14
Fev 13

Tradução: «mime»

Assim fica

 

 

      «Recomeçaram a andar. Ivo, com o gesto, mimou um beijo que lhe atirou» (Direito Sagrado, Odette de Saint-Maurice. Lisboa: Editorial Presença, 1966, p. 176).

      Nesta acepção ­— dizer ou fazer por mímica; representar por gestos —, se o vi três ou quatro vezes na vida foi muito. Mas agora apareceu-me aqui alguém que «mimed a needle plunging», e não vejo melhor solução. Representou? Fingiu?

 

[Texto 2593]

Helder Guégués às 19:55 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Tradução: «back of ear»

Raramente

 


      Concha da orelha. Não se vê muito, mas aqui fica uma abonação: «Perdeu um para não ter que os usar; deixava nuas as bonitas orelhas e ganhou o costume de afastar com os dedos o cabelo para mostrar a concha das orelhas» (Os Espaços em Branco, Agustina Bessa-Luís. Lisboa: Guimarães Editores, 2003, p. 41).

 

 

[Texto 2592]

Helder Guégués às 19:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «bulkhead door»

Sondemos

 

 

      Que definição redigiriam para bulkhead door (ver aqui) num dicionário inglês-português? Porta inclinada, quase na horizontal, de acesso a cave ou a porão?

 

[Texto 2591]

Helder Guégués às 17:07 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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«Veio até os primeiros degraus»

Nada disso

 

 

      Vai para um mês, o leitor B. P. deixou-nos aqui alguns exemplos de «picuinhices, bizarrias e questões opinativas» de João de Araújo Correia. «Aqui está um: A.C. dizia sempre ‘até o’ em vez de ‘até ao’, que censurava. Fui até o caminho, em lugar de fui até ao caminho.» Nada de novo. Não é o único escritor que assim fazia — e, segundo o prisma que já apresento, devia assim fazer. No epítome de gramática portuguesa do dicionário de Morais, pode ler-se o seguinte: «Igual erro é juntar a a até; v. g. até ao muro; deve ser até o muro, até o campo, até as estrelas.» Com o lastro de incontáveis exemplos clássicos e autoridades da valia de Morais, onde está a picuinhice ou a bizarria ou a questão opinativa?

      «Levantou-se então, e veio até os primeiros degraus do tablado» (O Balio de Leça, Arnaldo Gama. Porto: Livraria Educação Nacional, 1935, p. 207).

 

[Texto 2590]

Helder Guégués às 14:56 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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14
Fev 13

«A meia-voz»

No sítio certo e com hífen

 

 

      Por sugestão minha, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora já regista a locução a meia-voz no sítio certo e com hífen, no verbete «meia-voz». Afinal, se registava a locução a sangue-frio no verbete «sangue-frio», impunha-se uniformizar, como argumentei aqui.

    Eis quatro exemplos da obra O Balio de Leça, de Arnaldo Gama. (Porto: Livraria Educação Nacional, 1935, 217 pp.)

  1. «Fr. Nuno tirou-o áparte e com êle esteve falando a meia-voz por mais de cinco minutos.» (p. 85)
  2. «– Fr. Lopo, recordais bem o que vos disse? – balbuciou a meia-voz o lugar-tenente quási ao ouvido do companheiro.» (p. 86)
  3. «– Sus, vós outros ­– disseram aqui a meia-voz alguns cavaleiros mancebos, sorrindo-se – ora vêde a carranca que vai já fazendo o ainda futuro balio! Cuidado!» (p. 101)
  4. «As vozes roucas dos vélhos cavaleiros acompanharam a meia-voz o canto funerário, dando-lhe assim uma entoação que tinha de-veras alguma coisa do outro mundo.» (p. 175)

 

[Texto 2589]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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