11
Ago 13

Léxico: «mandinga»

Não me mandingues!

 

 

        Só hoje, que cheguei ao conhecimento do Antigo Breviário de Rezas e Mandingas, é que soube que até as dores de cabeça têm patrono — Santo Aspácio. A mim tem-me feito bem Aspegic (que fica aqui para não estar apenas nas crónicas de António Lobo Antunes. Ala). Ah, sim, e também não conhecia a palavra «mandinga» — feitiçaria, sortilégio —, que recebemos de África.

 

  [Texto 3173]

Helder Guégués às 20:06 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «contrapicado»

Do cinema para todo o lado

 

 

      «Depois ninguém sabe explicar o que se deu. Se foi dos eflúvios etílicos que envolveram a sala, se foi o olhar contrapicado do médico agachado no chão para a cara seguramente sinistra de Joaquim – e, olhada de baixo, toda a gente assume um ar aterrador» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Lisboa: Editorial Teorema, 2013).

      Tem de ser o Dicionário Houaiss a registá-lo e a dizer que se trata de um lusismo, pois os nossos dicionários, estranhamente, omitem-no. É mais um — ou menos um, conforme a perspectiva.

 

  [Texto 3172]

Helder Guégués às 13:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Está bem, abelha»

Como quem manda à merda

 

 

      Acabei de ler a expressão, que não ouvia nem lia há muito, e lembrei-me que Cardoso Pires a usou várias vezes nas suas obras. «Sorriso maldoso do inspector. Óculos escuros é com ele, mas em tecnicolor polaroid. No entanto faz-se desentendido; pensa: Está bem, abelha. E recosta-se na cadeira. Tem a ordem de captura à mão de assinar mas quer ouvir primeiro, saber opiniões. Opiniões? Elias não há meio de entender por que diabo aparece o mangas da secretaria metido naqueles expedientes. Conselheiro chamado de aflição para os devidos efeitos?» (Balada da Praia dos Cães, José Cardoso Pires. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2010, 17.ª ed., p. 136).

 

  [Texto 3171]

Helder Guégués às 13:06 | comentar | favorito
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«Período compulsivo»

Também foi

 

 

      «“Entendeu-se que [o palacete] era ideal para albergar sindicatos e uma cooperativa, a Cooperativa de Produção e Consumo Proletário Alentejano”, recorda Valverde Martins [antigo coordenador da União dos Sindicatos do Distrito de Beja]. Sem conseguir precisar a data da entrada na casa, recorda ter sido “no período compulsivo a seguir ao 11 de Março”» («“Sentíamos repulsa por eles. Quando me entregaram a chave da casa senti que era justo”», Vanessa Rato, Público, 11.08.2013, p. 12).

      Pois, foi isso que disse Valverde Martins, e a jornalista, mesmo vendo que está incorrecto, que é um lapso manifesto, deixa tal qual. Mas sim, também foi um período compulsivo para alguns, como os grandes proprietários, os latifundiários, alguns militares que não sabiam exactamente o que estavam a fazer, porque nada lhes era explicado ou eram enganados...

 

  [Texto 3170]

Helder Guégués às 09:25 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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11
Ago 13

«Deo optimo maximo»

É o que cada um quiser

 

 

      O português Pedro Paulo, barman a trabalhar no Hotel One Aldwych, em Londres, ganhou um dos mais importantes concursos de cocktails do mundo, o UKBG National Cocktail Competition, patrocinado pelo licor francês Bénédictine. O nome da bebida que preparou, One DOM, é também uma mistura: do nome do hotel e da divisa dos Beneditinos, Deo optimo maximo, mas que normalmente só é conhecida pela abreviatura D. O. M., inscrita nas garrafas daquele licor. «A Deus, que é muito bom e muito grande» é uma das possíveis traduções. Para Pedro Paulo, porém, é antes «Para Deus, para os mais corajosos, para os mais audazes».

 

  [Texto 3169]

Helder Guégués às 08:32 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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