06
Jan 14

Léxico: «borraceiro»

Terceira vez na vida

 

 

      «Eu e Max arrancamos para Hasetshe na Mary, esperando que tudo corra bem, apesar de o céu estar encoberto e cair um borraceiro» (Na Síria. Conta-me cá como Vives, Agatha Christie Mallowan. Tradução de Margarida Periquito. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, p. 99). Ainda só tinha me tinha deparado com ele por duas ocasiões; uma foi na Via Sinuosa, de Aquilino. Vão lá buscar o dicionário, eu espero: «O sr. Chinoca pharmaceutico, por uma tarde de borraceiro, despachou um proprio com carta sua a dizer que tinha necessidade instante de me fallar.»

 

  [Texto 3793]

Helder Guégués às 13:55 | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «indução»

Pelo menos para mim

 

 

    Tozé Martinho: «Na minha família todos os homens são médicos e sempre houve uma indução para que seguisse Medicina» («“Devia ter sido mais pai-galinha”», entrevistado por Rita Resendes, «Vidas»/Correio da Manhã, 4 a 10.01.2014, p. 38).

   É verdade, indução é sinónimo de sugestão, persuasão, mas creio que é relativamente raro encontrar o vocábulo com este sentido.

 

  [Texto 3792]

Helder Guégués às 10:48 | ver comentários (1) | favorito
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06
Jan 14

Tradução: «tired vegetables»

Não cá

 

 

      «Compramos carne de qualidade duvidosa, da qual se levanta um bando de moscas, alguns legumes já cansados e pão muito bom, acabado de fazer» (Na Síria. Conta-me cá como Vives, Agatha Christie Mallowan. Tradução de Margarida Periquito. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, p. 89). No original: «We buy meat of a doubtful character from which flies rise in a swarm, some rather tired vegetables and some very good freshly made bread.» Hum, demasiado à letra, não? «Legumes já murchos», «legumes já estiolados», entre outras, são formas correctas e correntes de o traduzir.

 

  [Texto 3791]

Helder Guégués às 10:47 | ver comentários (3) | favorito
05
Jan 14

O que se diz na rádio

Coisas como estas

 

 

      Mesmo para quem, como eu, não liga absolutamente nada ao futebol, o lugar de Eusébio está bem firmado na história do desporto. Mas não exageremos. Na Antena 1, esta tarde, um jornalista assegurava que Eusébio «é um dos pilares da História de Portugal». Vá lá, alguma contenção. Um repórter, cujo nome não imortalizarei, com lágrimas ao canto da boca, dizia que já estava a ver «o caixão fúnebre de Eusébio». É a rádio portuguesa.

 

  [Texto 3790]

Helder Guégués às 20:08 | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «wadi»

Por montes e vales

 

 

      «O que significa seguir por um caminho através dos campos e atravessar diversas valas e barrancos» (Na Síria. Conta-me cá como Vives, Agatha Christie Mallowan. Tradução de Margarida Periquito. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, p. 79). No original: «It means taking a line across country and the crossing of innumerable little ditches and wadis.» Não me perguntem que nome lhes dava Fr. Pantaleão de Aveiro. Sei é que alguns dicionários da língua portuguesa registam o termo aportuguesado uádi ou uade, que é o leito de um rio nas regiões desérticas de África e da Ásia, geralmente seco, excepto na estação das chuvas. Curiosamente, na autobiografia de Agatha Christie publicada pela Asa (Alfragide: Edições Asa II, 2011), a tradutora, Elsa T. S. Vieira, usou o termo «uádi».

 

  [Texto 3789]

Helder Guégués às 16:02 | ver comentários (7) | favorito
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05
Jan 14

Tradução: «local»

Não são todos iguais

 

 

     «Temos várias conversas com os habitantes locais nos vários montículos, no caminho para Tell Halaf» (Na Síria. Conta-me cá como Vives, Agatha Christie Mallowan. Tradução de Margarida Periquito. Lisboa: Tinta-da-China, 2010, p. 78).

    Nada de especial, dizem? Enganam-se: no original está isto: «We have many local conversations on the various mounds approaching Tell Halaf.» Já vimos aqui que alguns jornalistas usam o termo como se fosse uma acepção lidimamente portuguesa.

 

  [Texto 3788]

Helder Guégués às 14:42 | favorito
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