicóptero para passar a fronteira e investir contra os índios» («Massacre de índios», Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 10).

      Em alguma imprensa brasileira, podemos ler «os ianomâmis». Cá, vai-se quase sempre pelo caminho errado. E os nossos dicionários também não ajudam. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista o termo. Já o Dicionário Houaiss, por sua vez, diz que Ianomâmis é um substantivo masculino plural.

 

[Texto 2077]

Helder Guégués às 11:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Vladivostoque

Um retrocesso

 

 

      «“Não faz sentido passar uma resolução sem consequências porque, como já vimos muitas vezes, Bachar al-Assad vai ignorar e continuar a atacar o seu próprio povo”, afirmou ontem a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, à margem do Fórum de Cooperação Económico Ásia-Pacífico, que decorreu durante o fim de semana na cidade russa de Vladivostok» («Proposta russa para a Síria vetada por Clinton», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 24).

      Um retrocesso, evidentemente, já que de quando em quando escrevem Vladivostoque: «Se Alexandre III promoveu a construção do expresso Transiberiano (em 1981, para ligar os 9289 km que separam Moscovo de Vladivostoque), já Estaline aproximou a Sibéria de Moscovo, deportando milhões de cidadãos em vagões de carga» («Rússia cresce depois de erupção vulcânica», Bruno Abreu, Diário de Notícias, 20.11.2009, p. 34).

 

[Texto 2076] 

Helder Guégués às 11:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «motobomba»

A persistência do erro

 

 

      «Na noite da tragédia, as informações prestadas pelas autoridades e por populares indicavam terem sido informados pelo proprietário da quinta de que os trabalhadores teriam levado para o poço uma moto-bomba, que teria provocado a intoxicação. “Mentira”, afirma Manuel Martins, garantindo que “no fundo do poço não estava qualquer motor ou bomba e o gás tóxico vinha da mina, lateral, ao fundo do poço”» («“Ainda estou em choque, não sei como saí dali vivo”», José António Cardoso, Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 19).

 

[Texto 2075] 

Helder Guégués às 11:10 | comentar | favorito
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10
Set 12

«Espoletar»

Não é necessário

 

 

      «O visconde, deputado nas Cortes, ter-se-á atrasado para um sessão do órgão monárquico, tendo sido censurado por um marquês, que lhe chamou “cão tinhoso”. Irritado com a situação, o visconde foi tirar satisfações com o marquês. Este último não gostou da atitude e atirou-lhe as luvas ao rosto. A reação provocatória e a ausência de desculpas espolotou um duelo» («Mudança da estátua da Justiça de Fafe não reúne consenso», Cynthia Valente, Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 22).

      Abstraindo do erro ortográfico — é linguagem bélica, mesmo que em sentido figurado, escusada. Há alternativas.

 

[Texto 2074]

Helder Guégués às 11:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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