14
Dez 12

«Speakeasy»

Durante a Lei Seca

 

 

      «Deixa-te disso», é o que por aqui me recomendam. «“Speakeasy” é intraduzível. Nunca nenhum tradutor português se atreveu sequer a tentar fazê-lo.» Não sei, o Dicionário Inglês-Português da Porto Editora parece que o faz: «taberna clandestina». Sobretudo em comparação com o Michaelis, que se limita a definir: «lugar onde se vendiam bebidas alcoólicas clandestinamente, durante a Lei Seca».

 

[Texto 2433]

Helder Guégués às 18:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Tomado por ciúmes»

Como quem diz

 

 

      «O homem que esfaqueou mortalmente a mulher justificando-se que estava “tomado por ciúmes”, na madrugada de 28 de agosto do ano passado, depois do casamento do único filho de ambos, em Lamas, Santa Maria da Feira, foi ontem condenado, em cúmulo, a 18 anos de cadeia pelos crimes de homicídio qualificado e violência doméstica» («Condenado a 18 anos de prisão por matar a mulher por ciúmes», Júlio Almeida, Diário de Notícias, 14.12.2012, p. 21).

      Boa desculpa, mas era mais aceitável no século XIX. Ah, sim, quanto ao que aqui nos traz: «tomado por ciúmes» é uma bela forma de dizer. Tomado, como quem diz, possuído pelos ciúmes. Não tão tomado como isso, neste caso, pois que não assassinou a mulher quando a encontrou com outro homem, mas mais tarde.

 

[Texto 2432]

Helder Guégués às 17:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Disco duro»

E é mesmo

 

 

      «As fotografias e vídeos estavam catalogados por temas mas também com os nomes pelos quais as vítimas são conhecidas nas redes de pedofilia internacionais. Armazenava os filmes em pen drives de grande capacidade ou em discos duros de computador» («Juíza recusa que pedófilo cumpra pena suspensa», Alfredo Teixeira, Diário de Notícias, 14.12.2012, p. 20).

      Raramente se vê, agora, «disco duro». Amílcar Caffé, no Ciberdúvidas, afirmou que é tradução infeliz do inglês hard disk.

 

[Texto 2431]

Helder Guégués às 17:01 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Xão ordens»

Mas era assim

 

 

      Vamos lá exercer a nossa liberdade de expressão: a defesa do bom-nome da GNR feita pelo deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim não foi menos que ridícula. O deputado comunista António Filipe comparara o Governo com os guardas-republicanos de antigamente, que, quando confrontados pelos cidadãos, respondiam «xão ordens». Onde está o acinte e o desrespeito? Antigamente.

      «MAURICE (num acesso inesperado de pronúncia beirã) — Xaiba o xenhor que as lixões da Alianxa Franxesa, [sic] xubiram de prexo...» (O Sobrinho, Jaime Salazar Sampaio. Lisboa: Plátano, 1982, p. 182).

 

[Texto 2430]

Helder Guégués às 14:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «soqueira»

Ora, não sei porquê

 

 

      «Encontravam-se também dois carregadores e um silenciador, bem como botijas de gás e outro material alegadamente utilizado em arrombamentos. Incluem-se ainda uma pistola [de] calibre 6,35 mm, dois revólveres, uma pistola de alarme, uma faca de mato, dois punhais, uma soqueira, bem como diversas munições» («Suspeitos de roubos a multibancos tinham armas de guerra», E. B., Diário de Notícias, 14.12.2012, p. 21).

      Não é somente o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que não regista o termo. No Brasil chamam-lhe «soco-inglês».

 

[Texto 2429]

Helder Guégués às 08:25 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Perverter»/«deturpar»

É uma escolha

 

 

      «Se um ministro deste Governo não hesita, para “vender” a sua ideia para a Educação, em perverter desta forma os resultados de estudos internacionais disponíveis a qualquer um na Net, que nos diz isso de qualquer coisa que o Executivo diga sobre assuntos, como a média das indemnizações por despedimento na Europa, sobre os quais nos falta informação imediatamente disponível?» («É matemático», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 14.12.2012, p. 7).

      «Perverter» também é, valha a verdade, «deturpar», «desvirtuar», mas, no contexto, eu usaria um destes termos, e mais facilmente o primeiro.

 

[Texto 2428]

Helder Guégués às 07:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «benchmark»

Ficamos sem saber

 

 

      «E como concluiu o ministro tal coisa? Assim: “Em todos os estudos, mais de metade dos alunos portugueses não ultrapassam o nível intermédio de benchmark (melhores práticas), o segundo mais baixo em quatro níveis”» («É matemático», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 14.12.2012, p. 7).

      Mas quais melhores práticas? Será a melhor tradução? Ou a pior? No contexto, benchmark traduzir-se-á por «padrão de desempenho».

 

[Texto 2427]

Helder Guégués às 07:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Dez 12

«Perfeito/prefeito»

Perfeito disparate

 

 

      «Não escondendo que a intenção final é oferecer ensino universitário, Salvato Trigo disse que foi pedido “tanto ao perfeito de Var, Toulon, como à reitora da Academia de Nice, que é quem superintende as questões de educação ao nível regional, que se pronunciassem” sobre aquela intenção» («Universidade acusa França de preconceito», Pedro Sousa Tavares, Diário de Notícias, 14.12.2012, p. 15).

      É par de parónimos que anda há décadas nas gramáticas, enciclopédias e prontuários — em vão. O governador de um departamento, em França, tem a designação de prefeito. «É na França o administrador-geral de um departamento; é magistrado em alguns cantões da Suíça; em alguns países, é funcionário de colégio, encarregado de manter a disciplina; é superintendente ou chefe de polícia, em alguns países; é superior de um convento; é título de diversos cargos eclesiásticos no Vaticano. No Brasil, o prefeito está investido do poder executivo nas municipalidades» (Variedades, Demétrio André. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009, p. 236).

 

[Texto 2426] 

Helder Guégués às 07:25 | comentar | favorito
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