27
Mar 13

Léxico: «ázimo»

Vá lá

 

 

      «Judeus ortodoxos participaram, no domingo, no mayim shelanu, uma cerimónia em que recolhem água de uma nascente natural, perto de Jerusalém. A água é utilizada para fazer matza, o pão ázimo tradicional para ser comido durante o período judaico da Páscoa, que começa na segunda-feira. Durante este período é proibido aos judeus consumir qualquer produto com fermento. A Páscoa celebra a fuga dos judeus do Egito antigo, como descrito no Livro do Êxodo» («Mayim shelanu: a Páscoa judaica», Diário de Notícias, 27.03.2013, p. 6).

      Quase milagroso, como se lembraram do termo. Conhecendo-os como nós os conhecemos, mais natural era que traduzissem o inglês unleavened. Vá lá. Há ainda a variante asmo, como lembrei há sete anos no Assim Mesmo.

 

[Texto 2718]

Helder Guégués às 09:14 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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27
Mar 13

«Camauro» e «portenho»

Tu quoque

 

 

      «Eu sei que alguns — que já lhe tinham lido várias obras antes de Ratzinger ter escolhido o “camauro” com bordas de arminho e souberam, então, relacionar os pensamentos do filósofo bávaro com o vestuário litúrgico — sorriem, agora, com as minhas esperanças nos sapatos cambados do porteño» («Qual a gama dos BMW para o Estado?», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 27.03.2013, p. 56).

      Para quê as aspas em «camauro», que até está — e nem era preciso — nos dicionários gerais da língua portuguesa? E mais: para quê porteño, se se usa aportuguesado, portenho, há muito? Lá está, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que remete para «buenairense».

 

[Texto 2717]

Helder Guégués às 09:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Mar 13

«Obra-prima/obra-mestra»

Prima de primeira

 

 

      João Gaspar Simões — autor injustamente esquecido, e de quem tenho ali três obras que me ofereceram recentemente e que aguardam vez para as ler — distinguia («mau grado a significação idêntica dessas expressões», acrescentava) entre obra-prima e obra-mestra. Castelhanismo ou não, o certo é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe o vocábulo «obra-mestra», embora remeta, e bem, para o verbete «obra-prima».

 

[Texto 2716]

Helder Guégués às 20:12 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«Entreter correspondência»

Uma acepção em falta

 

 

      «Durante todo ele, entreteve correspondência regular com o embaixador português em Paris, Conde da Vidigueira, que centralizava a atividade internacional da Restauração; nela fazia, religiosamente, a crônica, muitas vezes pitoresca, de sua atormentada missão» (A Arte de Furtar e o Seu Autor, Afonso Pena Júnior. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2001, vol. 1, p. 118).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não acolhe, estranhamente, esta acepção do verbo «entreter», que o Aulete, por exemplo, regista.

 

[Texto 2715]

Helder Guégués às 09:46 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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Ortografia: «grão-priores»

A medida do desmazelo

 

 

      «O anúncio foi feito na sexta-feira, no encerramento do congresso que durante a última semana juntou os 20 grão-priores da ordem, da Europa e da América, em Portugal. [...] Os Grãos Priores queriam avaliar os espaços prometidos pela Secretaria de Estado da Cultura» («Convento de Tomar vai ter sede cultural da Ordem dos Templários», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 46).

 

[Texto 2714]

Helder Guégués às 07:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ai as aspas

É da pressa, dizem

 

 

      «A atriz esteve ontem em Lisboa para visitar a exposição da artista plástica Joana de Vasconcelos. Sharon Stone, que veio a Portugal “batizar” um navio-hotel para cruzeiros no Douro, admirou a obra exposta no Palácio da Ajuda» («Sharon Stone visita Palácio da Ajuda», Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 53).

      Para quê as aspas? Então baptizar não é — também —, como se lê no Dicionário Houaiss, «benzer um objecto e eventualmente dar-lhe um nome»?

 

[Texto 2713]

Helder Guégués às 07:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Debute» ainda não estreado

Não neste dicionário

 

 

      «Gad Elmaleh fez o seu debute nos eventos oficiais do principado governado por Alberto II, sábado à noite, no Baile da Rosa» («O debute do amor de Charlotte do Mónaco», Raquel Costa, Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 53).

      Claro que é galicismo desnecessário, mas agora vejam: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-o, não neste sentido, de estreia na vida social, mas somente no de «estreia de um artista».

 

[Texto 2712]

Helder Guégués às 07:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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26
Mar 13

«Reportar», brasileirismo

De além-mar

 

 

      «Jornalista da SIC, especializado em religião, acompanhou o conclave de 2005 e voltou este ano ao Vaticano para reportar a eleição papal» («“O que faz a história da Igreja não é a cor dos sapatos do Papa”», Marlene Rendeiro, Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 50).

     No sentido de fazer uma reportagem, reportar é brasileirismo, embora com origem no inglês to report.

 

[Texto 2711]

Helder Guégués às 07:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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