15
Fev 13

«Tomar no cu»

Perto de Manaus

 

 

      «Já o ex-secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas não tem papas na língua e, numa carta aberta ao seu antigo colega de Governo, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio (indicado pelo CDS), mandou o fisco “tomar no cu”, por entender que é “um absurdo” esta exigência» («Incómodo na maioria depois de desabafo de Viegas», Miguel Marujo, Diário de Notícias, 15.02.2013, p. 10).

      Isto deve ser como as injecções – que se tomam ou se levam –, mas não é no Brasil que se diz desta forma? Ou em Moledo também se diz? Bem, não sei, eu nunca digo. (Quanto ao resto, tem razão: prò caralho. Não contem comigo. Artigo 21.º da Constituição.)

 

 

[Texto 2596]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | ver comentários (4) | favorito
Etiquetas:

«Papável» e as aspas

Nem assim

 

 

      «É ele [camerlengo Tarcisio Bertone] que vai liderar a Igreja Católica no período de sede vacante entre a saída do Papa e a eleição do seu sucessor. E o seu nome também integra a lista de “papáveis”» («O camerlengo que gosta de futebol e fala português», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 15.02.2013, p. 5).

      Por sugestão minha, se se lembram daqui, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora deixou de registar que «papável» é termo coloquial, e eu pensei que isso contribuiria para deixar de ser grafado entre aspas. Assim seria, se os jornalistas consultassem mais os dicionários. («Liderar a Igreja Católica»... E «sede vacante» tem de estar em itálico? Porquê?)

 

[Texto 2595]

Helder Guégués às 09:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
15
Fev 13

«Findado o psalmo»

Interditos e obrigatórios

 

 

      E a propósito do Sr. Alferes arcaizante, lembrei-me agora mesmo de uma frase de Arnaldo Gama. Ei-la: «Findado o psalmo, os cavaleiros e o povo ergueram-se e tudo ficou por alguns minutos em silêncio verdadeiramente sepulcral» (O Balio de Leça, Arnaldo Gama. Porto: Livraria Educação Nacional, 1935, p. 165). Agora, dir-se-ia inevitavelmente «findo o salmo», nunca «findado». É este um tempo em que se prefere o irregular. E hoje também já não se pode dizer que o silêncio é sepulcral. Pelo menos num curso de escrita criativa. Excepto se este decorrer apenas em dois dias, como me disseram que um certo escritor está a publicitar. Escritor cujo nome não voltarei jamais a escrever, mas vejam.

 

[Texto 2594]

Helder Guégués às 00:25 | comentar | ver comentários (9) | favorito
Etiquetas: