08
Ago 13

«Falsear»/«falsificar»

Não esperava

 

 

      Para mim, foi o caso do dia: «O Ministério das Finanças diz que o documento em que consta o nome de Joaquim Pais Jorge foi falseado» (José Rodrigues dos Santos, Telejornal, 7.08.2013).

      Os dicionários dão falsear e falsificar como sinónimos, pelos menos parcialmente, mas eu esperava ali o segundo, não o primeiro. Para mim, a ideia de fraude é transmitida por falsificar. Vejo, contudo, que não é assim tão claro. «Não creio que valha a pena, eu mesmo invento uma assinatura, Ao menos, que se pareça um pouco com a minha, Nunca tive jeito para imitar caligrafias, mas farei o melhor que puder, Tem cuidado, vigia-te, quando uma pessoa começa a falsear nunca se sabe até onde chegará, Falsear não seria o termo exacto, falsificar era o que deves ter querido dizer, Obrigado pela rectificação, meu querido Máximo, o que eu estava era a manifestar apenas o desejo de que houvesse uma palavra capaz de exprimir, por si só, o sentido daquelas duas» (O Homem Duplicado, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 2002).

 

 

  [Texto 3160]

Helder Guégués às 07:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Circuncisar»/«circuncidar»

Sem ponta

 

 

      Ora, é claro que *circuncisar não tem fundamentação etimológica, e talvez só se explique por analogia, mas ei-lo por aí na boca e na pena de muitos: «Ao mesmo tempo não posso deixar de confessar que me rói o feio bicho da inveja quando, depois de um lauto jantar, vejo alguém puxar de um belo charuto, circuncisar-lhe a ponta e puxar longas fumaças de prazer [...]» (Sobre a Mão e Outros Ensaios, João Lobo Antunes. Lisboa: Gradiva, 2005, p. 69). Seja que ponta for, devemos é circuncidá-la.

 

  [Texto 3159]

Helder Guégués às 07:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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08
Ago 13

Léxico: «parassocial»

Nunca se sabe

 

 

      Tem, pelo menos, dois sentidos, mas não vejo em nenhum dicionário o termo «parassocial» (creio que está na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, mas não a tenho aqui). No caso, o autor falava em «acordo parassocial», que é o contrato ou convénio celebrado entre todos ou alguns dos sócios de uma sociedade para regular as relações entre si e compor interesses. Já temos sorte de não lhe ter dado para usar o inglês shareholders’ agreement — como já tenho visto em textos em português! Se usou infrastructure gap...

 

  [Texto 3158]

Helder Guégués às 07:52 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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