20
Out 12

Condicional composto

Teria feito, sim

 

 

      «Em tempo: a frase “[Vasco] Cordeiro, que a última sondagem publicada favorece” é… referência a sondagem. Em dia de reflexão, tem efeito de propaganda, mesmo que não desejado. Se o DN tivesse estado calado faria melhor» («Respeitar o dia de o eleitor pensar pela sua cabeça», Oscar Mascarenhas, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 47).

      A forma composta do condicional (teria feito) não se emprega para indicar um facto que teria acontecido no passado sob certa condição? Se o DN tivesse estado calado, teria feito melhor. O DN teria feito melhor se tivesse estado calado. No outro lado do Atlântico, chamam futuro do pretérito ao condicional, sabiam?

 

[Texto 2230]

Helder Guégués às 22:53 | comentar | ver comentários (26) | favorito
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Uso do itálico

Guardem-no para outras

 

 

      «Portanto, a indignação que se apodera das redes sociais não é contra um programa que mostre um concorrente a snifar coca, perdão Betadine, às escondidas. A indignação que se apodera das redes sociais é contra um possível favorecimento da apresentadora desse programa a determinados concorrentes. Para a coca e o voyeurismo da TV sobre ela o que é guardado é, pura e simplesmente, a curiosidade» («Desabafo mensal», Joel Neto, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 44).

      Se são ambas palavras portuguesas — passaram a ser —, não vejo para que serve o itálico.

 

[Texto 2229]

Helder Guégués às 22:30 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «tapa»

Prefiro as espanholas

 

 

      «Sem imagens captadas pelos repórteres fotográficos da casa, e sem poderem recorrer aos serviços da agência Lusa (que cumpria ontem o segundo de quatro dias de greve), a mesma fonte conta como se preencheram os espaços em branco do Público de hoje. “Provavelmente vai ser usada publicidade da casa, os chamados ‘tapas’ e, possivelmente, terá um número reduzido de páginas”» («Jornal que sai hoje foi feito por 25 pessoas», A. F. S. e R. C., Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 40).

 

[Texto 2228]

Helder Guégués às 22:26 | comentar | favorito
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Só inglês

Justamente

 

 

      «Para Hélio Martins (agência Just), modelo há seis anos, licenciado em Educação Física e Desporto, ser modelo é uma “profissão com regras e obrigações como qualquer outra”. Pratica desporto regularmente, alimenta-se adequadamente, hidrata a pele diariamente, tem cuidados acrescidos com as mãos e os pés. “Nunca sabemos quando o nosso booker nos vai ligar a dizer que temos uma shooting, um desfile, logo temos de estar prontos a ir trabalhar”» («Os cuidados essenciais para um corpo quase perfeito», Catarina Vasques Rito, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 40).

      Não há palavras portuguesas para dizer o mesmo, querem ver? Mas tem de ser, não é assim?

 

[Texto 2227]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«No Sabugal»

E todavia

 

 

      «Havia uma palavra que o fascinava. Talvez pela suavidade do som, porque nos poetas o vocábulo é sua forma de música. Palavra, à primeira vista, aparentemente banal, comum, vazia por dentro, sem ramos como a palavra “árvore” tem. A palavra que Manuel António Pina afagava, como se fosse um dos seus imensos gatos, era “todavia”» («Poeta e cronista da palavra original e irreverente», Francisco Mangas, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 38). E é uma boa palavra, pois com certeza. Todavia, nos tempos que correm, a preferência vai para «porém».

      E depois: «Com outras palavras, com a mesma singeleza, lega-nos uma obra múltipla e admirável. “A poesia vai acabar”, escreveu um dia, os poetas deviam ocupar “lugares mais úteis”. [...] Manuel António Pina nasceu em Sabugal, a 18 de novembro de 1943» (idem, ibidem). Sempre ouvi — e a quem mora por ali perto — «o Sabugal», «no Sabugal», etc. A última vez foi no dia 6 do corrente, em Belmonte.

 

[Texto 2226]

Helder Guégués às 22:14 | comentar | favorito
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«À vista desarmada/a olho nu»

E com aspas... Safa!

 

 

      «A proteção especial sugerida pela ARH visava evitar o impacte do estacionamento continuado na degradação ainda mais acelerada dos muros. Foi há um ano. Certo é que nem condutores nem as autoridades estão a cumprir as normas impostas. As anomalias são visíveis “a olho nu”: grandes fendas nos muros, desnivelamento de passeios, pavimento irregular» («Excesso de areia no Mondego ameaça muros ao longo do rio», Paula Carmo, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 19).

      «Quando se detetam gases como metano ou o etano num determinado ambiente, não é possível perceber à vista desarmada se eles foram produzidos por organismos vivos, ou se resultam simplesmente de processos geológicos» («Do Alentejo para Marte», Filomena Naves, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 33).

      E ambas na mesma edição. Já aqui vimos o que é nosso e o que foi emprestado. Emprestado a quem não precisava.

 

[Texto 2225]

Helder Guégués às 21:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Desmazelo

 

 

      «O rio [Mondego] tem 234 metros de extensão mas é na cidade de Coimbra que o perigo das suas águas volta à ordem do dia. “O assoreamento, que prejudica a prática de desportos náuticos, a navegabilidade do barco turístico [“Basófias”] e está a provocar danos nos muros, é um problema grave” admite ao DN o atual presidente da Câmara Municipal de Coimbra. “Não podemos deixar que aconteça uma desgraça em Coimbra”, alerta» («Excesso de areia no Mondego ameaça muros ao longo do rio», Paula Carmo, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 19).

      É verdade que há, com espanto o comprovo, algumas divergências sobre a extensão do rio Mondego, mas, ao que sei, ninguém jamais afirmou que era de 234 metros. Uma releitura a tudo o que escrevem não faria mal.

 

[Texto 2224]

Helder Guégués às 21:51 | comentar | favorito
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Tudo é possível dizer

Não é assim?

 

 

      Tudo (ou quase...) é possível dizer nesta língua, por mais intricado: «Advertiu Angelino em que Preciosa chorava, e ela, que no seu reparo fez advertência, lhe disse» (Alegoria Sagrada intitulada a Precioza. Em que se descreve, com rara, e singular elegancia, a peregrinação da alma nesta vida, para a eterna. Escrita pela muyto Religioza Senhora Jozefa Téreza dos Serafins. Monja Cisterciense, em o Real Mosteyro de Odivelas. 1722, mss., 454 pp., 23 caps. ANTT: Manuscritos da Livraria, 2038).

 

[Texto 2223]

Helder Guégués às 11:46 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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20
Out 12

Não é «beneficiência»

Que lhe chegue a notícia

 

 

      Jornalista Fátima Marques Faria às 20h42 no Telejornal de ontem: «Ironia, humor e sentido de autocrítica. Este foi o menu principal de um jantar de beneficiência que ontem à noite juntou Barack Obama e Mitt Romney à mesma mesa.»

      Não está no Prontuário Sonoro este erro de todos os dias? Devia estar. Vou sugerir que o incluam.

 

[Texto 2222]

Helder Guégués às 07:37 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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