07
Ago 13

Léxico: «occisar»

Muito lidos, os legisladores

 

 

      Diz o artigo 6.º, n.º 5, do Decreto-Lei n.º 113/2013, publicado hoje no Diário da República: «O disposto nos n.os 2 e 3 não é aplicável sempre que, em circunstâncias de emergência e por razões de bem-estar, de saúde pública, de segurança pública, de saúde animal ou de ordem ambiental, seja necessário occisar os animais.»

      Occisar é matar, não há dúvida, mas não encontramos o vocábulo em nenhum dicionário da língua portuguesa. Encontramos, e nem sequer em todos, occisão, porque a tendência, estamos fartos de o comprovar, é os dicionários irem deixando palavras pelo caminho. O dicionário da Real Academia Espanhola regista também occiso, «morto violentamente».

 

 

  [Texto 3157]

Helder Guégués às 13:07 | comentar | ver comentários (18) | favorito
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Mais colocações hediondas

Reagir a pedido

 

 

      A pergunta do jornalista Luís Soares, no noticiário das 9 da manhã da Antena 1, a Nicolau Santos foi muito simples: «Este comunicado das Finanças vem esclarecer alguma coisa ou vem colocar ainda mais confusão em toda esta história?»

      A Antena 1, dissera antes o jornalista, tem estado a «pedir reacções aos partidos com assento parlamentar» sobre este caso, mas ainda era cedo (menos para o PS, que «reagiu numa declaração por escrito», na qual afirmou que isto era «um triste espectáculo», e disso eles percebem). «A maior miséria da vida humana (outros dirão outra), eu digo que é não haver neste mundo de quem fiar», lê-se hoje no «Escrito na pedra» do Público.

 

  [Texto 3156]

Helder Guégués às 11:01 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Tradução: «verja»

Coisas de Espanha

 

 

      Para Carmen Crespo, delegada do Governo espanhol na Andaluzia, diálogo com o Reino Unido sim, «mas a primeira coisa que deve ser feita é retirar esses blocos de cimento, permitir aos pescadores que pesquem e os controlos da passagem estão estabelecidos, e o governo faz um controlo exaustivo do seu lado, contra o contrabando e contra a fraude fiscal». Não se podia traduzir de forma muito diferente. Em castelhano: «y el control de la verja es un control que esta firmado, que está estabelecido». Verja é o nome que Espanha — para evitar o termo «fronteira» — dá ao limite entre o território dominado pelos Britânicos e o dominado pelos Espanhóis no istmo de Gibraltar. O termo, que vem do francês verge e aparece muitas vezes com maiúscula (como, ó ironia, numa edição em linha do Jornal de Notícias: «as medidas de controlo que Espanha leva a cabo na Verja (fronteira entre Espanha e Gibraltar)»), significa vedação, cerca, e refere-se à cerca que no início do século XX o Reino Unido ali construiu, consagrando assim a ocupação do território.

 

  [Texto 3155] 

Helder Guégués às 09:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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À volta do AO

Muito para despiorar

 

 

      «Para além das razões linguísticas e políticas, espero que estas razões sejam tidas em conta, para que a AR proceda à desvinculação ao tratado. [...] A partir do grupo “Em aCção contra o Acordo Ortográfico”, do Facebook (https://www.facebook.com/groups/emaccao; para o qual gostaríamos de convidar todos aqueles que sejam contra o Acordo Ortográfico e que utilizem aquela rede social), foi colocada para assinatura a “Petição pela desvinculação de Portugal ao ‘Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa’ de 1990”; entregue na AR; continuando a ser assinada no site da petição pública» («Os malefícios do Acordo Ortográfico», Ivo Miguel Barroso, Público, 7.08.2013, pp. 46-47).

 

  [Texto 3154]

Helder Guégués às 08:25 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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07
Ago 13

«Espoletar/despoletar»

Dispenso

 

 

      «No entanto, o ano de 1914 tinha sido até então relativamente calmo no plano internacional. Ao contrário da primeira metade de 1913, cheia de notícias sobre a guerra dos Balcãs, que envolvera a Grécia, a Sérvia, a Bulgária e a Roménia (e também a Itália, que a ajudara a espoletar ao invadir a Líbia) contra a Turquia, a primeira metade de 1914 não tinha tido muito noticiário de guerra ou de preparação dela, exceto uma hipótese de conflito entre os Estados Unidos e o México, na primavera» («Nada é inelutável», Rui Tavares, Público, 7.08.2013, p. 48).

      Como se fala da guerra, até se pode pensar que ficam aqui muito bem espoletas. Já não é mau que não seja «despoletar», que é precisamente, como escreve Daniel Ricardo na obra Ainda bem Que Me Pergunta, «tirar a espoleta; travar; tornar inactivo; tornar impossível o disparo de; impossibilitar a acção ou o desencadeamento de (o contrário, pois, de desencadear)» (p. 260). Fora da guerra, dispenso espoletares e despoletares.

 

  [Texto 3153]

Helder Guégués às 08:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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