12
Nov 13

Dicionários

Só no teatro...

 

 

      «Há quem chore, há quem tenha uma branca, há quem se desfaça em agradecimentos... e há quem acenda um cigarro. Foi esta a (polémica) forma escolhida por Miley Cyrus para celebrar o prémio que recebeu na categoria de Melhor Vídeo, com o tema Wrecking Ball, na gala dos European Music Awards (EMA), que se realizou anteontem em Amesterdão, Holanda» («Miley Cyrus acende mais uma polémica», Márcia Gurgel, Diário de Notícias, 12.11.2013, p. 53).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-o, sim, mas afirma que é termo usado no teatro. Se o lapso momentâneo de memória for noutro local, tem de ter outro nome...

 

  [Texto 3510]

Helder Guégués às 22:04 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Pouca pesquisa

Olhe que não

 

 

      «“Há questões que ficaram sem resposta, sobre como um programa confirma as fontes antes de gravar. A curto prazo, isto vai confirmar as piores suspeitas de todos os que não confiam na informação da CBS”, escreveu, por seu lado, Craig Silverman, autor do blogue político Regret the Error» («CBS assume mentira após onda de críticas», Nuno Cardoso, Diário de Notícias, 12.11.2013, p. 50).

      Político, o blogue Regret the Error? Não mais do que o Linguagista. Chegou a estar, não sei se se recordam, na aba das hiperligações do Linguagista. Não, não. O autor (e os autores costumam saber o que fazem) descreve-o assim: «Regret the Error reports on media errors, corrections, retractions, apologies and trends regarding accuracy and verification.»


   [Texto 3509] 

Helder Guégués às 21:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Polar» substantivo

Ainda na serra

 

 

      «A média de idades deste grupo, que se veste de forma diferente, com polares, gorro e fardamento técnico adaptado ao montanhismo, ronda os 25 anos» («Uma força muito especial da Guarda», Luís Fontes, Diário de Notícias, 12.11.2013, p. 29).

     Trata-se de um adjectivo — casaco polar —, mas neste caso aparece substantivado. Não me surpreenderia se aparecesse brevemente como substantivo nos dicionários, pois, como adjectivo, já está registado como designação de lã sintética.

 

 

  [Texto 3508]

Helder Guégués às 20:37 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Rapel/“rappel”»

Não ouviu

 

 

      «“Quero que desçam em rapel”, grita o antigo fuzileiro[,] que exige aos homens que comanda disciplina e treino, muito treino em ambiente hostil, para que as missões de salvamento decorram com segurança para vítimas e operacionais. [...] A capacidade física e o gosto pelo desporto, sobretudo o “mais radical” (esqui, rappel, escalada), são ingredientes fundamentais para integrar esta equipa» («Na serra manda o tempo e a GNR», Luís Fontes, Diário de Notícias, 12.11.2013, p. 28).

      O antigo fuzileiro gritou, mas nem assim o jornalista Luís Fontes ouviu. É verdade que o sargento-ajudante estava no cimo do Cântaro Magro, na serra da Estrela.

 

  [Texto 3507]

Helder Guégués às 20:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «empranchado»

Qual prancha

 

 

     «“Tinha-o avisado que nem ele nem nenhum graduado tinham competência para aplicar castigos, mas foi em casos de empranchados [ficarem em sentido muito tempo].” O arguido era o comandante de companhia do aluno e por isso o subordinado mais direto do major Pinto Pereira» («Militar denuncia que colégio sabia dos castigos», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 12.11.2013, p. 15).

   O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-o, mas com outro sentido: «diz-se do salto em que o corpo forma uma linha recta», um termo do desporto. Num aviso de abertura de concurso para a GNR, lê-se que, numa das provas de aptidão física, «o corpo tem que estar “empranchado” sem formar ângulo entre tronco e membros».

 

  [Texto 3506]

Helder Guégués às 19:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Vinho alvarinho»

Pois, mas não

 

 

      «Nesse dia, entre dois copos de Alvarinho, aprendi com Álvaro Cunhal mais uma das mil e uma formas de matar o ideal comunista: o culto da personalidade» («Álvaro Cunhal a subir uma escadaria infinita», Pedro Tadeu, Diário de Notícias, 12.11.2013, p. 7).

     Talvez a brincadeira com o nome Álvaro pareça mais eficaz com o nome do vinho com maiúscula inicial, mas está, saiba Pedro Tadeu, errado. O vinho é com minúscula; a casta, com maiúscula.

     «O vinho alvarinho, branco, fresco, pouco alcoólico, leve, amável ao paladar e estimulante, é oriundo de uma casta de uvas trazidas da Grécia em tempos remotos» (Roteiro do Vinho Português, Jaime Batalha Reis. Lisboa: Secretariado Nacional da Informação, 1945, p. 62).

 

  [Texto 3505]

Helder Guégués às 18:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «coladera»

Com capa, mas não escapa

 

 

       «Aos 28 anos, a cabo-verdiana faz o seu disco mais maduro. Já não são só mornas e koladeras: Mayra mostra um lado pop, íntimo, melómano e com um quente tempero de múltiplas raízes» («Um caminho percorrido», Bruno Martins, Metro, 12.11.2013, p. 10).

    Está nos dicionários com c, coladera, mas alguns jornalistas não passam sem o k. Karaças.

 

  [Texto 3504]

Helder Guégués às 17:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Ciclone/furacão/tufão»

Quem o afirma?

 

 

      «Depressões tropicais capazes de libertar uma energia dez vezes superior à da bomba atómica de Hiroxima. A descrição aplica-se tanto a ciclones como a furacões ou tufões. A diferença de designação é apenas geográfica. Os tufões são as depressões que atingem a Ásia, se afetarem as Caraíbas são designadas furacões e ciclones se atingirem zonas tropicais» («O mesmo fenómeno, nomes diferentes», Diário de Notícias, 11.11.2013, p. 23).

      Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não é assim; furacão é o nome dado ao tufão ou ciclone das regiões tropicais; tufão é o ciclone da região do Pacífico Ocidental e ciclone não aparece relacionado com nenhuma zona geográfica. Não sei, mas nestes casos prefiro confiar no que se lê no glossário do National Hurricane Center.

 

  [Texto 3503]

Helder Guégués às 07:49 | comentar | favorito
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12
Nov 13

«Júri/jurado»

A confusão continua

 

 

      «De fora ficaram assim componentes kitsch como comboios, ciclistas e réplicas de Amália, mas o britânico Pravin Patel, júri do Guiness, confessou-se ainda assim “absolutamente fascinado por todas as peças do presépio [de S. Paio de Oleiros, Feira]”» («Presépio bate recorde do Guiness como o maior do mundo em movimento», Diário de Notícias, 11.11.2013, p. 20).

      Também dito Praveen Patel aqui e ali — é jurado, não júri. É, não a mais deletéria, mas uma das mais persistentes confusões na imprensa.

 

  [Texto 3502]

Helder Guégués às 07:48 | comentar | favorito
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