30
Jan 14

Estrangeiro é melhor

Niccolò! Niccolò!

 

 

      No Público de hoje: «“A ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela” Niccolò Maquiavel (1469-1527), filósofo e político italiano». Até recentemente, ainda era Nicolau Maquiavel. Como eram os Médicis. Agora, os BL tomaram conta disto tudo.

 

 

[Texto 3950]

Helder Guégués às 09:02 | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «brunch»

Problema deles

 

 

      «A outra coisa que tinham em comum era que todos pertenciam à Catequese do Póquer da Igreja Católica Romana de Teerão, que funcionava durante o brunch de domingo» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 151).

     Intraduzível também, c’um caraças? Não são poucos os tradutores que vertem para «pequeno-almoço tardio». Eles e eu não desconhecemos que também há late breakfast. Quem souber fazer melhor, fale agora ou cale-se para sempre.

 

[Texto 3949]

Helder Guégués às 08:37 | ver comentários (11) | favorito
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Tradução: «standard procedure»

Os basbaques da língua

 

 

      «O procedimento standard era simular a paragem do motor» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., 138).

      Como se fosse necessário o «standard». Enfim. Standard procedure. Um tradutor olha para isto e parece insuperável, intraduzível. Francamente. No caso, «procedimento recomendado» chega muito bem para o traduzir. Aliás, recorrem ao estrangeirismo não apenas tradutores, mas autores de língua portuguesa. São como dois partidos nada rivais: os basbaques da língua (BL) e os maluquinhos da língua (ML).

 

[Texto 3948]

Helder Guégués às 08:24 | ver comentários (1) | favorito
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«Meia-hora»/«meia hora»

Paletes de hífenes

 

 

      «Bastou de facto mergulhar os linfócitos durante cerca de meia-hora na solução para se constatar que, passados uns dias, uma substancial proporção das células iniciais tinha sobrevivido e regressado à estaca zero do desenvolvimento, formando pequenos aglomerados esféricos, lê-se na Nature» («Nova técnica cria células capazes de originar todos os tecidos do corpo», Ana Gerschenfeld, Público, 30.01.2014, p. 27).

     Com hífen, Ana Gerschenfeld? Também existe: são as doze horas e trinta minutos (no relógio). Não deve passar uma semana que não veja este erro.

 

  [Texto 3947] 

Helder Guégués às 06:53 | favorito
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30
Jan 14

A importância da língua

É o mínimo, não é?

 

 

      «Para Germano de Almeida, conferencista transformado em contador de histórias para explicar que a língua portuguesa lhe é tão importante que chegou a acabar um namoro porque alguém lhe escreveu num papel “penço em ti” — “Como poderia eu continuara [sic] a namorar uma mulher que escrevia ‘penso’ com ç?” —, o português é uma “ponte entre culturas”. Admitindo que o usa para escrever porque lhe é natural fazê-lo e lhe permite chegar a uma audiência mais vasta, o autor continua a defender o crioulo como “língua de intimidade”, feita para “trazer no dia-a-dia”: “O cabo-verdiano namora em crioulo. Não [lhe] passa pela cabeça dizer ‘amo-te’ a uma mulher. ‘Amo-te’ é uma palavra violenta.”» («É na canção brasileira que melhor se vê a líbido da língua portuguesa», Lucinda Canelas, Público, 30.01.2014, p. 30).

 

 

  [Texto 3946] 

Helder Guégués às 06:37 | favorito (1)
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29
Jan 14
29
Jan 14

Tradução: «lopsided smile»

Um mundo à parte

 

 

      «Jim Schwebach com o seu sorriso assimétrico, como se soubesse algo que ninguém sabia» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 137).

      Creio que é das tais coisas que só existem nas traduções. Na literatura portuguesa, há sorrisos tortos, sorrisos de esguelha, sorrisos oblíquos...

 

  [Texto 3945]

Helder Guégués às 23:30 | ver comentários (1) | favorito
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