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Out 12

Léxico: «Mindanaus»

Deixou de se ver

 

 

      De dicionário para dicionário, já o comprovámos mais de uma vez, consoante nos aproximamos da actualidade, inúmeros verbetes deixam de ser registados. Mindanaus, por exemplo, gentílico que se lê na obra do P. António Vieira e na Peregrinação de Mendes Pinto, deixou de estar nos dicionários. O Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo (Lisboa: Livraria Bertrand, 1945, 10.ª ed.) ainda o regista. «Mindanaus, m. pl. Habitantes de Mindanau.»

 

[Texto 2202]

Helder Guégués às 22:55 | comentar | favorito
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«Uma das top model»?!

Esta não anda

 

 

      «Namorar com uma das top model mais aclamadas dos últimos tempos parece não ser o suficiente para o craque da bola. De acordo com informações publicadas na última edição da revista italiana Novella 2000, Cristiano Ronaldo teria tentado uma aproximação com a namorada de Boateng» («Ronaldo troca mensagens com noiva de Boateng», Nuno Cardoso, Diário de Notícias, 13.10.2012, p. 53).

      Agora já não fazem a concordância em nenhuma língua, nem em português nem em inglês. Então não é «uma das top models»? Tão mal andamos?

 

[Texto 2201]

Helder Guégués às 10:56 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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O império da informática

Esta não morde

 

 

      «Os jornalistas sabem disto. Sabem-no. Infelizmente, esta terrível crise apanhou o sector dos media em aflição. Resultado: é aproveitar o soundbyte a cada oportunidade. E, portanto, aí vamos nós, sensacionalismo fora, justiceirismo atrás de justiceirismo, incendiando os ânimos» («Tempos terríveis», Joel Neto, Diário de Notícias, 13.10.2012, p. 52).

      Já vimos que é sound bite ou soundbite que se escreve, não sound byte. E «media» — sem acento, sem itálico, sem aspas — arrasa-me os nervos. Ter-se-ão os leitores já habituado? É o que vamos saber.

 

[Texto 2200]

Helder Guégués às 10:21 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Ora esta

 

 

      «No total, foram exibidas mais de cem fotografias durante a audição do detetive Ricardo Yanes, um dos elementos da Polícia de Nova Iorque responsáveis pelo processamento do local do crime. O corpo estava posicionado no canto do quarto, junto à janela, completamente nu, de barriga virada para cima. O seu rosto estava inchado, todo negro e vermelho, com uma enorme ferida na parte superior da cabeça, que deixava ver o branco do crânio, e duas chagas no lugar dos olhos» («Fotos exibidas em tribunal mostram horror na morte de Carlos Castro», Alexandre Soares, Diário de Notícias, 13.10.2012, p. 22).

      Já todos tínhamos ouvido falar em processamento de salsichas, por exemplo, nunca do local de um crime.

 

[Texto 2199]

Helder Guégués às 09:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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13
Out 12

Infinitivo pessoal

Resta a eufonia, a música interior

 

 

      «Também Garrett era muito bom estilista, e aqui temos, no Frei Luís de Sousa: “Vai e deixa-te lá estar até veres chegar o bergantim.” Ver chegar era bastante para a clareza. Mais ênfase em veres do que em ver, não se lobriga. Resta a eufonia, a música interior: com veres cortou-se a série estar-ver-chegar. Seria isto?... Ao certo não sabemos nada, por muitas regras que a Gramática nos dê» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Língua Portuguesa, e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, 1938, p. 149).

 

[Texto 2198]

Helder Guégués às 07:47 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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