08
Dez 13

O que escrevem os professores

Implicação?

 

 

      A aluna escreveu duas banalidades — nem sequer três, mas apenas duas —, e a professora respondeu: «É sempre um gosto enorme contar com a sua implicação e com o seu trabalho notável.» Mais um clube do elogio mútuo. Caraças. Dá-me volta ao estômago.

 

  [Texto 3640]

Helder Guégués às 21:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Míconos

E é uma tradução

 

 

      Escreveram aqui «Mykonos», mas: «Serviria o peixe à la Grecque: (assado com alecrim e limão), tal como tinham comido nas tabernas durante a viagem que tinham feito juntos a Míconos, antes de Vic nascer» (Attachment (em anexo), Isabel Fonseca. Tradução de Rita Graña. Lisboa: Editorial Teorema, 2010, p. 351).

 

  [Texto 3639]

Helder Guégués às 13:57 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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O programa do provedor

Vamos esperar sentados

 

 

      «“Olhe, provedor, tenha muita atenção aos erros que maltratam a nossa bela língua”. Ui! Deste “pecadilho”, em que é tão fácil cair, tenho eu próprio receio. Vou estar atento.
 A nossa língua é,
 de facto, muito bela. Mas passa-nos cada rasteira. Sem dúvida, têm razão os leitores. Escrever para o público exige cultura, na qual se inclui, obviamente, cultura linguística. Aqui, com certeza, vou ter
 de tratar destas e doutras questões. Estas serão, aliás, importantes linhas de combate» («Linhas de combate», João Manuel Paquete de Oliveira, Público, 8.12.2013, p. 54).

 

  [Texto 3638]

Helder Guégués às 12:28 | comentar | favorito
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Sobre «xhosa»

Que cosa

 

 

      «No meio desta desgraça, muito pouca gente se salvou (José Cutileiro e Daniel de Oliveira) e a generalidade do público ficou sem saber quem fora o homem e o que fizera. Para começar, ficou sem saber que nascera na família real da nação xhosa (sobrinho do soba), que estudara numa escola metodista inglesa e na Universidade de Witwatersrand, que se formara em direito e que abrira um escritório de advogado em Joanesburgo. Parecendo que não, estas trivialidades são e continuaram sempre a ser parte do político e explicam em parte a sua carreira» («Portugal à solta», Vasco Pulido Valente, Público, 8.12.2013, p. 56).

      Como será que Vasco Pulido Valente lê a palavra «xhosa»? «Pois é. Se não fossem esses modos de dizer errados, estaríamos ainda falando Latim ou algum dialeto indo-europeu ou, ainda, coisa parecida com o Suarrille (ou Swahili, como queiram) ou o Cosa (Xhosa) lá da África» (A Enciclopaedia da Hyena, Vol. 1, Luiz Carlos Bravo. Rio de Janeiro: Edições MM, 1974, p. 117).

 

  [Texto 3637]

Helder Guégués às 12:16 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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08
Dez 13

Critérios disparatados

Vá lá perceber-se

 

 

      «Enxada às costas,
 no regresso da machamba de que esteve a cuidar durante a manhã, William confessa que já tomou uma decisão. [...] É ela que determina também em muito o dia-a-dia de Alfredo Nelson, que, para sustentar sete filhos, concilia o trabalho que lhe dão os padres que se instalaram em Vunguine com o cultivo da machamba
 para consumo próprio. [...] Coexistem o cultivo das machambas familiares com explorações industriais de pequena e média dimensão em sectores como a extracção de areia ou a construção, e a Bananalândia, uma empresa de vocação exportadora» («Moçambique é “maningue nice” mas não para
a imensa maioria», João Manuel Rocha, Público, 8.12.2013, pp. 14-15).

    O itálico em «machamba» é para quê, caro João Manuel Rocha? Engana-se, «machamba» é português. Em changana é maxamba, como football é o correspondente, e o étimo, do nosso «futebol». O que é curioso — e irritante — é que no Público a maioria das palavras inglesas não são grafadas em itálico.

 

  [Texto 3636]

Helder Guégués às 11:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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