13
Jan 14

«Apelar para»

Ainda faz falta

 

 

      «Temos todos simpatias, antipatias, despeitos, paixões, possìvelmente ódios, cultura, mentalidades diversas; e ainda que o Governo, fugindo de extremismos de uma e de outra banda, apele para todos os portugueses de são patriotismo, procurando juntá-los à volta de ideias constitucionais razoáveis e justas, é certo que muitos não quererão auxiliar nem a Ditadura nem a sua tentativa de resolver o problema político português» (Discursos, volume primeiro, 1928-1934, Oliveira Salazar. Coimbra: Coimbra Editora, 1961, 5.ª ed., p. 94).

  Nada de especial, c’um caraças!? Mas não são milhares de vós, professores, escritores, tradutores, revisores, que, em semelhantes contextos, escreveis «apelar a»? Então, meus senhores?

 

  [Texto 3851]

Helder Guégués às 23:34 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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«Além de»

Clímax

 

 

    «Por mim, toda a gente sabe que, além de ser útil à minha Pátria, nada pretendo e nada quero — nem honrarias, nem satisfação de vaidades, nem sequer agradecimentos, que aliás da parte dos povos vêm sequer tarde para os que governam» (Discursos, volume primeiro, 1928-1934, Oliveira Salazar. Coimbra: Coimbra Editora, 1961, 5.ª ed., p. 66).

    Nada de especial, foda-se!? Mas não são milhares de vós, professores, escritores, tradutores, revisores, que lhe juntais um «para» completamente desnecessário? Então?

 

  [Texto 3850]

Helder Guégués às 23:02 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Nada que ver»

Fiquem com esta

 

 

    «É, sobretudo, fora dos elementos afectos à Ditadura e entre os seus inimigos que se defende a primeira tese — a Ditadura nada tem que ver com a política» (Discursos, volume primeiro, 1928-1934, Oliveira Salazar. Coimbra: Coimbra Editora, 1961, 5.ª ed., p. 61).

   Nada de especial, dizem, de novo!? Vão lá dizer isso a milhões de escrevinhadores, de escritores e tradutores a catedráticos, passando por jornalistas. «Nada a ver» é galicismo. Je n’ai rien à voir avec ça. Afinal, são portugueses ou não?

 

  [Texto 3849]

Helder Guégués às 22:45 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Reunir-se», mais uma vez

A eles, não a nós

 

 

    «São volvidos dois anos. Reunimo-nos de novo, pela primeira vez depois dos acontecimentos que relembro, nós os homens do governo, vós os representantes da força pública» (Discursos, volume primeiro, 1928-1934, Oliveira Salazar. Coimbra: Coimbra Editora, 1961, 5.ª ed., p. 46).

   Nada de especial, dizem? Vão lá dizer isso a milhares de escrevinhadores, de escritores e tradutores a catedráticos, passando por jornalistas.

 

  [Texto 3848]

Helder Guégués às 22:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «desconexação»

Falta de conexão

 

 

   «A administração pública, compreendida a das autarquias e a das colónias, não representava a unidade e acção progressiva do Estado; era ao contrário o símbolo vivo da desconexação geral, da irregularidade, do movimento descoordenado, a gerar o cepticismo, a indiferença, o pessimismo dos melhores espíritos» (Discursos, volume primeiro, 1928-1934, Oliveira Salazar. Coimbra: Coimbra Editora, 1961, 5.ª ed., pp. 47-48).

   Mais uma das tais coincidências: na semana passada, ao folhear uma obra de Ricardo Jorge, deparou-se-me pela primeira vez a palavra. Agora, só conhecemos «conexão».

 

  [Texto 3847]

Helder Guégués às 22:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Círculo vicioso»

Aprendam com mestre António

 

 

    «Em conjugação com esta, que envenenava toda a vida portuguesa, havia na metrópole e nas colónias a desordem financeira e a desordem económica, agravando-se mùtuamente e à desordem política, no círculo vicioso dos males nacionais» (Discursos, volume primeiro, 1928-1934, Oliveira Salazar. Coimbra: Coimbra Editora, 1961, 5.ª ed., p. 48).

  Aprendam os que não sabem, pois claro, os que insistem no ciclo vicioso, na lógica sem lógica desta última. São milhares, e agora têm outra oportunidade.

 

  [Texto 3846]

Helder Guégués às 22:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «entocar(-se)»

Usai esta

 

 

      «A árvore de Madge, depois de nos entocarmos com muita precaução dentro dela, possuía um lugar para nos sentarmos num galho curvado de forma convidativa e daí, sem sermos vistos, olhar para o mundo exterior» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 21).

      Muito bem, entocar(-se), meter(-se) em toca; encovilar-se. No original: «when you had burrowed cautiously into it». Bonito.

 

  [Texto 3845]

Helder Guégués às 09:41 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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Léxico: «limeira»

E logo a primeira vez

 

 

      «Por outro lado, o cheiro das limeiras traz-me de volta o passado e de súbito recordo um dia passado junto a algumas delas, recordo o prazer com que me atirei ao chão, o cheiro da relva quente, essa repentina e adorável sensação do Verão; o cedro perto, o córrego mais além...» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 70).

     Nunca tinha visto esta palavra fora dos dicionários. É verdade que no original se lê «lime trees», mas tenho sérias dúvidas que se possa traduzir por «limeiras». Parece óbvio, mas nem por isso.

 

  [Texto 3844] 

Helder Guégués às 07:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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13
Jan 14

«Panteonizáveis»!

Um horror, mas já era previsível

 

 

    «Os primeiros “panteonizáveis” neste quadro que se segue ao enaltecimento da figura de Camões, continua o historiador, são inseparáveis de uma visão que acredita no progresso. Procura-se enaltecer “os que melhor exprimiam um pulsar colectivo, não tanto os políticos e os militares, mas, sobretudo, os intelectuais”. Honraram-se, então, nos Jerónimos Alexandre Herculano, João de Deus e o próprio Garrett. [...] “É curioso ver que o Estado Novo, que tanto enaltecia a história, não ‘panteoniza’ ninguém. Os que escolhe vêm já de uma sepultura nobre”, diz Neto [Maria João Neto, professora de História de Arte da Faculdade de Letras de Lisboa]. [...] Ainda que o paradigma do mérito literário nunca tenha deixado o panteão — Sophia está aí para o confirmar — a ida de Amália para Santa Engrácia, a que se seguirá a de Eusébio, reflecte, na opinião de Catroga [Fernando Catroga, catedrático da Universidade de Coimbra], um “alargamento dos critérios”, passando a abranger “personalidades produtoras e produtos da cultura de massas”. Têm, continua, “um forte poder de mediatização e de transformação icónica e iconolátrica e dir-se-ia que já estão panteonizados, mesmo antes de entrarem em qualquer panteão”» («A antiga fábrica de sapatos é uma casa de heróis mal-amada», Lucinda Canelas, Público, 12.01.2014, pp. 12-13).

 

  [Texto 3843]

Helder Guégués às 07:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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