29
Set 13
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Set 13

É mais ou menos isso

Pequeno e verde

 

 

      «O [Prémio] Stirling consta já do currículo de vários ateliers de renome e distinguiu obras que já são emblemáticas: desde o edifício de Norman Foster na City londrina, o 30 St Mary Axe (2004) — conhecido informalmente como o “gherkin” — ao MAXXI de Zaha Hadid (2010) em Roma, passando pelo Terminal 4 do Aeroporto de Barajas, em Madrid (Richard Rogers, 2006)» («Prémio Stirling: um castelo do século XII é o melhor edifício de 2012»,  Joana Amaral Cardoso, Público, 28.09.2013, p. 26).

      Por acaso é conhecido por The Gherkin, que em português é «pepino» e não «pequeno pepino». Gherkin é um pepino pequeno e verde, usado, lê-se nos dicionários de língua inglesa, «to make pickles».

 

  [Texto 3330]

Helder Guégués às 21:42 | comentar | favorito
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28
Set 13
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Set 13

«De mais»

Ele escreveu assim

 

 

      «No entanto seria simples de mais se devesse dar apenas a vida» (O Fim da Noite, François Mauriac. Tradução de Cabral do Nascimento. Lisboa: Estúdios Cor, 1957, pp. 59-60). «Com alegria amarga, com esse prazer de fazer pressão no lado que dói, demorar-se-ia sobre a dupla imagem confundida: não, a noite não era longa de mais para viver em espírito aquela existência suave e simples de dois esposos que têm filhos, que sofrem lutos, que se encaminham para a morte: e o primeiro que fecha os olhos abriu a senda para que o sobrevivente não sinta medo do sono eterno» (idem, ibidem, p. 137) «Depressa de mais, na opinião de Teresa» (idem, ibidem, p. 139). «O vestíbulo estava escuro de mais para que se notassem as feições alteradas da rapariga» (p. 176). «Mas não me atrevo a esperar, seria bom de mais!» (idem, ibidem, p. 213).

 

  [Texto 3329] 

Helder Guégués às 06:30 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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27
Set 13
27
Set 13

Landas

E fez bem

 

 

      «Assim, enquanto Teresa, sentada no leito desde a véspera, de olhos abertos, fingia estar calma para se desembaraçar de Ana, cuja presença agora lhe causava medo e horror, — a tempestade avançava dos confins da suas Landas» (O Fim da Noite, François Mauriac. Tradução de Cabral do Nascimento. Lisboa: Estúdios Cor, 1957, p. 169).

      Vejam se Cabral do Nascimento escreveu Landes; nada: aportuguesou, Landas, e fez muito bem.

 

  [Texto 3328]

Helder Guégués às 10:07 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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26
Set 13

«A datar desse momento»

A datar deste momento, os Garcins

 

 

      «A datar desse momento, aboliu-se toda e qualquer complicação tanto para Teresa como para os Desqueyroux» (O Fim da Noite, François Mauriac. Tradução de Cabral do Nascimento. Lisboa: Estúdios Cor, 1957, p. 185).

      Pois se Cabral do Nascimento evitou o omnipresente «a partir de», nós também somos capazes. Quanto aos Desqueyroux, claro que não dá para perceberem, mas há mais exemplos: «– Conhece, é a senhora do Octávio Garcin... dos Garcins de Laburthe... Não são ainda aparentados? Estão agora em Paris» (idem, ibidem, p. 75). «As férias do Natal tinham trazido, na véspera à noite, Jorge Filhot a Saint-Clair. Foi a cozinheira dos Filhots quem preveniu, através do padeiro» (idem, ibidem, p. 186).

 

  [Texto 3327] 

Helder Guégués às 22:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Set 13

E «placodermo»?

Sim, e o singular, cada espécime?

 

 

      «O Entelognathus tinha cerca de 20 cm de comprimento (o tamanho de uma sardinha). Era um peixe da classe dos já extintos placodermos, cuja cabeça e ombros estavam cobertos por placas ósseas e que são considerados como o tipo mais primitivo de peixes com maxilares. Mas – e é aí que está a novidade –, embora à primeira vista os maxilares de Entelognathus parecessem bastante banais, afinal não eram. Tinham a estrutura dos nossos próprios maxilares, algo inédito num peixe como este. “É a primeira vez que vemos ossos [faciais] deste tipo num placodermo. Até aqui, os placodermos conhecidos tinham maxilares essencialmente feitos de cartilagem”, explicou ao PÚBLICO Min Zhu num email» («Este pequeno peixe viveu há 419 milhões de anos e tinha uma cara (quase) igual à nossa», Ana Gerschenfeld, Público, 26.09.2013, p. 37).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e noutros dicionários, é muito comum estar registado o nome plural, mas não o singular. É outro erro.

 

  [Texto 3326] 

Helder Guégués às 09:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Set 13

«Devolver o bote»

Há sempre novidades

 

 

      «Foi bem ela, desta vez, quem falou: era a Teresa pronta a devolver o bote, a que esse imprudente acabara de despertar» (O Fim da Noite, François Mauriac. Tradução de Cabral do Nascimento. Lisboa: Estúdios Cor, 1957, p. 152).

      Não conhecia. Devolver o bote é devolver a censura de que se foi alvo. Já ir no bote é deixar-se enganar.

 

  [Texto 3325]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «rectossigmoidoscopia»

É só mais um

 

 

      Também não encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o termo médico rectossigmoidoscopia (exame endoscópico no qual se utiliza um tubo rígido, o rectossigmoidoscópio, inserido através do ânus para examinar o canal anal, recto e porção mais distal do intestino grosso), o que é razão quase suficiente para alguns médicos não o escreverem correctamente.

 

  [Texto 3324]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | favorito
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25
Set 13

«Cursar», uma acepção

Sempre se aprende

 

 

      «A maioria dos doentes», lê-se no texto, «recupera no período de uma semana, contudo, a infecção pode evoluir com agravamento dos sintomas e cursar com risco de vida.» Nunca tinha visto ser usada esta acepção do verbo «cursar» — seguir o curso de.

 

  [Texto 3323]

Helder Guégués às 07:37 | comentar | favorito
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24
Set 13
24
Set 13

«Croça da aorta»

Lá se foi uma convicção

 

 

      Vai para sete anos (!), escrevi esta nota de rodapé num texto que publiquei no Assim Mesmo: «É curioso, na verdade, que ninguém tenha dúvidas em designar o arcus aortae como “crossa da aorta”, pela semelhança, a curvatura, que tem com o báculo episcopal. Neste caso, parece não haver dúvidas de que o étimo é o francês.» Ninguém? Algo mudou. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, à parte recurvada da artéria aorta dá-se o nome de... «croça». E o Dr. Google também dá clara vantagem a esta grafia, o que jamais me deixaria abalado, se não fora juntar-se-lhe a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. E esta foi publicada há décadas. A coisa é muito simples: para muitos dicionários, «crossa» nem sequer existe. Bem, assim pelo menos é mais simples...

 

  [Texto 3322] 

Helder Guégués às 20:16 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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