09
Out 12

«White cube»

Cubo branco

 

 

      Vou ter a coragem de ser humilde e admitir: eu não sabia o que era o white cube. Meu Deus. Quer dizer, literalmente, sabia o que era. No âmbito das artes plásticas, porém, remete para o conceito que designa a sala de exposição branca e neutra, cubo branco, onde até as cartelas das obras expostas escasseiam. Mas tem mesmo de estar em inglês?

 

[Texto 2186]

Helder Guégués às 16:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Sobre «demão»

Sinónimo de «ajuda»

 

 

      Sim, «demão» também significa «ajuda». É verdade que as acepções mais usadas e conhecidas são outras: camada de tinta, cal, etc., que se aplica numa superfície e cada uma das vezes que se retoma um trabalho ou um assunto.

      «Aliás, não fosse querer dar uma demão na venda dos livros ao velho camarada e grande amigo Alberto Pratas e Isidro Pacheco que aquele lançamento promovera, não estaria ali» (O Autógrafo, Dias de Melo. Lisboa: Edições Salamandra, 1999, p. 77).

 

[Texto 2185]

Helder Guégués às 10:38 | comentar | favorito
Etiquetas:

Baiona

Mas a memória

 

 

      «Aquilino Ribeiro Machado, que nasceu em Baiona, a cidade do Sul de França onde os pais estavam exilados, a 6 de abril de 1930, vivendo de seguida em Vigo e em Tuy (até o autor de Quando os Lobos Uivam regressar a Portugal, em 1932), licenciou-se em Engenharia Civil e começou a trabalhar na autarquia lisboeta em 1956, passando a diretor de serviços do Gabinete de Estudos e Planeamento do Fundo de Fomento da Habitação em 1969» («Primeiro presidente de Lisboa eleito depois do 25 e Abril», Diário de Notícias, 9.10.2012, p. 24).

      Muito bem — o pior é que se vão esquecer de que escreveram desta forma. Aliás, quase sempre escrevem Bayonne, como nesta notícia de Maio: «Há duas semanas, Valls [ministro do Interior francês], nascido em Espanha e naturalizado francêrs [sic], qualificou a ETA de “terrorista”, mostrando que a mudança política em França não altera este ponto. Oroitz Gurruchaga Gogorza e o seu número dois, Xabier Aramburu, estão em prisão preventiva em Bayonne» («Ministro francês em Madrid após prisão de etarras», Diário de Notícias, 29.05.2012, p. 29).

 

[Texto 2184] 

Helder Guégués às 09:32 | comentar | favorito
Etiquetas:

«Dengue» é do género feminino

Dêem-lhes uso

 

 

      Jornalista Filipe Gonçalves, no Telejornal de ontem: «A noite cai em Santa Luzia e a calma contrasta com a agitação causada pelo mosquito. Foi nesta zona que em 2005 apareceram os primeiros casos. Agora é o dengue que tira o sono a muitos residentes.»

      E se os jornalistas consultassem mais amiúde os dicionários, não seria bom? A palavra «dengue», na acepção da doença infecciosa, é do género feminino. Só do género feminino.

 

[Texto 2183]

Helder Guégués às 06:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
09
Out 12

«Tratar-se de»

É disso que se trata

 

 

      Jornalista João Botas, no Telejornal de ontem: «Nas últimas décadas, as investigações de dois cientistas, um britânico e um japonês, provaram que também as células maduras podem ser reprogramadas e passarem a funcionar como se de células estaminais se tratassem

      Os leitores já não se satisfazem com questões formais, e por isso aqui fica uma substancial. A construção tratar-se de é impessoal, pelo que apenas se conjuga na terceira pessoa do singular. Erro é erro, mas, se é difundido pela comunicação social, é mais grave. E é menos desculpável se quem o dá é jornalista, como é o caso.

 

[Texto 2182]

Helder Guégués às 06:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: