03
Jun 13

Léxico: «graxo»

Que tem gordura

 

 

      «Linhaça. É a semente do linho. Devido ao seu elevado valor nutritivo, é considerada um alimento funcional. Na sua composição estão presentes proteínas, fibras alimentares e ácidos graxos (ómega 3 e 6)» («Alimentos na moda», Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 15).

      É adjectivo — que significa que tem gordura, gordurento, oleoso — que nunca antes tinha lido num jornal.

 

[Texto 2918]

Helder Guégués às 14:00 | comentar | favorito
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03
Jun 13

Ortografia: «antiausteridade»

Agora sim

 

 

      «Mário Soares afinal “está em grande forma” mas com a sua reunião das esquerdas antiausteridade, na última quinta-feira, em Lisboa “criou um problema a António José Seguro”. Isto porque dinamizou uma iniciativa “frentista” e “frentismo é o que Seguro não quer” dado o seu objetivo eleitoral da maioria absoluta» («Soares “criou um problema a António José Seguro”...», J. P. H., Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 11).

      Muito bem, antiausteridade, e não, como escreveu aqui uma colega deste jornalista, com hífen após o prefixo.

      Quanto a «frentista», os dicionários ignoram esta acepção. Contudo, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (e o Houaiss não!) acolhe o vocábulo «frentismo»: «confluência de forças políticas com o fim de fazer oposição ao poder instituído e provocar mudanças».

 

[Texto 2917]

Helder Guégués às 13:54 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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02
Jun 13

Como se escreve nos jornais

Da língua é que nem por isso

 

 

      «A viagem a Sydney era a trabalho. Nos planos, o reencontro de mentes, um curso para entrepreneurs e uma conferência de marketing. Mas no meio da agenda cheia de uma emigrante portuguesa “downunder” há sempre espaço para matar saudades das raízes» («O coração de Lisboa também bate na Austrália», Sofia Carvalho, «Liv»/i, 1.06.2013, p. 15).

 

[Texto 2916]

Helder Guégués às 17:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Se puderem

 

 

      «O Real autoimpõe-se um blackout, mas Mourinho é apanhado a falar em Canillas, onde o seu filho é protagonista da equipa juvenil» («Mourinho. O último acto de autogestão no Real Madrid», Rui Miguel Tovar, i, 1.06.2013, p. 48).

      Então agora corrijam Camilo: «Eu queria-o para meu marido, e impus-me o dever de apresentar-me com essa nódoa, que me humilhava diante de um moço cheio de candura e sentimentos nobres» (Mistérios de Lisboa, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 1969, p. 202).

 

[Texto 2915]

Helder Guégués às 16:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «torvossauro»

Nem macarrónico

 

 

      «“Tratam-se de ovos de Torvosauros, o maior dos predadores terrestres que viveu na Europa ao longo de todo o Jurássico e que viveu há cerca de 150 milhões de anos”, explica Octávio Mateus. O investigador português, que tem estado ligado a algumas das mais importantes descobertas de vestígios de dinossauros em Portugal, sublinha igualmente que este achado permite conhecer melhor esta espécie, sobretudo os ovos dos Torvosauros» («Portugal jurássico», Helder Robalo, Diário de Notícias, 1.06.2013, p. 25).

   Caro Octávio Mateus: é «trata-se de». A construção tratar-se de é impessoal, pelo que apenas se conjuga na terceira pessoa do singular. Caro Helder Robalo: escreveu o nome do dinossauro com ortografia meio latina, meio portuguesa. Em português, e portanto sem itálico, é torvossauro. Agora só falta ir para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora fazer companhia ao brontossauro, ao tiranossauro e a outros, poucos, porque faltam lá muitos.

 

[Texto 2914]

Helder Guégués às 15:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Proeminente/preeminente»

Como é parecido...

 

 

      «Eleito [Rafsandjani] para presidente do parlamento, em 1980, foi a figura proeminente do Conselho de Guerra durante o conflito armado com o Iraque (até 1988)» («O exportador de pistachos é a esperança do Ocidente», Albano Matos, Diário de Notícias, 1.06.2013, p. 22).

      Mas Rafsandjani é assim tão gordo? Ná. «Além disso, por outro lado, estes modernizavam-se, tentando a conciliação do Ghetto com a civilização moderna que os cercava, como na reforma de Mendelsohn — um judeu de Berlim, compatriota de Lessing, ele próprio filósofo e figura preeminente do Iluminismo alemão» (Estudos de História do Direito, vol. 3, Luís Cabral de Moncada. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1948, p. 84).

 

[Texto 2913]

Helder Guégués às 12:54 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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A doença das aspas

Continua

 

 

      «Os detidos preparavam-se para abrir a “caixa de visita permanente”, uma espécie de tampa no passeio, que dá acesso a um cubículo no subsolo onde estão as condutas com os cabos» («GNR detém ladrões de cobre como terroristas no Iraque», Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 1.06.2013, p. 16).

      As perguntas repetem-se: para quê as aspas? E claro que essa caixa não é uma espécie de tampa — é o próprio cubículo no subsolo, que tem tampa. E não me parece que fossem os detidos que se preparavam para abrir a caixa, mas os suspeitos.

 

[Texto 2912]

Helder Guégués às 12:25 | comentar | favorito
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02
Jun 13

Léxico: «cardiotocográfico»

Sic, sic, sic

 

 

      «Os arguidos [dois enfermeiros] não terão feito a correta visualização dos registos cardiotocográficos de forma a [sic] providenciar o socorro na tentativa de reveter [sic] a paragem cárdio-respiratória» [sic] («Enfermeiros julgados por morte de grávida», Júlio Almeida, Diário de Notícias, 1.06.2013, p. 13).

      Assim mesmo, três vezes, sic, mas estamos aqui por causa do adjectivo «cardiotocográfico», que não vejo registado nos dicionários gerais da língua.

 

[Texto 2911]

Helder Guégués às 11:28 | comentar | favorito