12
Nov 12

Léxico: «padieira»

Dia de vistoria da obra

 

 

      Dia de vistoria da obra. Sou (não me gabo...) um dos louvados. Tenho a impressão de que o engenheiro não sabia o que era a padieira da porta. «Onde? Onde? Ah, no topo.» Topo... É triste, mas é assim.

      «Esta casa, por exemplo, com a data de 1784 na padieira da porta, esta casa viu-a Camilo deste mesmo sítio onde o viajante põe os pés, o mesmo espaço ocupado por ambos, em tempos diferentes, com o mesmo Sol por cima da cabeça e o mesmo recorte dos montes» (Viagem a Portugal, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 1997, p. 44).

 

[Texto 2314]

Helder Guégués às 21:06 | comentar | favorito
Etiquetas:

Erros em todas as línguas

Enfeites de Natal

 

 

      «Em setembro último, um vasto artigo do El País intitulado “Angela fue una chica divertida” revelava o que tinha mudado na vida de Angela Merkel e a transformação de uma jovem que trabalhou como barmade numa discoteca e que chegou a ser “ocupa” numa casa de Berlim em plena Alemanha comunista, até à cancheler [sic] austera de hoje» («Os sete fatos de Angela», Lília Bernardes, Diário de Notícias, 12.11.2012, p. 30).

      Então mas não é barmaid — «a woman who serves liquor at a bar» — que se escreve? E «ocupa» tem aspas para quê, pode saber-se, cara Lília Bernardes? Devem ser já os enfeites de Natal. Nunca precisou delas, e agora até já está dicionarizado. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo: «pessoa que se apodera de coisa ou lugar abandonado ou ainda não apropriado sem ser o seu legítimo proprietário».

 

[Texto 2313] 

Helder Guégués às 15:39 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

Léxico: «mondioring»

O pior é o português

 

 

      «Mais de mil cães e gatos passaram este fim de semana pelo Parque de Exposições de Braga. Só na exposição canina, estiveram representados mais de 900 animais, que participaram nos concursos e nas demonstrações de obediência, ordem pública, busca e salvamento e de mondioring – um tipo de desporto que testa a capacidade do cão proteger a sua integridade e a do dono» («Mais de mil cães e gatos em exposição», Diário de Notícias, 12.11.2012, p. 23).

      Como? «A capacidade do cão proteger»?! Bem, esqueçam, está na hora de aprendermos mais inglês. 

 

[Texto 2312]

Helder Guégués às 15:27 | comentar | favorito
Etiquetas:
12
Nov 12

É «titubeação» que se diz

Quando não se sabe...

 

     

      Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD: «Aquilo que se passa é que... Estamos numa hora tremenda, e... Não é uma hora para hesitações, para titubeâncias, nem para talvezes, nem para nins. O País precisa de respostas afirmativas.»

      Até pode ser um sufixo produtivo na língua portuguesa, mas não vale a pena inventar: já temos titubeação. «D. Luiz olhou d’esta vez para o filho mais seriamente, porque lhe causára impressão a firmeza e promptidão da resposta, em vez das titubeações que esperava» (Os Fidalgos da Casa Mourisca, Júlio Diniz. Porto: Tipografia do Jornal do Porto, 1871,  p. 66).

 

[Texto 2311]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: