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Linguagista

Tradução de termos médicos

O doente respondão

 

 

      «O que me leva a dirigir-lhe esta mensagem é, contudo, uma dúvida. Estando actualmente embrenhado num denso livro de Medicina Interna, tenho lido com frequência, a respeito de um determinado tratamento antivírico [ou antiviral], virologic responseresponsive patient, responders nonresponders. Qual é a melhor forma de traduzir estes termos? Tenho, naturalmente, tomado response por “resposta”, mas, consultando os Dicionários Houaiss, Priberam, e o da Porto Editora, verifico que, entre os vários sentidos prescritos, não se encontra a reacção positiva de um doente a um tratamento médico. Trata-se de uma falha, ou “resposta” não é realmente a melhor tradução de response neste contexto? Bem, o certo é que a situação se me afigura complicada quanto ao responsive e ao responder. Apesar de termos “responsivo” e “respondedor”, estes não me soam bem aqui.»

      Comecemos por onde devemos começar: a definição. Porque escreve «reacção positiva de um doente a um tratamento médico»? Leio no Merriam-Webster que response é «the activity or inhibition of previous activity of an organism or any of its parts resulting from stimulation». No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, podemos ler que «resposta» significa, como termo específico da medicina, «reacção do organismo a qualquer estímulo». No entanto, no Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, vemos que response se traduz por «reacção» e a locução «response to treatment» se traduz por «reacção ao tratamento». Toda a vida li e ouvi o termo «reacção» neste sentido. «Resposta» há-de ser anglicismo semântico. Responsive verter-se-á facilmente, acho eu, por «receptivo» ou por perífrase adequada. Já, por fim, quanto a «respondedor» para traduzir responder não me soa mal e já tenho lido em trabalhos científicos. E também aqui o recurso a perífrases pode ser, em certas circunstâncias, a melhor solução.

 

[Texto 2792]

«Decodificar», de novo

Ele disse isso?

 

 

      O autor que usou «decodificar» (sim, porque isto não é inventado) acabou de me responder: «Segundo o falecido Prof. Lindley Cintra, deve dizer-se decodificação (que é utilizado no Brasil, eles nunca dizem nem escrevem “descodificação”) porque com des- aquilo a que se refere o substantivo desaparece, tal como em “destruir”. Neste caso não há desaparecimento, mas retorno a uma situação anterior: o que tinha sido codificado retorna ao que era antes antes (é decodificado). Seguindo esta linha de pensamento, nas Metas Curriculares de Português aprovadas pelo MEC em Agosto de 2012 foi utilizado “decodificação”.» Há mais, mas só isto interessa. Sim, está nas Metas Curriculares de Português, mas não me parece que tal seja um argumento. Um arremedo, talvez.

 

[Texto 2791]