12
Ago 13

As aspas intrometidas

Não se justificam

 

 

      «Até aos anos 1980, os comboios portugueses tinham não um segundo maquinista mas sim um “condutor”, que tinha como função dar o alerta à aproximação dos sinais, dizendo em voz alta “aberto” ou “fechado” consoante a posição destes. Uma medida destinada a reforçar a segurança no caso de o maquinista ir distraído. [...] Os “condutores” — que descendiam dos antigos fogueiros que punham carvão nas locomotivas — passaram a ser uma classe em extinção e hoje só se mantêm nos comboios de mercadorias» («Acidentes abrem debate sobre as vantagens de um segundo maquinista a conduzir comboios», Carlos Cipriano, Público, 12.08.2013, p. 9).

      As aspas devem ser porque «condutor» é quem conduz — e este segundo elemento apenas assinala, alerta. Mas nada justifica as aspas, porque é esse o nome da função. E mais, o próprio jornalista afirma que «a mesma evolução tecnológica que tornou dispensável o segundo elemento na condução do comboio, etc.». Na condução, então.

 

  [Texto 3176]

Helder Guégués às 17:42 | comentar | favorito
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«Ciclopista»?

Ora, já temos outra

 

 

      «No que diz respeito à possibilidade de o serviço vir a estar ao alcance de visitantes ocasionais, Nuno Santos diz estar a “avaliar” a situação, acrescentando que a rede de 30 quilómetros de ciclopistas está aberta a todos» («O uso da bicicleta “chique” em Vilamoura virou moda nas idas à praia», Idálio Revez, Público, 12.08.2013, p. 13).

      Até agora, «ciclopista» só da boca ou da pena de espanhóis é que a vi sair. Já temos o neologismo «ciclovia», talvez chegue.

 

  [Texto 3175]

Helder Guégués às 17:27 | comentar | ver comentários (6) | favorito
12
Ago 13

Léxico: «chega»

Chega!

 

 

      Ontem, no Jornal da Tarde, vi uma reportagem sobre chegas de bois de raça barrosã (com mais de 1000 kg!) em Montalegre. A entrada custava 10 euros, e o prémio para o dono do vencedor foi de 750 euros. Tudo ficou resolvido em 2 minutos. Dantes, a chega era a luta entre bois do povo, isto é, sementais, bois reprodutores que pertenciam a toda a aldeia. Pois acontece que a palavra «chega», nesta acepção, não está em todos os dicionários. Não está, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Às tantas, até nos dicionários de galego se encontra, pois os galegos arraianos com o Barroso, os de Randin, Muínos, Baltar, também tinham antigamente chegas de bois. Não é assim, Fernando Venâncio?

 

  [Texto 3174]

Helder Guégués às 09:49 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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