19
Mar 13

Sr. Vírgulas

Malogrou-se-me a oportunidade

 

 

      «Segundo a edição digital do próprio diário, a entrevista do jovem André Fontaine, na altura com 26 anos, foi feita pelo rigoroso chefe de redação Robert Gauthier, conhecido como “Sr. Vírgulas”» («O diretor que salvou o ‘Le Monde’ da crise financeira», M. R., Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 43).

      Gostava de ter trabalhado com o Sr. Vírgulas («redoutable “Monsieur virgules”», lê-se no Le Monde). Trabalhou com ele o malogrado jornalista. Eu só trabalhei com o revisor antibrasileiro.

 

[Texto 2694]

 

Helder Guégués às 12:47 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Malogrado jornalista»

Infeliz jornalista

 

 

      Sobre André Fontaine: «Ligado à publicação durante 60 anos da sua vida, o malogrado jornalista, que morreu este domingo em Paris, com 91 anos, desempenhou as mais variadas funções no jornal, desde os cargos de repórter, chefe de redação e até... diretor» («O diretor que salvou o ‘Le Monde’ da crise financeira», M. R., Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 43).

      «O malogrado jornalista»... Era para escrever «foda-se», mas vá: c’um caraças! Morreu com 91 anos e é «o malogrado jornalista»? «Malogrado» é para os que morrem jovens, não para os que partem com quase um século. Haja decoro.

 

[Texto 2693] 

Helder Guégués às 12:31 | comentar | ver comentários (4) | favorito

Sobre «pálio»

Como é?

 

 

      «O cardeal protodiácono Jean-Louis Tauran traz o pálio — usado por cima das vestes em redor do pescoço — e o anel do Pescador, símbolos do líder da Igreja Católica» (Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 27).

      Enganam-se: não vou desancar no «líder». O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista para pálio «distintivo eclesiástico (faixa branca de lã com cruzes pretas) que o papa concede aos arcebispos e a alguns bispos». Mas o pálio é o distintivo litúrgico típico do sumo pontífice. Que avancem os vaticanistas e nos expliquem.


 [Texto 2692]

Helder Guégués às 09:52 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«Electrão livre», versão escatológica

Com a verdade m’enganas

 

 

      Não sei se vos chegou algum eco do lapso — ou da ignorância ou que merda foi — da actriz francesa Véronique Genest, agora lançada na política, que num programa de televisão em directo, o C à Vous, declarou que era «une sorte d’étron libre» — em português, «uma espécie de cagalhão livre».


[Texto 2691]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Associé», de novo

Subtilezas ou a sua ausência

 

 

      «“Ele tinha a paixão de defender, era um dos melhores para defender os outros, mas não para se defender dos seus próprios demónios. É triste que alguém tão talentoso como ele não tenha conseguido encontrar os recursos para se defender a si próprio de si próprio”, afirmou ao Le Monde Emmanuel Marsigny, sócio de Metzner» («‘Advogado dos gangsters’ encontrado morto na sua ilha», Elisabete Silva, Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 23).

      Ainda se lembram de aqui termos falado de sócios e de associados dos escritórios de advogados? Pois, desta vez, é por «sócio» que o termo francês foi traduzido. Emmanuel Marsigny é «avocat associé co-fundateur» da Metzner Associés.

 

[Texto 2690]

Helder Guégués às 08:28 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Sobre «grilo»

Entre greta e grosso

 

 

      «Na segunda sessão do julgamento (ontem), que decorre no Tribunal de Braga, uma sobrinha da arguida, professora, sustentou a tese da acusação, dissertando sobre a conotação sexual da palavra “grilo”, nome pelo qual entre outros é conhecida a vagina, e fazendo a interpretação da letra, defendendo que esta sugere que Miguel Costa manteve um relacionamento sexual com a tia. Uma convicção que manteve mesmo depois de confrontada com certos textos de Gil Vicente ou mesmo com a A Garagem da Vizinha [sic], de Quim Barreiros, para aferir do eventual tom de brincadeira da canção» («‘Grilo da Zirinha’ deixa Padim da Graça em alvoroço», Sérgio Pires, Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 18).

      Gostava de ter ouvido a professora a dissertar. Quanto ao grilo, o que sei é que entre «greta» e «grosso», no Dicionário do Palavrão, de Orlando Neves e Carlos Pinto Santos (Lisboa: Editorial Notícias, 2001), nada há. Delmira Maçãs (Os Animais na Linguagem Portuguesa. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 1951, p. 215) é que, «para pudendum hominis ou infantis», regista «grilo». Reparem: para pudendum hominis, não para pudendum mulieris. Uma diferença de vulto.

 

[Texto 2689]

Helder Guégués às 08:04 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«Mau-estar»!

Também sem desculpa

 

 

      «O encontro, que aconteceu apesar de todas aquelas polémicas que a imprensa relatou, sobretudo a imprensa da Argentina, de que havia um mau-estar entre os dois, uma vez que o cardeal Bergoglio, até era um forte opositor a algumas das medidas de Cristina Kirchner, sobretudo o casamento entre homossexuais» (repórter Ana Santos, Jornal da Tarde, 18.03.2013).

      Nem queremos acreditar que uma jornalista se exprima desta maneira, mas eis aqui a prova. Se a repórter tiver amigos entre os nossos leitores, por favor, digam-lhe.

 

[Texto 2688]

Helder Guégués às 06:33 | comentar | ver comentários (3) | favorito
19
Mar 13

«Corrector/corretor»

Sem desculpa

 


      «Morreu um dos advogados franceses mais célebres. O corpo de Olivier Metzner foi encontrado a boiar ao largo da ilha da qual era proprietário na região da Bretanha. A polícia descobriu na casa do advogado uma carta de despedida. Olivier Metzner, de 63 anos, foi uma figura controversa. Esteve envolvido nos principais processos dos últimos anos. Defendeu o ex-ditador do Panamá, Manuel Noriega, e o ex-corretor da Société Générale, Jérôme Kerviel, que perdeu na bolsa cinco mil milhões de euros. Representou ainda o ex-presidente da petrolífera Elf, acusado de corrupção, e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin» (jornalista Hélder Silva, Jornal da Tarde, 18.03.2013).

      E como é que o jornalista leu a palavra «corretor»? Como se fosse «corrector», como tantas vezes acontece. Agora com o Acordo Ortográfico, é como se tudo fosse igual. Claro que o jornalista não tem desculpa.

 

[Texto 2687]

Helder Guégués às 06:11 | comentar | ver comentários (12) | favorito
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