26
Dez 13

Sobre «colapso»

E linguística

 

 

      «Esta discussão articulou-se com uma outra, promovida em 2004 pela Slavic Review, sobre a reformabilidade do sistema soviético: era esse sistema internamente transformável e, portanto, reformável ou as tentativas de Gorbatchov estavam, à partida, condenadas ao fracasso? Em resposta a esta pergunta, Stephen Cohen, biógrafo de Bukhárine, um dos mais eminentes historiadores do sistema soviético e um íntimo conhecedor dos seus dissidentes, lembrou que o fim da União Soviética seria mais adequadamente descrito por meio das expressões “abolição” e “dissolução”, que acentuam a componente decisória e política, do que através da tão usada palavra “colapso”, que sugere uma espécie de fatalidade geológica» («Depois da queda: as heranças do fim da URSS», Mário Artur Machaqueiro, Público, 26.12.2013, pp. 24-25).

 

  [Texto 3715]

Helder Guégués às 16:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «Guantânamo»

É mesmo

 

 

      Reconheço: Guantânamo é o melhor aportuguesamento. «O pintor norte-americano Steve Mumford esteve em Guantânamo duas vezes, em Fevereiro e Maio deste ano, para assistir ao julgamento do terrorista Abd al-Rahim al-Nashiri num trabalho para a Harper’s Magazine» («As aguarelas de Guantânamo», Sábado, n.º 498, 14-20 de.11.2013, p. 22).

 

  [Texto 3714]

Helder Guégués às 16:06 | comentar | favorito
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«Laranja-da-baía»

Ah, os dicionários

 

 

      No supermercado, compraram «navel oranges». «Laranja de umbigo», lê-se no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora. Sim, toda a gente sabe. Mas porque é que no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não encontramos um sinónimo quase de certeza mais usado — laranja-da-baía —, hein?

 

  [Texto 3713]

Helder Guégués às 15:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «owl pellet»

Não sabia

 

 

      Os miúdos trouxeram — não, não foi do viveiro de crocodilos — «owl pellets». «Pelotas de coruja»?! Bem, para o Aulete, pelotas são pequenas bolas de qualquer material. Neste caso, são bolas formadas por restos de alimentos não digeridos que algumas aves carnívoras regurgitam. Isto tinha de ter um nome científico, e é egagrópilo, que não vejo, contudo, nos dicionários.

 

  [Texto 3712]

Helder Guégués às 14:10 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «crocodile farm»

Isso mesmo

 

 

    Os miúdos vão visitar «a nearby crocodile farm». «Um viveiro de crocodilos», verteu, e bem, o tradutor. Estamos mais habituados talvez a pensar num viveiro como um recinto próprio para a criação e reprodução de plantas, mas a verdade é que é também de animais.

      «No chamado Passo de Combarjua, a leste, no encontro das duas águas, havia outrora um viveiro de crocodilos, que os Portugueses de Quinhentos conheceram e pelos quais foram devorados inúmeros fugitivos de Goa, quando em 25 de Novembro Albuquerque a conquistou» (Boletim da Sociedade de Geografia, vol. 80. Lisboa, 1962, p. 121).

 

  [Texto 3711]

Helder Guégués às 08:40 | comentar | favorito
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26
Dez 13

«Perda de chance»

Meio francês

 

 

      «A sociedade de advogados contestou mesmo assim esta condenação e chegou a anunciar que ia recorrer dela, por pretender a absolvição. Godinho de Matos anunciou então que ia apresentar um recurso subordinado ao da PLMJ para tentar que todo o caso fosse de novo apreciado e voltasse a ser discutida a questão da “perda de chance”. O advogado dos herdeiros da fábrica de celulose explica que esta é a designação técnica francesa para denominar prejuízo causado quando se perde a possibilidade de debater um caso em tribunal» («Escritório de Júdice não recorre de condenação no processo da celulose Celtejo», Alexandra Campos, Público, 26.12.2013, p. 8).

      Até no Brasil é assim que se diz, apesar de toda a gente saber que «perda de oportunidade ou de expectativa» seria mais conforme à nossa língua.

 

  [Texto 3710]

Helder Guégués às 08:26 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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