24
Set 12

Ficou «recauchutagem»

Não muito diferente

 

 

      «Recauchuamento. — Mandam-nos um prospecto de certa oficina que existe no Pôrto e onde se consertam as rodas de borracha dos automóveis. Tem um nome estupendo: Fábrica de recaoutchoutagem de pneus. O remetente pregunta, a lápis: ¿Que língua é esta?... Não pode haver dúvidas: rechaoutchoutagem só tem de português o m final. O resto é índio-americano-francês-indecente-grotesco» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Língua Portuguesa, e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, 1938, p. 261).

      Sem paninhos quentes, estão a ver? «O resto é índio-americano-francês-indecente-grotesco.» E estão também a ver que o homem escrevia como o amigo Botelho de Amaral? «Pregunta».

 

[Texto 2141]

 

Helder Guégués às 16:25 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Sobre «tatuagem»

Segundo o Jakarta Globe...

 

 

      «Esta arte praticada no corpo era comum nas ilhas do Pacífico Sul, como as Cook, Tonga, Tahiti ou Samoa, antes da chegada dos missionários ocidentais no século XIX. A palavra “tatuagem” deriva, aliás, da palavra tahitiana “Tatau”, que significa marcar ou desenhar» («Tatuagem à reconquista dos arquipélagos do Pacífico Sul», Neil Sands, Diário de Notícias, 24.09.2012, p. 25).

      É verdade, mas a nós chegou-nos através da língua francesa. E porquê «Tatau» com maiúscula? Neil Sands escreveu: «Body art was common in South Pacific nations such as the Cooks, Tonga, Tahiti and Samoa before missionaries arrived in the 19th Century – so much so that the English word tattoo is derived from the Polynesian terms “tatau” and “tatatau”.» E não era para terem escrito Taiti e taitiana? Era, claro.

 

[Texto 2140]

Helder Guégués às 15:41 | comentar | favorito
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Hesitações ortográficas

Eu lembro-me

 

 

      «Cerca de três mil ofertas de géneros alimentares e produtos de higiene foram recolhidas na campanha de sábado da Cáritas Diocesana de Coimbra e vão agora beneficiar os utentes do Centro de Apoio Social (CAS) da instituição» («Cáritas angaria 3000 donativos de bens alimentares», Diário de Notícias, 24.09.2012, p. 22).

      Mas não escreviam «Caritas»? Escreviam pois, que eu lembro-me: «Pedidos de ajuda à Caritas crescem 40% com regras nos apoios sociais» (Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 16.02.2011, p. 16). «A guerra tribal entre os grupos Dani e Damal, nas terras altas do Irião Ocidental (a parte indonésia da Nova Guiné), mantém a memória viva — e traduziu-se num morto e 25 feridos, segundo a Caritas» («O homem primitivo ontem, hoje e amanhã», António Pedro Pereira, Diário de Notícias/DN Gente, 9.1.2010, p. 20).

 

[Texto 2139]

Helder Guégués às 15:12 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Trapalhada

 

 

      «O Tribunal da Relação do Porto absolveu um pescador de Vila do Conde detido pela PSP por andar na rua com uma faca de cozinha num coldre, alegadamente para “tirar desforço” dos homens que o tinham assaltado» («Absolvido o pescador que queria vingar-se de ladrões», Diário de Notícias, 24.09.2012, p. 20). É notícia que está em todos os meios de comunicação, porque é da Lusa. Aquele «tirar desforço», correctíssimo, vê-se logo que foi da pena de um juiz que saiu.

      A redacção da notícia, porém, não é a mais clara. Ora vejam: «Em causa uma faca de cozinha, sem marca, com 19 centímetros de lâmina metálica e com cabo, de plástico, com 10 centímetros.» E, no último parágrafo, lê-se isto: «Condenado em primeira instância, o pescador recorreu para a Relação, que, por acórdão a que a Lusa teve acesso, o absolveu, considerando que não há crime porque não se trata de uma arma “sem aplicação definida”.» Quem não sabe que se deve preferir sempre a frase afirmativa? E depois ainda alguns jornalistas me escrevem a dizer que lhes custa ver a facilidade com que as críticas são feitas. Pois, pois.

 

[Texto 2138] 

Helder Guégués às 11:01 | comentar | favorito
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24
Set 12

Realocar, relocalizar...

Mais ou menos isso

 

 

      Repórter Ana Sofia Rodrigues sobre o incêndio no Retail Park de Portimão, no Jornal da Tarde de ontem: «Por exemplo, do Continente. Eles vieram já garantir em comunicado que os 120 postos de trabalho estão garantidos, que essas pessoas vão ser relocalizadas para outras lojas desta empresa.» (Garantir que estão garantidos...) É qualquer coisa assim, porque no Diário de Notícias de hoje podemos ler: «Os 120 trabalhadores da unidade do Continente vão ser todos realocados, garantiu ontem a rede de hipermercados do grupo Sonae» («Chamas deflagraram meia hora antes de ser dado o alerta», José Manuel Oliveira, p. 18). Faz lembrar a inépcia da modulação, modelação, mod...

 

[Texto 2137]

Helder Guégués às 10:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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