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Linguagista

«Pernada», uma acepção

Passada larga

 

 

      «Os criados e os porteiros subiam e desciam febrilmente as escadas; acordaram todos os hóspedes e telefonaram para a polícia. Mas, no meio de todo este tumulto, o homem gordo, de colete desabotoado, passava em grandes pernadas, através da noite, soluçando e gritando, de forma insensata, um único nome: “Henriette!... Henriette!...”» (Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher, Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Lisboa: Publicações Europa-América, 1972, pp. 15-16).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista cinco acepções do vocábulo «pernada»: movimento violento ou pancada com a perna; pontapé; passada larga; ramo grosso de árvore; braço de rio. Pena é, como muitos outros dicionários, a maioria, não acolher abonações.

 

  [Texto 3337]

«Esporão/gume da quilha»

Já vamos ver

 

 

      «Enfim, tropeçando nas cordas e passando pelos cabrestantes, atingi a proa do navio, que avançava na sombra, e vi a claridade líquida da lua saltar, espumante, dos dois lados do esporão» (Amok (O Doido da Malásia), Stefan Zweig. Tradução de Alice Ogando. Porto: Livraria Civilização, s/d, p. 13).

      Estão (marinheiros de água doce) aqui a dizer-me que em vez de «dos dois lados do esporão» é mais correcto «os lados do gume da quilha». Numa tradução francesa, lê-se «des deux côtés de l’éperon». Esta é uma questão para Paulo Araujo.

 

  [Texto 3336]