30
Abr 13

Bons títulos

Onde se fala de certa parafilia

 

 

      «Três dias antes de começarem a ser distribuídos, a CGD percebeu que entre os lotes para oferecer [aos clientes] havia livros eróticos — o que levou ao cancelamento da acção. Entre as obras que iam ser oferecidas estavam títulos como “Sr. Bentley, o Enraba Passarinhos” ou “Carne Crua”. Algumas das obras continham passagens com palavrões e imagens de nus nas capas» («Trabalhadores da Caixa exigem explicações sobre livros eróticos», Rosa Ramos, i, 30.04.2013, p. 26).

      Percebeu... apenas quando viu as imagens de nus das capas. Pelas «passagens», que melhor se diriam passos ou trechos, com palavrões não se distingue uma obra erótica de qualquer outra, a não ser talvez pela frequência. O título Carne Crua podia ser, está na moda, um livro de Jamie Oliver — mas o outro? E o título não devia ser «Sr. Bentley, o Enraba-Passarinhos»? Pela capa (aqui) não se pode concluir nada, porque a mariquice dos arranjos gráficos está-se quase sempre a foder para a língua.

 

[Texto 2794]

Helder Guégués às 12:52 | comentar | favorito

«Eminente/iminente»

Mais por demérito alheio

 

 

      «Confiar nele é um perigo eminente: dá rapidamente a volta ao texto e exulta com melodrama» («Marcelo», Mário Dias Ramos, i, 29.04.2013, p. 14).

      Marcelo é tão importante, mas tão importante, que mesmo como perigo não ameaça cair sobre alguém ou sobre alguma coisa — simplesmente sobreleva os outros. Nunca medíocre. Medíocres, só os jornalistas.

 

[Texto 2793]

Helder Guégués às 09:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
30
Abr 13

Tradução de termos médicos

O doente respondão

 

 

      «O que me leva a dirigir-lhe esta mensagem é, contudo, uma dúvida. Estando actualmente embrenhado num denso livro de Medicina Interna, tenho lido com frequência, a respeito de um determinado tratamento antivírico [ou antiviral], virologic responseresponsive patient, responders nonresponders. Qual é a melhor forma de traduzir estes termos? Tenho, naturalmente, tomado response por “resposta”, mas, consultando os Dicionários Houaiss, Priberam, e o da Porto Editora, verifico que, entre os vários sentidos prescritos, não se encontra a reacção positiva de um doente a um tratamento médico. Trata-se de uma falha, ou “resposta” não é realmente a melhor tradução de response neste contexto? Bem, o certo é que a situação se me afigura complicada quanto ao responsive e ao responder. Apesar de termos “responsivo” e “respondedor”, estes não me soam bem aqui.»

      Comecemos por onde devemos começar: a definição. Porque escreve «reacção positiva de um doente a um tratamento médico»? Leio no Merriam-Webster que response é «the activity or inhibition of previous activity of an organism or any of its parts resulting from stimulation». No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, podemos ler que «resposta» significa, como termo específico da medicina, «reacção do organismo a qualquer estímulo». No entanto, no Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, vemos que response se traduz por «reacção» e a locução «response to treatment» se traduz por «reacção ao tratamento». Toda a vida li e ouvi o termo «reacção» neste sentido. «Resposta» há-de ser anglicismo semântico. Responsive verter-se-á facilmente, acho eu, por «receptivo» ou por perífrase adequada. Já, por fim, quanto a «respondedor» para traduzir responder não me soa mal e já tenho lido em trabalhos científicos. E também aqui o recurso a perífrases pode ser, em certas circunstâncias, a melhor solução.

 

[Texto 2792]

Helder Guégués às 08:58 | comentar | ver comentários (7) | favorito
Etiquetas: