22
Set 13

«Alfabloqueador, betabloqueador»

Pois, mas

 

 

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o vocábulo «betabloqueador». Beta- é elemento de formação que exprime a ideia de segundo numa ordenação ou classificação. Tinha curiosidade em saber se registaria também aglutinado «alfabloqueador», mas nada, não regista. Para o leitor Franco e Silva, como «a palavra não representa exactamente um prefixo, mas a transcrição de uma letra grega, justificada pela dificuldade tipográfica de a escrever (e substituindo-a, pois, pelo seu nome, alternativamente). Isto é, pode equivalentemente escrever-se α, β, γ, etc., seguida de hífen e posteriormente qualquer outra palavra (comece por que letra comece, vogal ou consoante) desde que isso seja tipograficamente possível». E assim, α-bloqueador e alfa-bloqueador, β-bloqueador e beta-bloqueador. Não é, como sabem, a minha opinião: não são exactamente prefixos — mas funcionam como tal. É por razões gráficas, tão-somente, que se usa hífen se usarmos as letras gregas. Quando se usa a palavra por extenso, aglutinam-se os elementos. É o que eu faço e recomendo, com uma excepção: se o último carácter do primeiro elemento for o mesmo do primeiro carácter do segundo elemento, uso hífen.

 

  [Texto 3316] 

Helder Guégués às 23:25 | comentar | favorito

«Poliosídica»?

Ou não?

 

 

      «Vacina adsorvida pneumocócica poliosídica conjugada», leio aqui. Vem do francês polyosidique, ao que me parece. Só uma pergunta: não devíamos duplicar o s, «poliossídica»? Não escrevemos nós «polissacárido» e «polissacarídeo»?

 

  [Texto 3315]

Helder Guégués às 22:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «cata-vento»

Muito adiantados

 

 

      «As declarações não foram de Christina [sic] Lagarde, mas o “seu” FMI voltou esta semana a fazer uma coisa de que já vários o acusavam: papel de catavento» («Christine Lagarde. A contraditória», Público, 22.09.2013, p. 4).

     Na substância, será tudo verdade; mas falha, mais uma vez, a ortografia, pois é cata-vento que se escreve. Escreve e continuará a escrever-se, pois neste caso e noutros semelhantes, incongruentemente (veja-se «mandachuva», composto em que se perdeu, dizem eles, a noção de composição; e em «cata-vento», manteve-se?) o Acordo Ortográfico de 1990 deixou a ortografia intocada.

 

  [Texto 3314]

Helder Guégués às 22:14 | comentar | favorito
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«Macaréu», de novo

Nada mudou, ou 钱塘江

 

 

      «Na China, dezenas de milhares de pessoas concentraram-se nas margens do rio Qiantang para observar um fenómeno natural chamado de [sic] macaréu. Tal como podemos ver nestas imagens, trata-se de uma onda com várias dezenas de metros de largura e que percorre o caudal de um rio a uma velocidade constante. As ondas podem chegar a ter 9 metros de altura» (Jornal do Meio-Dia, 22.09.2013).

      Já tínhamos visto a palavra aqui, no Assim Mesmo. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, continua, infelizmente, aquele espúrio «após ter vencido a força da corrente», mas já os avisei.

 

  [Texto 3313]

Helder Guégués às 16:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «cinetoscópio»

É pouco

 

 

      «À imagem do cinetoscópio com que se iniciou a história do cinema — resumidamente, imagens em movimento dentro de uma pequena caixa escura com um buraco por onde espreitava uma pessoa de cada vez —, a companhia de teatro de marionetas A Tarumba criou, em 2009, os “mironescópios”, caixas escuras com marionetas dentro que contam histórias eróticas (e para maiores de 16 anos). Como um peep-show, só que sem carne humana» («Um peep-show de marionetas pela Europa fora», «Ípsilon»/Público, 20.09.2013, p. 12).

      Vejamos. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, «cinetoscópio» é o «aparelho percursor [sic] do cinematógrafo». Bem, parece que se pode dizer muito mais. (Em todos os dicionários de inglês que consultei é peepshow ou peep show que leio.)

 

  [Texto 3312]

Helder Guégués às 09:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Set 13

«Moto-quatro» ou «moto quatro»?

Eu ligo

 

 

      «Salvu Vella, 61 anos, chega à torre de Santa Maria, na ilha de Comino, cavalgando numa moto-quatro. É a mesma torre onde o realizador Kevin Reynolds filmou uma adaptação do romance O Conde de Monte Cristo, em 2002. Salvu chega à hora combinada. Veste um macacão de padrão camuflado e um chapéu cinzento — indumentária que torna mais fácil distingui-lo de um qualquer turista» («O homem pós-moderno da ilha não deserta», Fábio Monteiro, «Fugas»/Público, 21.09.2013, p. 12).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-o sem hífen, «moto quatro», mas creio que é melhor com hífen.

 

  [Texto 3311]

Helder Guégués às 09:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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