03
Fev 13

O desastre ortográfico

Último parágrafo da crónica de MST

 

 

      «Porque uma coisa é garantida: a arrogância dos poderosos não conhece arrependimento. Eles jamais voltarão atrás, reconhecendo que se enganaram, que se precipitaram, que foram atrás de vozes de sereias, que se esqueceram de que há coisas que nenhum país independente cede sem estremecer: o território, o património, a paisagem, a língua. Trataram isto como coisa menor, como facto herdado e consumado, de ministro em ministro, de governo em governo, de parlamento em parlamento, de Presidente em Presidente. Partiram do princípio de que os portugueses comem tudo, desde que bem embrulhado em frases grandiloquentes, com a assinatura dos influentes e a cumplicidade dos prudentes. Mas, dêem agora as voltas que quiserem dar aos acordos que assinaram e à língua que lhes cabia defender e não trair, cobriram-se de ridículo. Está escrito nos livros de História: um país que se humilha para agradar a terceiros, arrisca-se a nada recolher em troca, nem a gratidão dos outros nem o respeito dos seus. Apenas lhe resta o ridículo. Oxalá ele chegasse para matar de vez o triste Acordo Ortográfico!» («O desastre ortográfico», Miguel Sousa Tavares, Expresso, 19.01.2013, p. 7).

 

[Texto 2560]

Helder Guégués às 16:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Fev 13

«Município/concelho»

Que confusão?

 

 

      Há confusão entre os conceitos de município e de concelho? Juro que nunca tinha reparado. O primeiro é a instituição e o segundo o território, afirma categoricamente quem diz que há confusão. Consultemos um dicionário e uma enciclopédia. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, município é a «circunscrição [ou seja, divisão] territorial em que uma vereação exerce a sua jurisdição»; concelho, para este dicionário, é a «subdivisão do território sob administração de um presidente da câmara e das restantes entidades autárquicas». Parecem-me sinónimos. Para a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, município é a «extensão territorial, em que se exerce a jurisdição de uma vereação» (Vol. 18, p. 169); concelho é a «circunscrição territorial em que se divide o distrito» (vol. 7, p. 345). Parecem-me sinónimos. Decerto: era preciso aprofundar mais a questão, consultar outras fontes, mas esta análise perfunctória demonstra que, a haver confusão, não é recente nem provém só de uma fonte.

 

 

[Texto 2559]

Helder Guégués às 10:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Fev 13
02
Fev 13

Como se escreve nos jornais

«Produtos»?

 

 

      «Segundo um estudo realizado pela Associação para a Promoção da Segurança Infantil [APSI] abrangendo [sic] o período entre 2000 e 2009, as varandas e as janelas são os produtos que aparecem mais vezes envolvidos em quedas (38%)» («Menino caiu da varanda enquanto o pai foi ao pão», Alfredo Teixeira e Inês Banha, Diário de Notícias, 1.02.2013, p. 17).

 

[Texto 2558]

Helder Guégués às 06:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Fev 13

Gutural, pouco democrático

Não sei se percebo...

 

 

      «Já o historiador José Pacheco Pereira está preocupado com “a tendência para tornar a língua gutural” — com menos palavras, algo que considera “pouco democrático”, evocando George Orwell, fruto da “simplificação publicitária, do marketing” ou dos usos nos SMS ou no Twitter. Convidado a falar sobre o uso do Português nos media, inquieta-o “a substituição da complexidade do pensamento por mecanismos de comunicação guturais e reduzidos à sua essência, um problema em que a comunicação social colabora para ser ‘moderna’”» («Português vai desaparecer como língua de trabalho na UE, diz Seixas da Costa», Joana Amaral Cardoso, Público, 1.02.2013, p. 28).

 

[Texto 2557]

Helder Guégués às 09:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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01
Fev 13

Os Rothschilds

Pois claro

 

 

      «Wilson disse ao Guardian e à BBC que o estudo da colecção — a que pretende dedicar-se — poderá trazer surpresas. O conservador não acredita que haja falsos entre os 500 objectos, mas admite que a investigação poderá vir a provar que alguns foram alterados ou melhorados no século XIX, quando os coleccionadores milionários, como os Rothschilds, os disputavam nos leilões e nos grandes antiquários europeus» («Jarro português do século XVI faz parte de tesouro doado ao Museu Ashmolean», Lucinda Canelas, Público, 1.02.2013, p. 28).

 

[Texto 2556]

Helder Guégués às 08:54 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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