14
Jan 13

É «meteorológico», suas melgas

Também tu, Arnaldo?

 

 

      «Ninguém se entendia com aquelas pirraças metereológicas, que é bem de calcular o quanto acrescentariam de zanga àquêles espíritos já por tão justos motivos concitados» (A Última Dona de S. Nicolau, Arnaldo Gama. Porto: Casa Editora de A. Figueirinhas, Lda., 1937, p. 11).

      Culpa do tipógrafo, eu sei. Pois. Como também sei que, na rádio e na televisão, é erro muito comum. Ou era. Na passagem do ano, comecei a reparar que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera passou a integrar vários institutos, entre eles o Instituto de Meteorologia, o que, deo gratias, reduzirá a oportunidade de propinar aos ouvintes mais uma calinada. De meteoro (e saberão, mesmo a generalidade dos jornalistas, que meteoro é o nome que se dá a qualquer fenómeno que ocorre na atmosfera? Hum...) só podíamos ter meteorológico, ou não?

 

[Texto 2507]

 

Helder Guégués às 22:56 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Modelizar»?

É só copiar sem pensar

 

 

      «Pelo contrário, quando modelizaram a aerodinâmica das gaivotas e estimaram o número dessas aves necessário para levantar o pêssego e arrastá-lo, ao longo de milhares de quilómetros, atrelado à “cordas” excretadas por um bicho-da-seda gigante, perceberam que aí as contas não batiam nada certo. O número de 501 gaivotas avançado por Dahl estava completamente errado» («Quantas gaivotas conseguem levar um pêssego gigante até a [sic] América?», Ana Gerschenfeld, Público, 14.01.2013, p. 26).

      Tinha de ser: directamente do inglês to modelize. E para quê, não temos forma de dizer exactamente o mesmo com uma palavra nossa? Temos.

 

[Texto 2506] 

Helder Guégués às 14:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «XPTO»

Tal como este

 

 

      «Podiam ter gravado num estúdio xpto», acabei de ler. XPTO começou por ser apenas o tetragrama (abreviatura, X. P. T. O., como informa Fr. Domingos Vieira e Botelho de Amaral lembra) sagrado dos tempos das catacumbas, e mais tarde nos manuscritos, e que servia para designar Cristo. Com o tempo, passou a designar, em sentido figurado e na gíria, o que é óptimo, excelente, de elevada qualidade. Ora, para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, XPTO é somente a «abreviação da palavra grega XPISTOS» e significa Cristo. Não chega, meus senhores, está incompleto.

 

[Texto 2505]

Helder Guégués às 12:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «pedipalpo»

Está, pois, incompleto

 

 

      Lembram-se do opilião? Pois ainda não está no dicionário. E agora leio que, para «detectarem o que se passa em seu redor, os opiliões utilizam os pedipalpos (segundo par de patas mais próximo da cabeça), com função sensorial». Ora, para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, pedipalpo, como substantivo, é apenas a «ordem de aracnídeos tropicais, caracterizados por terem quelíceras terminadas por unha e o primeiro par de membros em forma de chicote». Para o Dicionário Houaiss, «pedipalpo» também é o segundo par de apêndices dos aracnídeos, o que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só conhece como palpo, «cada um dos elementos do segundo par de apêndices dos aracnídeos».

 

[Texto 2504] 

Helder Guégués às 11:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Jan 13

Sobre «primeiro-imediato»

Está aí alguém da Marinha?

 

 

      «O primeiro-imediato recebeu o dinheiro que Boraxis lhe entregou e deu-lhe as instruções dos nossos quartos» (Acheron, Sherrilyn Kenyon. Tradução de Maria Margarida Malcato e revisão de Ayala Monteiro. Lisboa: Casa das Letras, 2011, p. 45).

      Posso estar enganado, mas com hífen creio que apenas em traduções a podemos encontrar. No Proz, precisamente a propósito da tradução de ship’s first mate, afirmam, seguindo, ao que me parece, o que se defende no Dicionário de Termos Navais, da autoria do Cmdt. António Marques Esparteiro, que «não existem primeiros, segundos ou terceiros imediatos...». Só imediatos.

 

[Texto 2503]

Helder Guégués às 00:03 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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