28
Out 12

Verbo «intervir»

Até nisto erram

 

 

      «O Governo alemão já interviu nesta matéria e aprovou um projeto de lei que obriga o Google, bem como outros agregadores de notícias, a pagar uma taxa por indexar conteúdos de sites de informação profissionais alemães. A proposta, que aguarda aprovação parlamentar, visa garantir que os media recebam parte do lucro gerado pelo gigante norte-americano em publicidade» («Governo quer que o lucro seja repartido», Diário de Notícias, 28.10.2012, p. 43).

      Já o escrevi uma vez, mas volto a escrevê-lo: na oralidade, e proferido por um analfabeto, admito; um jornalista não tem qualquer desculpa para conjugar desta forma o verbo «intervir».

 

[Texto 2259]

Helder Guégués às 15:52 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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28
Out 12

Acordo Ortográfico revisto

Já que falamos nisso

 

 

      «O meu trabalho consiste, em suma, na revisão de traduções do Inglês para o Português de manuais de instruções e interfaces do utilizador de equipamento médico. [...] O que me chega às mãos está 90% das vezes muito longe do nível de qualidade que seria de esperar para qualquer tradução, quanto mais para traduções nesta área. Os exemplos são infindáveis, mas escolhi um que servirá para demonstrar aquilo de que falo. Na tradução do manual de um ventilador, feita por um tradutor brasileiro, lê-se:

     “Usar o ventilador de maneira diferente como foi instruída pode causar danos ao digitalizar de RM.”

      Uma tradução correcta do original em Inglês poderia ser assim:

      “A utilização do ventilador de maneira diferente da que foi indicada nas instruções, pode causar danos ao aparelho de RM (ressonância magnética).”» («O Acordo Ortográfico e a tradução para português», Paula Blank, Público, 28.10.2012, p. 56).

      Tudo verdades: a sintaxe e parte do léxico do Brasil são estranhas para nós. Contudo, nunca se diz isto demasiadas vezes, um acordo ortográfico não serve para eliminar essas diferenças. Aliás, com este acordo, nem sequer o que seria de esperar que fosse uniformizado o foi. E já que o texto começa por falar em revisão, impõe-se dizer que também ele precisa de revisão: o «nível» podia aspar-se à vontade: «muito longe da qualidade que seria de esperar». Também não estou a ver porque hão-de os termos «inglês» e «português» ser grafados com maiúscula inicial. E a vírgula depois de «instruções» é uma intrusa assassina. Não devia estar lá.

 

[Texto 2258]

Helder Guégués às 11:16 | comentar | ver comentários (13) | favorito
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