30
Jan 13

Léxico: «homicídio oblativo»

Mesmo para ateus

 

 

      «No caso da morte dos filhos, ela é encarada pela mãe como um homicídio oblativo, ou seja, é visto como uma prova de amor, é um homicídio de misericórdia, para poupar os filhos a um sofrimento insuportável» (psiquiatra Pedro Afonso, em declarações ao Diário de Notícias, 29.01.2013, p. 12).

 

[Texto 2546]

Helder Guégués às 09:44 | comentar | favorito
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30
Jan 13

Léxico: «precatório-cheque»

Já não há

 

 

      «Mas, ontem à tarde, quando se apresentou na agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de Moscavide para levar [sic] o dinheiro, o advogado de Elvas soube que a conta indicada no precatório cheque emitido pela 8. [sic] Vara Criminal de Lisboa, onde decorre o processo, estava vazia. [...] Hugo Marçal saiu ontem de Oliveira do Bairro, onde agora reside, com o objetivo de levantar o precatório cheque na secretaria do tribunal e depois ir ao banco sacar o dinheiro. [...] Ou seja, os precatórios cheques haviam desaparecido dando lugar aos documentos únicos de cobrança (DUC). [...] Antes, o tribunal passava o precatório cheque para ser levantado no banco» («Tribunal devolve 10 mil euros a Marçal em cheque careca», Licínio Lima, Diário de Notícias, 29.01.2013, p. 17).

      Não é por ter deixado de existir que não merece estar dicionarizado. Em alguns acórdãos e diplomas legais, surge hifenizado, precatório-cheque, que é como se vê num decreto de 1918: «Os depósitos obrigatórios serão levantados por meio de precatórios-cheques, assinados pelas autoridade que tiverem jurisdição sôbre os depósitos, nos termos das leis e segundo a constituição dos mesmos depósitos.»

 

[Texto 2545] 

Helder Guégués às 09:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Jan 13
29
Jan 13

Léxico: «espalhafatar»

Incompletos

 

 

      «Os brados e o estrépito do arruído ouviam-se distintamente. A rua e o largo estavam inteiramente desertos. Apenas se via sentada na ombreira de uma porta uma mulher já de idade, chorando e espalhafatando em altos brados de aflição» (A Última Dona de S. Nicolau, Arnaldo Gama. Porto: Casa Editora de A. Figueirinhas, Lda., 1937, p. 196).

      Lá está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, como está noutros, mas um dicionário, ainda que bom, sem abonações é só meio dicionário.  

 

[Texto 2544]

Helder Guégués às 20:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Jan 13

Léxico: «teia»

Confirma-se

 

 

      «Era uma grande sala [a do tribunal da antiga Bolsa comercial do Porto], de paredes inteiramente nuas, e com enormes e pesados bancos de pau castanho enfileiradas [sic] ao longo delas. Ao fundo estanceava a teia» (A Última Dona de S. Nicolau, Arnaldo Gama. Porto: Casa Editora de A. Figueirinhas, Lda., 1937, p. 147).

      Já aqui tínhamos debatido esta questão do nome da divisória da sala do tribunal, e citei mesmo outro passo desta obra de Arnaldo Gama. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a terceira acepção.

 

[Texto 2543]

Helder Guégués às 22:58 | comentar | ver comentários (3) | favorito

Léxico: «criptojudeu»

Eu voto que sim

 

 

      «Foi a ideia de que existiriam milhares de judeus em Portugal que presidiu à construção, no Porto, de uma sinagoga [Kadoorie Mekor Haim] destinada a albergar não apenas a comunidade já existente mas também os criptojudeus (judeus que praticavam a sua fé e os seus costumes em segredo, por receio de perseguições religiosas)» («Sinagoga do Porto, a maior da Península, celebrou ontem 75 anos», Público, 28.01.2013, p. 48).

      Acho que não se perdia mesmo nada se estivesse registada em todos os dicionários.

 

[Texto 2542]

Helder Guégués às 09:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Jan 13

«Por sua alta recreação»

Veja, grão-mestre

 

 

      «O grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), Fernando Lima, diz que maçons que não seguiam “os nobres valores da maçonaria” deixaram a instituição “por sua auto-recriação”, após o escândalo sobre uma alegada rede de interesses. Uma polémica que acabou por ter um efeito que surpreende Fernando Lima: “A frequência das lojas, e inclusive a aderência de elementos, foi significativa, maior do que se poderia esperar após esta situação.”» («Escândalo de 2011 fez aumentar frequência das lojas maçónicas», Público, 28.01.2013, p. 7).

     Que algum irmão diga ao grão-mestre, se tiver coragem, que não é assim que se diz, mas sim «por sua alta recreação». Pode ser este: «Se Fernando estava, ele era a mão activa da candonga. De contrário, procedia ela por sua alta recreação» (A Casa Grande de Romarigães, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1959, p. 110).

 

[Texto 2541]

Helder Guégués às 08:26 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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27
Jan 13

«Sentiu os segundos a...»

Não apostes

 

 

      «Sentiu os segundos a esgotar-se, cada segundo a afastá-lo de Agnès, cada instante a tornar irrevogável a separação» (A Filha do Capitão, José Rodrigues dos Santos. Lisboa: Gradiva, 2004, p. 368).

      Que acham que está oculto ali: esgotar-se ou esgotarem-se? Ou acham que é indiferente?

 

[Texto 2540]

Helder Guégués às 19:55 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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27
Jan 13

Um Da Vinci, dois Van Goghs...

Nada mudou

 

 

      «Sabia também que as molduras eram sólidas, bem armadas, bem doiradas, e para ter a certeza de que não havia engano possível, eu tinha de me certificar que todas elas apresentavam uma mosca de oiro novo sobre a superfície de talha em oiro velho, ao lado da lamela com o título do quadro e o nome do pintor turco, como se fossem Rembrandts ou Watteaux deste século» (Combateremos a Sombra, Lídia Jorge. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2007, 2.ª ed., p. 173).

      Eu sei que já tratei deste caso, mas foi no Assim Mesmo. No plural, pois claro, pelo menos. Um Da Vinci, dois Van Goghs, três Goyas, quatro Renoirs... E por aí fora. Há algum motivo para não pluralizar os nomes dos pintores? Algo mudou?

 

[Texto 2539]

Helder Guégués às 19:26 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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26
Jan 13
26
Jan 13

Léxico: «austeritário»

Palavra do ano

 

 

      «O DN tinha na semana passada tentado, sem sucesso, falar com Mulas [Carlos Mulas-Granados] a propósito do contraste entre as suas posições políticas e académicas contra a austeridade e o superausteritário relatório do FMI sobre Portugal que assinou» («Irene revela ser a misteriosa Amy», Diário de Notícias, 25.01.2013, p. 12).

      Nunca antes me tinha cruzado por aí com o neologismo «austeritário». Amálgama? Não: decerto por analogia com o adjectivo «autoritário», por exemplo.

 

[Texto 2538]

Helder Guégués às 12:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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