16
Dez 13

Desgraçado verbo «haver»

Não desculpamos

 

 

     A Fundação Mata do Bussaco ganhou o Prémio Manuel António da Mota. Convidado pelo programa Portugal em Directo, na Antena 1, o presidente da fundação, Eng.º António Jorge Franco, afirmou: «Neste momento, temos um ex-recluso que já é funcionário, e certamente haverão outros ex-reclusos que passarão a fazer parte dos quadros da Fundação Mata do Bussaco.»

 

  [Texto 3678]

Helder Guégués às 22:20 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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Léxico: «mecanístico»

Isto nunca mais acaba

 

 

      «O resultado foi um amálgama de fatalismo mecanístico e de cretinismo evolucionista. Hilferding previu, alguns meses antes de rebentar a crise de 1929, um longo período de elevada prosperidade capitalista!» (Vida e Morte de Trotsky, Pierre Frank et al. Tradução de J. Ferdinando Antunes. Lisboa: Edições Delfos, 1974, p. 151).

      O mesmo que «mecanicista». Não o vejo em muitos dicionários. Está no Aulete e, tinha de ser, na monumental Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. (A melhor oferta que já me fizeram, mas ainda hoje um alfarrabista me ofereceu um exemplar do Dicionário Técnico de Termos Alfarrabísticos, de Paulo Gaspar Ferreira.)

 

  [Texto 3677]

Helder Guégués às 18:59 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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Deitar-se com as galinhas

Galinhas francesas

 

 

      «Alors que je m’apprêtais à me coucher comme les poules, on frappa à ma porte.» Há ideias e formas universais de dizer as coisas. Talvez em cosa (vá lá: xhosa) se diga o mesmo.

 

  [Texto 3676]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O que falta nos dicionários

Quase tudo estrangeiro

 

 

      «Assim daremos por nós dentro de danças e instrumentação musical tradicionais, como a chamarrita, gota, fandango, corridinho ou a muinheira, refeitas ou desconfiguradas no limiar do reconhecível. A soberba composição coreográfica revela-nos, desde o interior, uma dança que se alimenta do prazer intenso da relação lúdica com o outro, da catarse colectiva» («Portugal a gostar de si próprio», Luísa Roubaud, Público, 16.12.2013, p. 30).

      Não estão em todos os dicionários. Ali a muinheira vê-se logo que é galega, muiñeira. A chamarrita, que é do arquipélago dos Açores e da ilha da Madeira, foi levada pelos colonos açorianos para o Brasil, onde foi rebaptizada «chimarrita». A gota, que é uma dança popular do Minho, também não está nos dicionários. O fandango, que veio de Espanha, está em todos. O corridinho, português no nome, é dança que nos chegou da Europa Central.

 

  [Texto 3675]

Helder Guégués às 09:36 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «mandador»

Quem manda

 

 

      «“Fica no singelo!” O mandador instrói [sic] os seis bailadores nos passos mais simples da valsa mandada» («Portugal a gostar de si próprio», Luísa Roubaud, Público, 16.12.2013, p. 30).

      Mandador, pode ler-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «director dos bailes de roda populares, no Algarve», mas a verdade é que tem um uso mais alargado.

 

  [Texto 3674]

Helder Guégués às 09:34 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Pensionista», uma acepção

Estes são diferentes

 

 

    «De facto, depois de estudos secundários feitos em Lisboa e da formação em arquitectura como pensionista na Escola de Artes Industriais de Genebra, onde residiria entre 1907-21, José Porto mudou-se para em [sic] Paris, onde viveu a década prodigiosa da geração dos modernistas, tendo aí trabalhado como arquitecto mas também pintor, ilustrador, decorador, cenografista, etc.» («O cinema de Manoel de Oliveira também mora na arquitectura», Sérgio C. Andrade, Público, 16.12.2013, p. 28).

    Pensionistas há muitos — e agora quase todos com ordem de extremínio do Governo —, e este do artigo é o estudante que é subsidiado pelo Estado.

 

  [Texto 3673]

Helder Guégués às 09:31 | comentar | favorito
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16
Dez 13

«Tira de plástico»...

Não diz nada

 

 

      «Ao início da tarde, apenas a família de um dos jovens não tinha ainda sido encontrada pelas autoridades. As outras ali esperaram, separados por uma tira de plástico para os manter resguardados, que lhes viessem trazer notícias dos familiares. Naquele recanto improvisado, alguns choravam, abraçavam-se. A maioria não tirava os olhos do mar» («Cinco dos sete jovens arrastados pelo mar no Meco estavam desaparecidos», Catarina Gomes, Público, 16.12.2013, p. 8).

      Vai fazer três anos em Janeiro que quisemos saber, no Assim Mesmo, que nome têm estas fitas. Será «fita separadora», como li então numa tradução? Ou será, como sugeria um leitor, «fita sinalizadora»? «Tira de plástico» é que não é nada.

 

  [Texto 3672]

Helder Guégués às 09:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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