12
Jan 14

Ementa, menu, cardápio

Escolham o melhor

 

 

      «Encontrei por acaso, outro dia, o cardápio de um dos nossos jantares (para dez pessoas)» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 50).

   Aqui há uns anos, ainda variavam entre «ementa» e o galicismo «menu»; agora, só este lhes sai do bestunto. «Cardápio», então, julgam que foi acabado de inventar por mim. Ah, mas esperem... Foi inventado, sabiam?, por um brasileiro, e a verdade é que pegou mais ou menos. Pelo menos a mim ocorre-me sempre — repito: sempre — que leio a palavra «menu» ou «ementa».

 

  [Texto 3842]

Helder Guégués às 22:21 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Ortografia: «Manchéster»

Tudo a trouxe-mouxe

 

 

      «O meu avô passara os últimos anos da sua cruzando o Atlântico de um lado para o outro, ocupado pelos seus negócios em Nova Iorque e a sua sucursal inglesa em Manchéster» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 41).

      Perguntava eu aqui há uns anos: «Quem escreve Bóston também tem de escrever Manchéster? Talvez convenha, sim.» Mas isto está a piorar, já ninguém vai querendo saber destes cuidados, é tudo a trouxe-mouxe.

 

  [Texto 3841]

Helder Guégués às 22:08 | comentar | favorito
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Léxico: «diarista»

Olha, não sabia

 

 

      «Duvido que hoje exista ainda uma verdadeira empregada doméstica. Existirão possivelmente algumas, entre as idades dos 70 e 80 anos, mas, fora isso, o que existe são diaristas, empregadas que parecem fazer-nos favores, ajudantes domésticas, governantas e encantadoras jovens que pretendem conciliar o ganho de algum dinheiro extra com um horário que lhes convenha e convenha também às necessidades dos seus próprios filhos» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 30).

      No original, «dailies», mas o que mais importa é em português. Não conhecia a acepção, lá me escapou da leitura de José Pedro Machado. Ora deixem-me confirmar... Cá está: «Diarista, s. m. (de diário). Trabalhador cujo vencimento é fixado ao dia» (Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Lisboa: Amigos do Livro, Editores, 1981, p. 240). (Para os meus biógrafos: comprei os doze volumes na Livraria Académica, no Porto, em 1984.)

 

  [Texto 3840]

Helder Guégués às 21:47 | comentar | ver comentários (25) | favorito
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Léxico: «azul-aguado»

Belas cores

 

 

      A nossa literatura está cheia de cores, e não lhe faltam laivos de azul-aguado, que ora aparece, como era inevitável, com hífen ora sem hífen. Podia estar, ao lado de outros, nos dicionários. «Sobre a mesa laçada, estendida, encontra-se a blusa de chiffon ao lado das outras peças, para tentar a avó. O tecido, de um azul-aguado, com fios de prata irregularmente entretecidos deve ser macio como... como...» (Como Outro Qualquer, Ana Saldanha. Lisboa: Editorial Caminho, 2001, p. 159).

 

  [Texto 3839]

Helder Guégués às 13:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Pergunte a si própria»

Isso era dantes, respondem

 

 

   «Pergunte a si própria se a maioria dos seus amigos e pessoas conhecidas são agradáveis e ficará surpreendida por tão poucas vezes a sua resposta poder ser igual à de Peggotty [do romance David Copperfield, de Dickens]» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 14). E o original: «Ask yourself that question about most of your friends and acquaintances, and you will perhaps be suprised at how seldom your answer will be the same as Peggottys’s.»

   Uma tradução recente, neste mesmo trecho, mete os pés pelas mãos ao recorrer a «vós próprios», mas com os verbos na 3.ª pessoa do plural.

 

  [Texto 3838]

Helder Guégués às 13:01 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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12
Jan 14

Léxico: «uíste»

Ora que grande surpresa

 

 

      «Regressava de táxi para almoçar e de tarde ia de novo para o clube, jogava uíste toda a tarde e só vinha para casa a tempo de se vestir para o jantar» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 14). «He returned, in a cab, for lunch, and in the afternoon went back to the club, played whist all afternoon, and returned to the house in time to dress for dinner.»

    Na tradução publicada pela Asa em 2011, já não se lê «uíste», pois claro, mas whist. Os tempos são sombrios para a língua portuguesa.

 

  [Texto 3837]

Helder Guégués às 09:22 | comentar | ver comentários (3) | favorito