20
Jun 13

Agora até as contas

3000 e contas erradas

 

     «“O SNS também beneficia em termos de preço cada vez que se recorre a este tipo de alternativa. Uma das soluções orais que há cerca de um ano era fornecida [aos hospitais] a 20 euros por embalagem, o laboratório militar fornece agora por três euros, menos 80% do preço”, exemplificou o ministro da Saúde» («O laboratório que já produz remédios em falta no País», Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 24).

      Hum... Isso é calculado assim por alto, não? Vamos lá ser rigorosos, se faz favor. Divide-se o valor final (3) pelo valor inicial (20), tira-se 1 e multiplica-se por 100. É 85 % e não 80 %. Chumbado.


[Texto 3000]

        

Helder Guégués às 09:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Porque/por que»

Isto é grave

 

      «“O melhor é pedir a Deus que lhe explique, porque nós não temos explicação”, responde, num impulso, a cirurgiã pediátrica quando questionada sobre como Gilberto Kássimo Silva, 13 anos, sobreviveu com um tiro na cabeça, no dia 1 de janeiro. “Bartolo”, nome porque é conhecido no bairro da Quinta da Fonte (Sacavém), vive já há mais de seis meses com a bala, que lhe entrou pela boca, alojada no tecido muscular encostado às vértebras que ditam a mobilidade dos membros inferiores e superiores» («‘Bartolo’, o ‘imortal’, vive com uma bala na cabeça», Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 12).

      Valentina Marcelino, Valentina Marcelino, então agora é assim que se escreve? Ora veja: «Também nas imediações do Rato (que, ao que se sabe, tirou o nome por que é conhecido não de nenhuma praga de roedores que o tivesse afectado, mas sim de um tal Luís Gomes de Sá e Menezes, por alcunha o Rato, fundador do convento das religiosas da Trindade — as Trinas, como normalmente eram referidas — que se encontrava onde actualmente se ergue a Igreja de N.ª S.ª da Conceição) surgiu o primeiro bairro industrial» (Esta Lisboa, Alice Vieira. Lisboa: Editorial Caminho, 1993, p. 52).

 

[Texto 2999]

Helder Guégués às 09:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Hidroponia/aeroponia»

Enxada, já era

 

      «E, durante as pesquisas sobre as técnicas de produção (“não tínhamos qualquer experiência nesta área agrícola”), descobriu em Espanha o método ideal: a hidroponia (ou aeroponia)» («Quando os morangos crescem suspensos no ar», R. M. S., Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 33).

      Pode, creio, ficar-se com a ideia de que são sinónimos, mas não são: a hidroponia, conforme se pode ler no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «sistema de cultivo, sem uso de solo, em que as plantas recebem uma solução nutritiva constituída por água pura e nutrientes inorgânicos dissolvidos», e a aeroponia é a «sistema de cultivo com plantas suspensas no ar».


        [Texto 2998]        

Helder Guégués às 09:31 | comentar | favorito
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E não «liderou»

Bons e maus exemplos

 

      Bom: «A professora Patrícia Pina [docente na Escola Profissional de Hotelaria e Turismo de Lisboa], que coordenou uma equipa com mais três pessoas, venceu as Olimpíadas da Criatividade nos Estados Unidos, dedicadas ao estatuto social da mulher» («Portuguesa ganha Olimpíadas da Criatividade nos EUA», Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 35).

      Mau: «É motivo de orgulho esta gesta dos portugueses de há quinhentos anos. Mas mais do que nos orgulhar, esse passado deve também inspirar o Portugal do futuro. Não há desafio que um povo determinado, liderado por gente esclarecida, não seja capaz de ultrapassar» (editorial de hoje do Diário de Notícias, p. 6).


[Texto 2997] 

Helder Guégués às 09:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Em que se explica o que é «spin-off»

Quem explica?

 

      «A tecnologia foi divulgada ontem pela QualityPlant, a mais recente spin-off [empresa que resulta de um grupo de investigação] da UC» («Vinhas clonadas: não há desculpa para os “anos maus”», Joana Capucho, Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 35).

