29
Jun 13
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Jun 13

Ortografia: «ioiô»

Pois enganam-se

 

 

      «Wimbledon. Um iô-iô chamado Michelle Brito» (Cátia Bruno, i, 29.06.2013, p. 51). Porque ora estava a ganhar, ora a perder. (Descrição numa legenda de uma fotografia da tenista: «irregularidade exibicional».) Pois é, mas é ioiô que se escreve. Em inglês é que se escreve com hífen, yo-yo. É muito raro ver a palavra bem escrita, talvez porque ninguém tem tempo para consultar um dicionário.

 

[Texto 3029]

Helder Guégués às 22:48 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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28
Jun 13
28
Jun 13

Não na definição

Dormir em sofás alheios

 

 

      «Um homem, residente em Lisboa, terá aproveitado o couch surfing, moda que se baseia em disponibilizar a própria casa como alojamento a viajantes estrangeiros, para atrair e violar uma turista» («Turista de couch surfing violada em Lisboa», Pedro Sales Dias, Público, 28.06.2013, p. 8).

      «Moda», a meu ver, está ali a mais. Pode estar na moda, mas isso não interessa para a definição. «Staying the night at the home of another person, especially a stranger, for free», lê-se no MacMillan.

 

[Texto 3028]

Helder Guégués às 09:20 | comentar | favorito
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27
Jun 13

Não falta «pró-actividade»?

Falta ou não falta?

 

 

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, encontram-se registados os vocábulos, agora tão encontradiços, pró-activo e proactivo, mas somente proactividade. É também a solução da Academia Brasileira de Letras no seu Vocabulário. «Pró-activo», lê-se naquele primeiro dicionário, significa «o que é a favor da actividade». Já «proactivo» é o «que antecipa algo; antecipatório; que toma a iniciativa, não actuando apenas em reacção a algo; empreendedor». Se não são sinónimos — só com muito boa vontade nossa diremos que o são, mas apenas parcialmente —, mais estranha é a opção de não se ter acolhido também a forma «pró-actividade». Ou não?

 [Texto 3027]

 

Helder Guégués às 15:40 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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27
Jun 13

Léxico: «haloterapia»

Fora dos dicionários

 

 

      «As partículas de sal estão por toda a parte, desde o chão às paredes, sal ionizado permite que várias pessoas estejam a recorrer à haloterapia em Castelo Branco por sofrerem de doenças respiratórias, stress ou depressão. Um projecto pioneiro no interior do País» («Centro de haloterapia em Castelo Branco», Sandra Salvado, Jornal da Tarde, 26.06.2013).

 

 [Texto 3026]

Helder Guégués às 09:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Jun 13

Léxico: «pareiassauro»

Também falta esta

 

 

      «A equipa de Linda Tsuji demonstra que este pareiassauro, aquele que tem os maiores altos na cabeça, tem muitas características primitivas, mais próximas dos seus antepassados mais antigos» («O réptil com ‘borbulhas’ que vivia isolado no deserto», Pedro Vilela Marques, Diário de Notícias, 26.06.2013, p. 30).

      Não o vejo nos dicionários. Em nenhum, nem sequer no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

 [Texto 3025]

Helder Guégués às 18:29 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Mandado/mandato»

Era só saber ler

 

 

      «A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, considerou ontem “sem fundamento” as acusações de que Pequim teria “deliberadamente” deixado fugir Edward Snowden de Hong Kong, apesar de ter sido emitido um mandato pela sua captura e cancelado o seu passaporte» («China rejeita acusações “sem fundamento”», Diário de Notícias, 26.06.2013, p. 24).

      Lá continuam os jornalistas a confundir, e assim será enquanto o mundo for mundo, mandado com mandato, palavras divergentes e com significado diferente e bem preciso.

 

[Texto 3024]

Helder Guégués às 17:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Jun 13

Chega de inglês

Assim está bem

 

 

      «Putin, que está a ser pressionado para entregar Edward Snowden, lembrou que o seu país não tem acordo de extradição com os EUA e disse que “quanto mais cedo” o delator escolher o seu destino, melhor» («Putin afasta expulsão mas quer Snowden fora do país», Susana Salvador, Diário de Notícias, 26.06.2013, p. 24).

      Assim está bem, e não, como preferem (!) no Público, ou pelo menos escreveram uma vez, whistleblowerAté parece mentira como se escreve assim em jornais portugueses.

 

[Texto 3023]

Helder Guégués às 17:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Jun 13
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Jun 13

«Tratar-se de»

Não é um caso singular

 

 

      «O diretor pedagógico do Externato [Nossa Senhora dos Remédios], a quem o jovem relatou “desentendimentos” com o padre, garantiu nas declarações que fez na fase de investigação do processo que não teve conhecimento dos factos que teriam motivado tal desentendimento e que nunca imaginou tratarem-se de abusos» («Padre abusava de crianças e dizia que “aquilo” era o que um pai fazia», Catarina Canotilho, Diário de Notícias, 25.06.2013, p. 2).

       Cara Catarina Canotilho, na acepção de «estar em causa», tratar-se é um verbo defectivo e impessoal, pelo que se usa sempre na 3.ª pessoa: «Tratar-se de abusos.»

 

 [Texto 3022]

Helder Guégués às 15:52 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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24
Jun 13
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Jun 13

Galochas para morrer

Calçado para a morte

 

 

      «Do Reino Unido vêm também as galochas Hunter. Criadas em 1856 por Lee Norris, um empresário do ramo da borracha que prosperou com a venda destas galochas aos soldados que morriam nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial» («Ferramentas de trabalho que se tornaram marcas de luxo», Joana Emídio Marques, Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 48).

      Apenas os que prometessem morrer nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial é que podiam comprar estas galochas, é isso?

 

 [Texto 3021]

Helder Guégués às 21:17 | comentar | favorito
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