03
Mar 13

«Lot/Ló»

Pão de Lot

 

 

      Não sei, mas ia jurar que nunca tinha visto o nome do bíblico sobrinho de Abraão grafado Ló, sempre Lot. Vi-o agora. No entanto, em vez de Job é vulgar. Há dias, numa fila no supermercado, estava um miúdo reguila que disse chamar-se Davi, mas esta variante já eu conhecia.

 

[Texto 2646]

Helder Guégués às 19:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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03
Mar 13

«Uso campeão»!

E professores universitários

 

 

      Vai para dois anos, escrevi no Assim Mesmo que «em Portugal e no Brasil, o bom povo — ou, para sermos mais precisos, um ou outro beira-corgo — diz uso campeão querendo dizer “usucapião” (aquisição pelo uso), esse termo da linguagem do Direito. Até se lê em certos requerimentos: “Fulano vem requerer uso campeão…” É a lei do mais forte». Pois agora ouvi o Prof. Júlio Machado Vaz, no programa O Amor É..., dizer «uso campeão», e não me parece que estivesse a brincar, pois disse-o duas vezes.

 

[Texto 2645]

Helder Guégués às 11:16 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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02
Mar 13
02
Mar 13

Como se escreve nos jornais

Extremamente

 

 

      «Tem fama de ser espartano e imune a pressões o beirão ontem aprovado pelo Conselho Superior do Ministério Público para liderar o combate à criminalidade económico-financeira. Aos 58 anos, o ultra discreto procurador-geral adjunto Amadeu Guerra sucede à mediática Cândida Almeida à frente do Departamento Central de Investigação e Acção Penal» («Um beirão espartano imune a pressões passa a liderar combate à corrupção», Ana Henriques e Mariana Oliveira, Público, 1.03.2013, p. 12).

      Ultra, que é aqui um prefixo, fica assim solto, livre, descomprometido. E assim fica também uma ortografia descomprometida.

 

[Texto 2644]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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01
Mar 13

Sobre «secretivo»

Como de costume

 

 

      «Susana recebeu-me com excessiva cerimónia, e deixou-me a sós com o nosso biografado, a fim de que estabelecêssemos o diálogo secretivo em que ela não ousava intervir» (Tiago Veiga, Uma Biografia, Mário Cláudio. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2011, p. 695).

      A primeira ideia que nos ocorre é que se relaciona com secreções, mas não, claro. É mais um anglicismo, de secretive, «disposed to secrecy». Proclive a guardar segredo.

 

[Texto 2643]

 

Helder Guégués às 15:07 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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01
Mar 13

«Tipo de Papa que o suceder»

A noite sucede ao dia

 

 

      «Não foi só os católicos que Bento XVI surpreendeu. Também os anglicanos e os ortodoxos ficaram espantados com o seu gesto. A pastora inglesa anglicana Debbie Flach confessa: “Achei que o Papa não se reformava”. É, porém, mais reticente em prever se a decisão vai ter impacto na estrutura da Igreja Católica: os próximos anos dependem mais do “tipo de Papa que o suceder”. Mas arrisca: o novo Papa “deve ser capaz de chegar a todos os católicos. Espero que o próximo Papa seja capaz de trabalhar com todas as igrejas cristãs”» («Anglicanos e ortodoxos surpreendidos com Bento XVI», Joana Gorjão Henriques, Público, 1.03.2013, p. 4).

      Já vimos este erro mais de uma vez. O verbo suceder, nesta acepção, é transitivo indirecto, tem como complemento um termo preposicionado — suceder a alguém. Ora, os transitivos indirectos que regem a preposição a requerem as formas lhe ou lhes. Logo, «tipo de Papa que lhe suceder».

      Quanto a «gesto» na acepção empregada no artigo, tudo o que havia que dizer disse-se aqui.

 

[Texto 2642]

Helder Guégués às 12:21 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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