09
Jan 14

Tradução: «cornichons»

Intraduzível, hein?

 

 

   «Houve mais clientela do que de costume, caras novas, mulheres fumando, trincando pepinos de conserva, bebendo copinhos de vodka às escondidas, e conversando com aquela voz pastosa e musical que o encantava nas russas» (Uma Aventura Inquietante, José Rodrigues Miguéis. Lisboa: Editorial Estampa, 1981, p. 117).

  Numa tradução, contudo, deixaram cornichons, mas escusadamente, pois são simples pepinos pequenos de conserva. Ainda me parece mais simples do que o lemon curd.

 

  [Texto 3824]

Helder Guégués às 17:04 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Ortografia: «retaguarda»

Para trás

 

 

      De vez em quando, vejo a palavra «retaguarda» mal escrita, com um c. Erro muito frequente que requer atenção, escrevem há décadas vários estudiosos. Aqui não há rectas, mas retro, para trás. Estive para não dizer nada, mas como foi um pós-doutorado que assim escreveu, e também porque Mário Barreto, por exemplo, não desdenhou da questão, aqui estou. A propósito: os dicionários registam «pós-doutorando», que é a pessoa que está a fazer um pós-doutoramento, mas — e depois, não é pós-doutorada? É, mas os dicionários esquecem-se. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora em «pós-doutorado» remete para «pós-doutoramento», porque são sinónimos no Brasil. Mais valia não fazer remissão nenhuma e registar que «pós-doutorado» é a pessoa que fez um pós-doutoramento.

 

  [Texto 3823] 

Helder Guégués às 14:46 | comentar | ver comentários (4) | favorito

A cor local

OSAL, Rosa

 

 

      Rosa Veloso, no Telejornal de terça-feira: «Trata-se do chamado caso Nóos, a criação de uma fundação sem ânimo de lucro, mas através da qual alegadamente derivaram [sic] quase 6 milhões de euros de dinheiros públicos para empresas do casal.» Saiba, cara Rosa Veloso, que isso é castelhano: nós dizemos sem fins lucrativos. Se podia ser pior? Sim, se tivesse dito «non-profit corporation», por exemplo.

 

  [Texto 3821]

Helder Guégués às 07:42 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «ondógrafo»

Francamente

 

 

      «Sempre que acontecem fenómenos extremos na costa, o catedrático Veloso Gomes, especialista em Hidráulica, coloca-se ao computador para recolher os dados fornecidos pelos marégrafos e ondógrafos instalados no país» («Bóias com ondógrafos voltam à zona da Nazaré quando o tempo melhorar», Público, 8.01.2014, p. 14).

      Esta está dicionarizada: um ondógrafo é um mecanismo com que se mede a altura e frequência das ondas do mar. Mas releiam (já que o jornalista o não fez): «coloca-se ao computador». Parece mentira como se escreve assim.

 

  [Texto 3820]

Helder Guégués às 07:41 | comentar | favorito
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Sobre «cheque-ensino»

Colhido na espuma dos dias

 

 

      Será judicioso e necessário dicionarizar termos que, tudo leva a crer, são fruto efémero de certa conjuntura? Recentemente, começou a ouvir-se falar no cheque-ensino, e eis que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora já o acolheu: «é a proposta», lê-se na definição, «de financiamento educativo em que o Estado entrega uma quantia às famílias que cumpram as condições preestabelecidas e que lhes permite optar por escolas do ensino particular e cooperativo». Proposta? Entretanto, o novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo para a escolaridade não superior entrou em vigor, embora ainda não esteja regulamentado, e o termo «cheque-ensino» não foi, como seria de esperar, usado.

 

  [Texto 3819]

Helder Guégués às 07:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Temos «xeque» e «xeique»

Apesar das duas alternativas

 

 

      «Logo a seguir surge uma figura impressionante de túnica branca solta e turbante de um verde brilhante. É o sheikh local» (Na Síria. Conta-me cá como Vives, Agatha Christie Mallowan. Tradução de Margarida Periquito. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, p. 85).

    Esta é outra opção infelicíssima, com dezenas de ocorrências no texto. Temos, em língua portuguesa, xeque e xeique, mas pelos vistos não chegam. É como afirma e lamenta Montexto: «Gente que mais folgue de estrangeirar do que a lusíada, coitada, não a deve cobrir a rosa do Sol...»

 

  [Texto 3818]

Helder Guégués às 07:38 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Aspirina», de novo

Isso é que não

 

 

  «Nestes dias temos distribuído uma quantidade apreciável de Aspirina para as dores de cabeça. Faz muito calor, acompanhado de trovoadas. Os homens tiram proveito da ciência oriental e da ocidental. Depois de engolirem as nossas aspirinas vão a correr ter com o sheikh, que muito amavelmente lhes coloca discos de metal incandescente na testa, “para expulsar o espírito mau”» (Na Síria. Conta-me cá como Vives, Agatha Christie Mallowan. Tradução de Margarida Periquito. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, p. 234).

    Já falei disto aqui. Não me parece que seja necessário o itálico e a maiúscula. Seja como for, podemos ter uma certeza: o plural de Aspirina não é aspirinas.

 

  [Texto 3817]

Helder Guégués às 07:37 | comentar | favorito
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09
Jan 14

Não lhes soa, o plural

Sendo assim

 

 

      «São os Dunand, e foram mesmo para Brak por engano» (Na Síria. Conta-me cá como Vives, Agatha Christie Mallowan. Tradução de Margarida Periquito. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, p. 239). Então, sendo assim, preferimos o original, se não se importa: «It is the Dunands and they had gone to Brak by an error.»

 

  [Texto 3816]

Helder Guégués às 07:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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