23
Set 12

Léxico: «pica»

És bom

 

 

      Ando a ouvir com alguma frequência o termo «pica», da gíria. Andarei em sítios mal frequentados? Nãããã. Lembram-se da entrevista de Cristiano Ronaldo no dia 8 de Junho ao programa Alta Definição, da SIC? Não? Nem eu. Mas leiam a penúltima resposta do capitão da selecção: «Que dizem os meus olhos? Que gostei de falar contigo, és pica na tua área, e que quero ser feliz, que tu sejas feliz e que todos os portugueses sejam felizes e boas energias.» Nem os dicionários mais espevitadotes a registam. Amanhã, quem sabe.

 

[Texto 2136]

Helder Guégués às 17:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Consolidação de incêndio»

Já não chega

 

 

      Repórter Ana Sofia Rodrigues sobre o incêndio do Retail Park de Portimão: «Neste momento, os bombeiros estão a fazer a consolidação deste incêndio, ou seja, nas zonas onde ainda há algumas chamas, estão a extinguir o fogo, noutras zonas estão já a fazer o rescaldo deste incêndio» (noticiário das 9 da manhã na Antena 1). Lá vem mais outro conceito: consolidação de um incêndio. E eu, ingénuo, a pensar que rescaldo servia para dizer o mesmo. Em compensação, ultimamente têm-se esquecido um pouco das «ignições».

 

[Texto 2135]

Helder Guégués às 11:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Modulação»? Ou «modelação»?

Serve sempre, se não se pensar

 

 

      E agora, por ter lido «modulação de voz», lembrei-me da crónica de Ferreira Fernandes na edição de hoje do Diário de Notícias. Ei-la:

      «Por estes dias demo-nos conta do nascimento de uma (enfim, duas) palavra oficial, rapidamente caída no goto de políticos, jornalistas e comentadores, tão nebulosa como devem ser as palavras oficiais mas, esta, com uma cândida confissão. Era tão sem nada para dizer que nem era uma, mas duas: ora modelação, ora modulação, e dizia-se uma delas ao calha. Uma ou outra foi dita por Passos Coelho quando, os acontecimentos obrigando-o a arrepiar caminho, ele afirmou que poderia mudar a sua proposta da TSU. Mas disse ele “modelação”? Isto é, tornear, ajustar... Ou ele disse “modulação”? Isto é, passar o canto ou a harmonia para um tom diferente... A primeira hipótese é verosímil, própria do jogo de cintura de qualquer político; mas a segunda também é, vinda de Passos Coelho, que não destoa ao cantar “chamava-se Nini/vestia de organdi”. O uso da palavra inócua não teria interesse, não fosse sindicalistas e políticos, na esteira do primeiro-ministro, passarem a citá-la como crucial. Tão decisiva que uns diziam “modelação” e outros “modulação”... E os jornalistas faziam-lhes eco, ora modelando, ora modulando. Paulo Pinto, professor da Universidade Católica, propôs no blogue Jugular uma palavra nova: “mudlar”, a síncope do “e” ou do “u” poupando-nos esta vergonha. Esta. Para as outras, nascidas do mesmo vício, fica a mezinha tradicional. De cada vez que falarmos, pôr esta dúvida: de que estamos a falar quando estamos a falar?» («Diz lá qualquer coisa que serve», p. 56).

 

 

[Texto 2134]

Helder Guégués às 11:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «(t)chau»

Então adeus

 

 

      Há dois temas sempre polémicos: o da pronúncia e o do gosto. Ambos se discutem, e muito. Por exemplo, não me imagino jamais a usar, para me despedir de alguém, um «chau» ou «tchau». Seria, para mim, quase como abdicar da minha personalidade. Para agravar esse ódio de estimação, acabei de o ver escrito «xau». Não deixam de me surpreender, os meus semelhantes (para usar uma expressão muito empregada pelo actor Ruy de Carvalho. Ah, sim, o i grego: peçam-lhe que abdique dele, vá lá).

 

[Texto 2133]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Mal vindimado

 

 

      «Assunção Cristas pegou na tesoura e no balde e foi cortar uvas numa vindima no Douro, para mostrar que está atenta às dificuldades que afetam a viticultura duriense. [...] No meio do valado, Assunção Cristas pegou na tesoura e no balde e lá mostrou que já sabe cortar uvas. Mas não evitou colher, mais tarde, um coro de protestos: 20 viticultores forçaram a entrada no Solar do Vinho do Porto, na Régua, na tentativa de falarem com a ministra da Agricultura, que ainda não tinha chegado ao espaço» («Ministra foi à vindima mas colheu coro de protestos», Diário de Notícias, 23.09.2012, p. 34).

      «Cortar uvas»?! Só um citadino, pouco lido e completamente desatento ao que se diz, é que pode escrever isto. E em relação a valado também tenho dúvidas. Valado é a vala, sebe ou elevação de terra que cerca uma propriedade. Era isso que o jornalista queria escrever?

 

[Texto 2132]

Helder Guégués às 10:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Antuérpia e não Amberes

Agora em espanhol, é?

 

 

      «O Governo belga está a estudar a possibilidade de vir a criar uma prisão flutuante no porto de Amberes e assim contornar o problema de sobrelotação das instituições prisionais. A ministra da Justiça belga, Annemie Turtelboom, disse que a ideia de construir “barcos-prisão” pode estender-se a outros pontos do país. Turtelboom lembrou que na Holanda já foram desenvolvidos projetos semelhantes» («Bélgica pode criar prisão flutuante», Diário de Notícias, 23.09.2012, p. 27).

 

[Texto 2131]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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23
Set 12

Andam a pesquisar

Ficamos tontos

 

 

  1. «Para já, mostra apenas o protótipo em acrílico e as imagens em PowerPoint que convenceram os investigadores, não tendo ainda testado a invenção, que garante possuir “múltiplas aplicações”» («Um motor que consome metade do gasóleo», Roberto Dores, Diário de Notícias, 23.09.2012, p. 30);
  2. «Num livro escrito por Paul Fletcher, antigo dirigente do Burnley, o autor conta que o clube da II Liga inglesa, e que em 2010 jogou no escalão principal, esteve perto de ser treinado por André Villas-Boas. “O seu [de Villas-Boas] currículo e apresentação em powerpoint eram incríveis» («Vilas-Boas e o leiteiro», O. M., Diário de Notícias, 8.09.2012, p. 35);
  3. «A receita da deslocação foi aliar a teoria, dando oportunidade aos responsáveis locais para exposições em power point da obra feita em matéria de apoio social, à prática, com visitas a duas aldeias onde os exemplos são positivos» («Cavaco Silva na descida aos País: “Sou um ouvidor”», Maria Henrique Espada, 30.05.2006, p. 2).

 

[Texto 2130]

Helder Guégués às 10:12 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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