02
Jan 13

Léxico: «raspadinha»

Sem surpresa

 

 

      «Mais de 20% das receitas dos jogos sociais explorados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) são já proporcionadas pela lotaria instantânea, mais conhecida por “raspadinha”. [...] No caso da “raspadinha”, o seu sucesso está relacionado com alterações ao jogo, como os prémios mais substanciais (o que por sua vez implica apostas de valor mais elevado), como o “super pé-de-meia”, que podem chegar a 2000 euros por mês durante 12 anos. A “raspadinha” já é, aliás, a segunda maior fonte de receitas, tendo ultrapassado o Totoloto» («Santa Casa fecha 2012 com maiores receitas de sempre nos jogos sociais», Luís Villalobos, Público, 2.01.2013, p. 14).

      Sem aspas é que os jornalistas não podem passar. O nosso melhor cronista também gosta muito das aspas. Raspadinha já está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «jogo de azar em que se raspa o revestimento de um cartão para descobrir se se tem algum prémio». E lá anda o «super» pendurado no ar. Por fim, «jogos sociais» também é, sem surpresa, ignorado de todos os dicionários.

 

[Texto 2475] 

Helder Guégués às 12:05 | comentar | favorito
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«Tiborna/tibórnia»

É uma delícia, isso sim

 

 

      «Termina hoje a mostra gastronómica do Fundão, “Aqui Come-se Bem – Tibórnia 2012”, que reúne 15 restaurantes da região» («Gastronomia no Fundão», José Carlos Marques, revista «Domingo», Correio da Manhã, n.º 12 551, p. 64).

      Creio que apenas conhecia «tiborna», mas parece que é o mesmo. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, estranhamente, não regista nenhum dos vocábulos, quando já estava em Morais: «pão quente embebido em azeite novo para se comer». E está na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (vol. 31, p. 619): «Pão quente embebido em azeite que os lagareiros costumam comer depois de findos os seus trabalhos.»

 

[Texto 2474]

Helder Guégués às 09:31 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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02
Jan 13

Plural de «xis»

Dois xis, se faz favor

 

 

      Ontem, na Antena 1, na reposição do programa Especial Música de 2012, João Gobern disse que o nome da banda inglesa The XX se escrevia com «dois xises». «Dois “xises”. Muito bem, João», afirmou, quase eufórico, António Macedo. Mas não: muito mal, João Gobern, muito mal, António Macedo. O vocábulo xis é invariável, serve para o singular e para o plural: um xis, dois xis.

 

[Texto 2473]

Helder Guégués às 07:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Jan 13
01
Jan 13

Ainda e sempre o verbo «haver»

Pelo menos eles

 

 

      Acabaram muito mal 2012: «A partir de 2013, podem haver aumentos nas contas da luz e do gás até fim do trimestre para incentivar os consumidores a escolher o mercado concorrencial de energia» (jornalista Margarida Cruz, Telejornal, 31.12.2012, 20h08).

      Sim, pelo menos os jornalistas, que têm como ferramenta de trabalho a língua, deviam saber que o verbo haver é impessoal quando exprime existência e vem acompanhado dos auxiliares ir, dever, poder, etc.

 

[Texto 2472]

Helder Guégués às 13:20 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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