27
Abr 13

Para lembrar

Perguntado pelo Imperador Adriano

 

 

      «Para procedermos nesta matéria com a clareza que desejo, vamos consultar ao Sábio Filósofo Secundo. Este grande homem sendo perguntado pelo Imperador Adriano, que cousa era a mulher, respondeu assim: A mulher é naufrágio do homem, tempestade da casa, cativeiro da vida, leoa abraçando, animal malicioso, e mal necessário» (Frei Amador do Desengano).

 

[Texto 2785]

Helder Guégués às 14:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Falta o resto

 

 

      Acabam de me mandar este título da página 4 da edição de hoje do Público: «Seguro acusa Cavaco de não acreditar na capacidade do povo criar soluções». Toda a sanha contra o Acordo Ortográfico (o acto mais antiliberal destes anos pós-25 de Abril), e depois isto. Qual é o leitor são de espírito que não estabelece nenhuma relação? Trata-se em ambos os casos da língua.

 

[Texto 2784]

Helder Guégués às 11:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Toque hepático»

É só um toque

 

 

      Na última semana e meia, fui a cinco médicos. Três trataram-me, e respectivas assistentes, por Dr. e dois por Eng. E porquê tanta deferência hipócrita? Ora, porque não era no Sistema Nacional de Saúde, mas em clínica privada. Foram unânimes: tenho um toque hepático. Não explicaram nada, mas gostaram de dizer «toque hepático». Os dicionários — ao contrário do que fazem, mal, com «caução carcerária» — não registam a locução.

 

[Texto 2783]

Helder Guégués às 10:54 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Com certeza»

Mais atenção, caramba

 

 

      «“O que acho dramático é que diabolizemos quem tomou decisões sobre matérias que vistas hoje se reconhece que foram erros. À época, quem as tomou concerteza que tinha objetivos em vista. A generalização desse tipo de investimentos, na altura, era comum”, considerou [Guilherme Pinto, presidente da Câmara de Matosinhos], em declarações aos JN, à margem de uma cerimónia comemorativa da Revolução de Abril» (Jornal de Notícias, 26.04.2013, p. 32).

      Ando eu aqui há dez anos a ensinar qualquer coisinha, e os jornalistas saem-se com estes disparates de criança de escola primária. É triste. É uma locução adverbial, é com certeza. A juntar ao Acordo Ortográfico, apetece mesmo ler...

 

[Texto 2782] 

Helder Guégués às 10:08 | comentar | favorito
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27
Abr 13

«Possuir/ter»

Se fosse só isso

 

 

      Passa pela cabeça de alguém que saiba ler há mais de quatro anos substituir em todos os contextos o verbo ter pelo verbo possuir? Sim, pela cabeça de um jornalista: «Disse à polícia que pertencia à Al-Qaeda, mas certo apenas é possuir problemas psicológicos» («Tiroteio em Marselha faz três mortos e um ferido», Paulo Dentinho, Jornal da Tarde, 26.04.2013).

 

[Texto 2781]

Helder Guégués às 10:07 | comentar | favorito
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26
Abr 13
26
Abr 13

«Caução carcerária»

Demasiado simples?

 

 

      «Terá sido essa a perceção do juiz de instrução de Mirandela que optou por uma caução que não deixa de ser carcerária, até pelo elevado montante estabelecido» («Liberdade provisória aplicável a todos os crimes», Alfredo Teixeira, Diário de Notícias, 26.04.2013, p. 18).

      É interessante como subsistem estes termos. Caução carcerária é a que visa assegurar com eficácia a comparência do arguido a todos os termos do processo em que seja necessário e o cumprimento das obrigações impostas pelo juiz. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, a definição é muito (demasiado?) mais simples: «caução que permite ao arguido cumprir a sentença em liberdade».

 

[Texto 2780]

Helder Guégués às 13:01 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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25
Abr 13

«Decodificar» não existe

Não devia lá estar

 

 

      Decodificar para aqui, decodificar para ali... Mas já há sete anos, no Ciberdúvidas, José Neves Henriques lembrou aos mais esquecidos que «em português não há “decodificar”, mas sim descodificar, formada do prefixo des-, acção contrária codificar». Infelizmente, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «decodificar», e nem por remeter para «descodificar» chega para evitar más opções. Donde se conclui que há tantas palavras que podiam entrar neste dicionário como as que deviam sair.

 

[Texto 2779]

Helder Guégués às 16:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Sintáctico/sintáxico»

Pouco se vê

 

 

      «A automatização da identificação das palavras escritas é muito importante porque liberta recursos linguísticos e cognitivos para as operações de análise sintáxica e de integração semântica que fazem parte do processo de compreensão dos textos.» Ainda está em edição, e talvez «sintáxico» seja alterado para «sintáctico» — mas é difícil quando o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, regista «sintáxico», embora remeta para «sintáctico». Só pode ser, ou influência do francês syntaxique, ou por analogia com outros termos portugueses.

 

[Texto 2778]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Abr 13

«Canada real»

Está explicado

 

 

      «São romeiros às centenas, que se propõem ligar a Moita a Viana do Alentejo através dos trilhos da antiga canada real. Estradas de terra batida, por entre campos agrícolas» («A romaria a cavalo que faz lembrar o faroeste», Roberto Dores, Diário de Notícias, 25.04.2013, p. 26).

 

[Texto 2777]

Helder Guégués às 08:52 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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