02
Abr 13

Léxico: «acacianismo»

Tem de estar lá

 

 

      «O segundo reparo é este: nem todas as obras podem ajudar a formar a “personalidade” dos alunos. Isso é um acacianismo. Quem ler o Fernão Mendes Pinto que personalidade forma?» (Estudos de Apoio ao Português, Vasco Botelho de Amaral. Porto: Livraria Avis, 1976, p. 280).

      Pois é: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora lembrou-se de acaciano e esqueceu-se de acacianismo.

 

[Texto 2735]

Helder Guégués às 19:09 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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JGS, revisor

E depois?

 

 

      «Sim, a profissão de revisor não imunizou Gaspar Simões, ou os seus textos, contra as gralhas, de que foi grande recordista» (Bacoco É Bacoco, Seus Bacocos, Arnaldo Saraiva. Porto: Lello & irmão, 1984, p. 144).

      E depois? Os médicos não adoecem e não morrem? Os enfermeiros não enfermam? Não há sacerdotes a morrerem sem a extrema-unção? Quando escrevia, João Gaspar Simões não era revisor.

 

[Texto 2734]

Helder Guégués às 18:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Noites sem lua»

Nas trevas completas

 

 

      «Mãos, orelhas e objetos escuros existem desde, pelo menos, o séc. XII (estou a lembrar-me de Geraldo Geraldes sem Pavor a cortar sentinelas mouras em noites sem Lua) e não seria daí que vinha o espanto» («Mentira e vídeo (sem sexo)», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 2.04.2013, p. 56).

      Há um verso de Guerra Junqueiro (um dia conheci um médico, que não tinha a trave bem cortada, é bem verdade, que sabia de cor A Velhice do Padre Eterno) que diz «vão em noite sem lua num barco sem velas». Não há, não houve até hoje, que se saiba, noites sem Lua, apenas sem lua, isto é, sem luar.

 

[Texto 2733]

Helder Guégués às 10:05 | comentar | favorito
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O preço da pureza

A impureza das aspas

 

 

      «Estes enfermeiros têm de saber inglês e durante o período de formação no hospital [de West Suffolk] fazem um aprofundamento dos conhecimentos linguísticos, nomeadamente no que diz respeito a termos médicos. Filipa Teixeira reconhece as dificuldades de trabalhar noutro país e com outra língua: “Nós chegamos aqui e deparamo-nos com uma população idosa e com inglês mais ‘puro’ e mais difícil de compreender.”» («Enfermeiros lusos dominam em hospital britânico», Emanuel Nunes, Diário de Notícias, 2.04.2013, p. 17).

      Tudo o que é puro — com aspas ou sem aspas — é sempre mais difícil de compreender, como bem sabemos. A ganharem, porém, 3250 euros logo no primeiro ano de serviço, talvez possam ter umas explicações.

 

[Texto 2732]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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Talvez uma simples gralha, mas...

Mais de 6 anos

 

 

      «O ator britânico queria fazer parte do rol de celebridades que podiam dar-se ao luxo de edificar uma casa numa edílica frente de mar. [...] As cada vez mais furiosas tempestades de inverno e as marés cada vez mais altas estão a colocar em perigo as casas dispostas ao longo da costa» («Primeira mulher pivô em horário nobre nos EUA retira-se em 2014», Fernanda Mira, Diário de Notícias, 2.04.2013, p. 53).

      No sábado, a minha filha veio mostrar-me um desenho em que tinha escrito «ilfante» — mas acabou de fazer 6 anos e ainda não está na escola. Em compensação, nunca a ouvi dizer «colocar em perigo». Mas sim, senhora jornalista, «edílico» existe, mas se quiser saber o que significa consulte um dicionário.

 

[Texto 2731]

Helder Guégués às 09:33 | comentar | favorito
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Tradução: «comprehensive»

Compreendo

 

 

      «O assinalável êxito internacional de A Bíblia é fácil de explicar: trata-se de uma produção grande, promovida por um canal acima de suspeitas (e um canal de informação, note-se), ao longo da qual se desenrola uma dramatização transversal, quase completa — os anglo-saxónicos diriam comprehensive, palavra para que não temos boa tradução —, de um livro que nunca deixou de exercer um enorme fascínio sobre as pessoas e, porém, cada vez menos gente leu» («Ainda ‘A Bíblia’», Joel Neto, Diário de Notícias, 2.04.2013, p. 52).

      Deve ser por isso que uns a deixam por traduzir e outros a traduzem por... «compreensivo»! Bem, agora já é tarde para mudar de país.

 

[Texto 2730]

Helder Guégués às 09:14 | comentar | ver comentários (26) | favorito
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02
Abr 13

Regência do verbo «tardar»

Não tarda

 

 

      «Não tardou para que aparecesse alguém a dizer que Bruni [no seu novo disco, Little French Songs] se referia a François Hollande, opositor de Sarkozy que venceu as eleições presidenciais no ano passado» («Carla Bruni está de regresso aos discos», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 2.04.2013, p. 47).

      Ao verbo «tardar» junta-se habitualmente um infinitivo com em ou com a. Logo, seria «não tardou a aparecer».

 

[Texto 2729]

Helder Guégués às 08:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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