      Lá explicaram desta vez o termo estrangeiro. Estão no bom caminho. (Joana Capucho, os parênteses rectos são seus? Se é assim, estão errados.)


[Texto 2996]

Helder Guégués às 09:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «germoplasma»

À frente dos dicionários

 

      Então funciona assim: «“O produtor contacta-nos, nós recolhemos as amostras, ficam guardadas num banco de germoplasma, que permite a conservação do património genético das plantas, e, se as plantações forem destruídas por alguma razão, ele recorre ao nosso serviço para replantarmos a área”, explica Elisa Figueiredo, que fundou a empresa QualityPlant com Mónica Zuzarte» («Vinhas clonadas: não há desculpa para os “anos maus”», Joana Capucho, Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 35).

     O germoplasma é o conjunto de genótipos de uma espécie vegetal, considerada como um todo. Ainda não está nos dicionários.


[Texto 2995]

Helder Guégués às 09:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Confusões dos jornalistas

Só visto

 

      «[O padre Lancelote Rodrigues] Estudou Filosofia e Teologia e, após [sic] concluir os estudos, decidiu ser padre aos 22 anos. Foi enviado para Canídrome para cuidar dos refugiados, após o bispo de Macau ter duvidado da sua vocação» («Dedicou a sua vida à missão de ajudar os refugiados em Macau», Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 45).

      É só mais uma escorregadela dos jornalistas. Mais ridícula do que outras, porventura. Quando li o necrológio, pensei que fosse um topónimo, até pela ausência de artigo, alguma localidade chinesa. Soou-me bem, assim, de recorte clássico. Na verdade, trata-se do Macau (Yat Yuen) Canidrome Co. Ltd., do Canídromo de Macau! Sim, canídromo, o recinto onde se realizam corridas de cães.


[Texto 2994]

Helder Guégués às 09:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «codão»

Não confundir com «códão»

 

      «O código genético define as regras químicas que os seres vivos usam para traduzir a informação dos seus genes em proteínas. Quando se alteram estas regras, instala-se o caos e essa manipulação resulta na morte celular. Esta troca de informação faz-se através de uma espécie de palavra com três letras (a que se chama codão) que a célula “lê” e traduz num aminoácido. À combinação codão-aminoácido chama-se código genético» («Cientistas da UA conseguiram alterar o código genético de um ser vivo», Andrea Cunha Freitas, Público, 20.06.2013, p. 28).

      Chama, pois, e provém do inglês codon. À falta de termo próprio — porque nova era a realidade —, é legítimo usar um termo estrangeiro, mas aportuguesado. Está, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «(genética) sequência de três nucleótidos adjacentes, numa molécula de ácido ribonucleico mensageiro (ARNm), que codifica um aminoácido». Por acaso, temos um vocábulo muito parecido, códão, que é a congelação da humidade infiltrada no solo. O que é curioso é que no Brasil se tenham limitado a acrescentar um acento agudo, códon.


[Texto 2993] 

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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«Nublado/nebulado»

Pouco usado

 

      «O IPMA indica no site que, para amanhã, haverá ainda registo de céu muito nebulado nas regiões Norte e Centro, até meio da manhã, mas a temperatura mínima irá subir. No sábado, as nuvens vão desaparecer e o IPMA espera “uma pequena subida da temperatura máxima, mais significativa nas regiões do interior e no vale do Tejo”» («Calor regressa na próxima semana», Público, 20.06.2013, p. 11).


[Texto 2992]

Helder Guégués às 09:13 | comentar | favorito
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20
Jun 13

«Governo encabeçado por»

Água mole, etc.

 

      Assim vamos lá. «Num artigo publicado em Março de 2011, estava o Governo encabeçado por José Sócrates de saída, Joaquim Emídio [director-geral do jornal O Mirante] vaticinou que Rui Barreiro ainda havia de chegar a ministro, por pertencer a um partido “onde parece que toda a gente boa foi de férias e só ficaram as galinhas”» («Comparar governante a ave de capoeira vai custar 5000 euros a responsável de jornal regional», Ana Henriques, Público, 20.06.2013, p. 11).


[Texto 2991]

Helder Guégués às 09:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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