15
Jun 13

Léxico: «amansardado»

Mas não o verbo

 

 

      «O hotel então viabilizado terá seis pisos acima do solo (como tinha o projecto de Cassiano Branco), mais o piso amansardado na zona da cobertura e três pisos subterrâneos» («Prédio de Cassiano Branco demolido em violação do projecto aprovado», José António Cerejo, Público, 15.06.2013, p. 12).

      Sim, eu sei que «mansarda» vem do francês, mas não é disso que vou tratar. «Amansardado» pressupõe o verbo «amansardar»? Talvez, mas deste nem rasto.

      «Elas tinham vivido perto uma da outra e contemplado juntas a cena de Judite e Holofernes. Miss Cossart, à noite, no dormitório amansardado, tinha medo de Judite e dos seus olhos cheios de fogo» (A Corte do Norte, Agustina Bessa-Luís. Lisboa: Guimarães Editores, 1987, p. 99).

 

[Texto 2977] 

Helder Guégués às 14:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Sobre «isolacionismo»

Está ligado, mas não é o mesmo

 

 

      «O candidato oficial desta vez é Saeed Jalili, o chefe dos negociadores iranianos para o nuclear e partidário do isolacionismo e da rota do regresso ao purismo dos princípios da Revolução Islâmica» («Governo iraniano pediu ao povo para ir votar contra o “inimigo”», Público, 15.06.2013, p. 23).

      O problema, mais uma vez, está nos dicionários. Ora queiram ver. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o termo e define-o assim: «doutrina política de não ingerência na política de outros países». Não me parece. Para o Dicionário Houaiss, é a «doutrina que preconiza o isolamento de um país do cenário internacional, mediante recusa a formar alianças, assumir compromissos económicos externos e assinar acordos bilaterais». E agora a definição no Trésor de la Langue Française: «Doctrine, politique d’isolement d’une nation et, particulièrement, des États-Unis à l’égard de l’Europe à certains moments de son histoire.» Claro que um país que prossiga uma política isolacionista é, ao mesmo tempo, um empenhado adepto da não ingerência.

 

[Texto 2976]

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «xis-acto»

Exacto, também

 

 

      «A dado momento, um homem aproximou-se, sorrateiro, e atacou Rupert Murdoch. Foi para lhe esfregar uma tarte na cara, mas durante aquele segundo não se sabia, podia ser um xis-ato a procurar carótida» («Colher rosas no meio do pântano», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 14.06.2013, p. 56).

      Não quero falar da transfiguração causada pelo Acordo Ortográfico de 1990, mas da variante. Muito mais habitual é a grafia x-acto. Tanto assim é que continua a ser a única registada na maioria dos dicionários.

 

[Texto 2975]

Helder Guégués às 09:56 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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«Baptizar um navio»

Ainda não deixou de ser

 

 

      «A duquesa de Cambridge cumpriu a tradição e inaugurou em Southampton o Royal Princess. Grávida de oito meses, Kate Middleton lançou uma garrafa de Moët&Chandon, no valor de 1400 euros, contra o casco do navio de cruzeiros, para dar sorte» («Kate inaugura navio a um mês do parto», Diário de Notícias, 14.06.2013, p. 53).

      Em relação a navios não se usa o verbo «baptizar»? Usa, pois. Até nesta notícia em inglês: «Kate Middleton christened the new ‘Royal Princess’ cruise ship in a ceremony in Southampton.»

 

[Texto 2974]

Helder Guégués às 09:54 | comentar | favorito
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15
Jun 13

«Ítalo-americano», «ítalo-congolesa»

Não lhes chegou a notícia

 

 

      «A máfia “convence” o patrão de um grande estúdio de Hollywood a dar um papel importante na fita que está a preparar a um cantor italo-americano na mó de baixo, pondo na cama daquele a cabeça ensanguentada do seu cavalo favorito» («O filme que relançou a carreira de Frank Sinatra», Eurico de Barros, Diário de Notícias, 14.06.2013, p. 46).

      «Uma deputada regional da Liga Norte [LN] apelou ontem à violação da ministra da Integração italiana, a italo-congolesa Cécile Kyenge, causando a indignação entre a classe política do país e levando à sua expulsão do partido anti-imigração» («Eleita da Liga Norte apela a “violar” ministra», Eurico de Barros, Diário de Notícias, 14.06.2013, p. 27).

 

[Texto 2973]

Helder Guégués às 09:44 | comentar | favorito